O consumo nos supermercados brasileiros registrou um crescimento acumulado de 2,52% nos primeiros nove meses de 2024, em comparação ao mesmo período de 2023, de acordo com dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
O mês de setembro, especificamente, apresentou uma elevação de 0,95% em relação a setembro do ano anterior, confirmando a tendência de alta anual no setor. Esse desempenho reflete uma série de fatores econômicos e sociais que impactam diretamente o poder de compra dos consumidores e o setor varejista.
Apesar do crescimento anual, os dados indicam que houve uma queda de 1,3% no consumo entre agosto e setembro deste ano. A Abras justifica essa variação pela influência do “efeito calendário”, já que agosto contou com um final de semana a mais e a celebração do Dia dos Pais, fatores que tradicionalmente impulsionam o consumo.
Impacto de estímulos e benefícios sociais no consumo
O cenário de elevação no consumo de alimentos e outros itens em supermercados está intimamente ligado aos estímulos financeiros e repasses governamentais. Em setembro, por exemplo, alguns repasses contribuíram para aquecer o consumo, entre eles:
- Bolsa Família: O programa distribuiu R$ 14,14 bilhões para mais de 20,71 milhões de beneficiários, somando-se a outras medidas de assistência social e injetando capital diretamente na economia.
- Restituição do Imposto de Renda: Um montante de R$ 1,03 bilhão foi liberado para cerca de 511 mil contribuintes, proporcionando um alívio financeiro e possibilitando um incremento no consumo.
- Requisições de Pequeno Valor (RPVs): A liberação de R$ 2,7 bilhões para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) impulsionou as compras em itens essenciais, muitas vezes prioritários para essa faixa da população.
Esses repasses atuam como suporte para o poder de compra das famílias brasileiras, especialmente em tempos de inflação e juros altos. Para o setor de supermercados, a entrada desses recursos no mercado contribui diretamente para o aumento das vendas de produtos de primeira necessidade.
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Expectativas para o consumo nos próximos meses
Com a chegada dos últimos meses do ano, a Abras projeta um cenário de continuidade no aumento do consumo, impulsionado por outros estímulos financeiros. Entre os principais fatores estão:
- 13º Salário: O pagamento do décimo terceiro aos trabalhadores formais deverá injetar uma quantia significativa na economia, tradicionalmente usada para quitar dívidas e, também, para o consumo de fim de ano.
- Restituição de Imposto de Renda: A liberação dos lotes residuais da restituição continua a beneficiar um número considerável de pessoas, impactando o mercado.
- Bolsa Família e Auxílio-Gás: Os repasses mensais e bimensais desses programas mantêm o fluxo financeiro para famílias de baixa renda, que consomem prioritariamente em supermercados.
- PIS/Pasep: O resgate do abono salarial referente ao PIS/Pasep, estimado em R$ 228,6 milhões, beneficia mais de 247 mil trabalhadores. Esse valor pode contribuir para as compras no setor de alimentos e produtos de uso doméstico.
Esses estímulos financeiros são vistos como impulsionadores do consumo, especialmente com a aproximação das festas de fim de ano, período marcado por um aumento na procura de produtos alimentícios e bebidas.
O desafio do setor de supermercados em 2024
Embora os dados do consumo sejam positivos até setembro, o setor de supermercados enfrenta alguns desafios importantes. A inflação e as taxas de juros elevadas continuam a impactar o poder de compra dos brasileiros, principalmente das famílias de baixa e média renda.
O crescimento observado até o momento, segundo especialistas do setor, reflete tanto as medidas de incentivo econômico quanto o aumento nos preços dos produtos, que forçam o consumidor a gastar mais para adquirir o mesmo volume de itens.
Outro ponto relevante para o setor é a necessidade de adaptar-se ao novo perfil de consumo do brasileiro, que tem optado cada vez mais por marcas próprias e produtos com custo-benefício mais vantajoso.
Redes de supermercados estão investindo em produtos de marca própria e oferecendo alternativas acessíveis em categorias como alimentos, produtos de higiene e limpeza, e até itens de vestuário, buscando fidelizar os clientes em um cenário econômico desafiador.
Tendências de consumo e mudanças no perfil do consumidor
As tendências de consumo nos supermercados refletem o comportamento financeiro dos brasileiros, que buscam economizar e encontrar produtos acessíveis para equilibrar o orçamento. Dentre as tendências, destacam-se:
- Produtos de Marca Própria: Devido ao aumento dos preços, muitos consumidores têm migrado para produtos de marca própria, oferecidos por grandes redes a preços mais competitivos.
- Compras Planejadas e Promoções: O consumidor brasileiro passou a planejar melhor suas compras, aproveitando promoções e datas especiais para adquirir produtos essenciais a preços reduzidos.
- Consumo Consciente: Cada vez mais, o brasileiro tem dado preferência a produtos sustentáveis e embalagens que geram menos impacto ambiental, o que também influencia a decisão de compra em supermercados.
Essas mudanças revelam a adaptação do brasileiro a uma realidade econômica que exige planejamento financeiro. A busca por produtos com bom custo-benefício se tornou uma característica predominante no comportamento de consumo, refletindo uma nova dinâmica entre as redes de supermercado e seus clientes.
O crescimento de 2,52% no consumo em supermercados no acumulado de 2024 aponta para a resiliência do setor, que continua a ser beneficiado pelos estímulos governamentais e pela importância dos itens básicos no orçamento das famílias brasileiras. Com a entrada dos meses finais do ano, as expectativas são de que o consumo seja ainda mais impulsionado pelo pagamento do décimo terceiro salário e demais repasses.
Para o setor, é essencial seguir adaptando-se ao perfil do novo consumidor brasileiro, que busca economia sem abrir mão da qualidade. Essa combinação de fatores econômicos e sociais reforça a relevância dos supermercados na vida cotidiana dos brasileiros, um setor que se mantém como um dos pilares do consumo no país, especialmente em tempos de desafio econômico.


