IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Millennials sem filhos podem reduzir PIB dos EUA em até 4%; entenda

Por

·

Nos últimos anos, os Estados Unidos, assim como muitos outros países, enfrentam uma mudança na taxa de nascimentos. Este fenômeno é mais visível quando comparamos as décadas passadas com os dias de hoje. Em 1960, por exemplo, nasciam 24 bebês para cada 1.000 pessoas.

Porém, em 2022, esse número caiu para apenas 11, de acordo com dados do St. Louis Fed, banco regional do Federal Reserve, banco central americano. Essa diminuição no número de nascimentos reflete uma tendência global que tem impactos não apenas nas famílias, mas também na economia e na estrutura das cidades.

Gráfico mostrando o impacto da queda na taxa de filhos na economia
Um dos principais fatores que explicam por que a geração millennial tem optado por ter menos filhos é o alto custo de vida e fatores como tensões sociais e climáticas |Foto: Reprodução/Freepik

Esse declínio, combinado com o aumento da longevidade da população, tem preocupado economistas, que se questionam sobre como as economias funcionarão com um número reduzido de trabalhadores disponíveis.

Em entrevista à revista Fortune, Melinda Mills, professora de demografia e saúde da população na Universidade de Oxford, explica que a baixa fertilidade sustentada e a maior expectativa de vida resultam em um envelhecimento populacional, o que gera diversos impactos econômicos e sociais. Ela alerta que esse fenômeno causa pressões sobre o mercado de trabalho, sistemas de saúde, infraestrutura, habitação, além de exigir uma revisão dos sistemas previdenciários e da idade de aposentadoria.

Como essas mudanças afetam a economia?

Essas mudanças podem ter efeitos econômicos significativos, com a redução no PIB de países com populações envelhecidas chegando a até 4%, como apontado a Fortune por James Pomeroy, economista global do HSBC. A previsão inicial era de que a pandemia de Covid-19 causaria um aumento temporário nos nascimentos, levando a uma recuperação na taxa de natalidade, o que ficou claro após a leve alta observada em 2021.

No entanto, dados de 2022 e 2023 mostraram que a tendência de queda nas taxas de fertilidade persistiu, com muitos casais optando por um estilo de vida de “dupla renda e sem filhos” (DINK, na sigla em inglês).

Em 2023, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano, reportou que as taxas de fertilidade dos Estados Unidos atingiram um mínimo histórico de cerca de 55 nascimentos por 1.000 mulheres entre 15 e 44 anos, o que é mais uma indicação da persistente queda nas taxas de natalidade. Pomeroy, do HSBC, destacou que, dentro de 20 anos, a força de trabalho em idade ativa poderá começar a diminuir substancialmente.

Essa tensão entre uma população envelhecida e uma taxa de natalidade baixa já está sendo sentida em várias nações, com problemas, por exemplo, no preenchimento de vagas nos sistemas de saúde, que antes contavam com a contribuição de trabalhadores migrantes.

Os impactos da baixa natalidade

O impacto dessa diminuição populacional também é observado no Reino Unido, onde, em 2022, aproximadamente 33% dos migrantes eram empregados no sistema de saúde, o que evidenciou uma dependência crescente de trabalhadores estrangeiros para sustentar os serviços essenciais.

Mills explica que essa situação tem gerado tensões políticas, com os países enfrentando dilemas sobre como manter a força de trabalho e os sistemas previdenciários, ao mesmo tempo, em que buscam estratégias para integrar as populações inativas ao mercado de trabalho.

Pomeroy também destaca que as consequências desse fenômeno serão sentidas diretamente pela população. As pessoas podem ter mais dificuldade em encontrar profissionais para serviços básicos, como cabeleireiros, manicures ou até mesmo técnicos especializados, como os que montam equipamentos médicos em hospitais. Esse declínio no número de trabalhadores qualificados terá um impacto direto na vida cotidiana das pessoas, tornando esses serviços mais escassos e caros.

O que explica a opção por não ter filhos?

Um dos principais fatores que explicam por que a geração millennial tem optado por ter menos filhos é a combinação de vários desafios econômicos e sociais. A alta dos custos de creche, a inacessibilidade do mercado imobiliário, os altos preços de alimentos e itens essenciais, a interrupção de carreiras e as preocupações com o futuro do planeta são apenas alguns dos obstáculos mencionados por jovens que decidiram adiar ou até mesmo desistir da ideia de ter filhos.

De acordo com um estudo da Pew Research, uma organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que realiza pesquisas e análises sobre tendências sociais, realizado em julho de 2024, mais de 3.000 pessoas foram entrevistadas sobre a decisão de não ter filhos.

Para aqueles entre 18 e 49 anos, a principal razão para essa decisão foi a simples falta de desejo, com muitos se concentrando em outras prioridades da vida.

Além disso, um número significativo de participantes apontou questões relacionadas ao estado do mundo, como mudanças climáticas, instabilidade política e incerteza econômica, como razões para evitar a paternidade ou maternidade.

Quase 40% dos entrevistados afirmaram que se preocupam com o futuro do planeta, e 36% disseram que não podiam se dar ao luxo de sustentar uma criança. A preocupação ambiental também foi mencionada por 26% dos participantes, enquanto 24% indicaram que a falta de um parceiro adequado foi o motivo para não formar uma família.

Outros fatores que afetam na decisão

Outro fator importante que tem impactado as taxas de natalidade é o crescente poder das mulheres no mercado de trabalho. Mills sugere que fatores como a educação superior das mulheres, a permanência delas no mercado de trabalho e os desafios de conciliar carreira e vida familiar têm contribuído para a queda nas taxas de natalidade.

Além disso, questões como a escassez de moradia acessível, desigualdade de gênero e a incerteza sobre o futuro social e econômico também são barreiras significativas para muitos jovens que consideram ter filhos. Hoje, a idade média para ter o primeiro filho é superior a 30 anos para muitas mulheres, e 32 anos ou mais para os homens, o que também implica limitações biológicas relacionadas à fertilidade.

Filhos e carreira

A possibilidade de equilibrar uma carreira e a maternidade ou paternidade é uma questão complexa. Para muitos casais da geração DINK, a decisão de não ter filhos oferece uma liberdade significativa para se dedicarem completamente às suas carreiras, sem a pressão de sustentar uma família.

Isso permite que eles adotem uma abordagem mais flexível para o crescimento profissional, na qual um parceiro pode se arriscar e buscar novas oportunidades, enquanto o outro permanece com um papel mais estável de apoio. Essa dinâmica é vista como uma forma de maximizar o sucesso individual, sem as limitações que a paternidade frequentemente impõe.

A escolha de ter filhos, ou não, é multifacetada e influência diretamente o futuro econômico e social das sociedades. A queda nas taxas de natalidade, juntamente com o envelhecimento da população, levanta questões sobre como os países irão lidar com as pressões sobre os mercados de trabalho, os sistemas de saúde e as infraestruturas sociais, enquanto buscam equilibrar a qualidade de vida e as necessidades das gerações futuras.

Leia também: Por que a “GenZ” deve ser a mais rica da história?

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade