Os dados econômicos divulgados no calendário desta quarta-feira, 26 de março, indicam uma desaceleração da inflação no Reino Unido, tanto no índice anual quanto no mensal. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 3,0% no acumulado de 12 meses até fevereiro, abaixo das projeções anteriores. Já no comparativo mensal, houve um recuo de 0,1%, reforçando a tendência de desaceleração.

O IPC-núcleo, que exclui itens voláteis como energia e alimentos, apresentou uma alta anual de 3,7%, enquanto no mês teve uma queda de 0,4%. Esses números indicam que, apesar do arrefecimento nos preços, a inflação ainda segue acima da meta de 2% do Banco da Inglaterra (BoE).
A desaceleração da inflação levanta questionamentos sobre os próximos passos do BoE em relação à política monetária. Com os preços mostrando sinais de arrefecimento, cresce a especulação sobre possíveis cortes na taxa de juros ainda este ano.
Calendário divulgará dados do Índice de Preços de Imóveis e a Declaração de Primavera
Outro dado relevante divulgado foi o Índice de Preços de Imóveis no Reino Unido, que subiu 4,6% em fevereiro na comparação anual. Esse crescimento no setor imobiliário contrasta com a desaceleração da inflação, indicando que a demanda por moradia ainda se mantém aquecida, possivelmente impulsionada por taxas de juros que podem começar a cair nos próximos meses.
Além disso, o governo britânico apresentou a chamada Declaração de Primavera, um relatório econômico que pode trazer projeções sobre crescimento, inflação e medidas fiscais. Esse documento costuma ser um termômetro importante para o mercado e para a confiança dos consumidores e investidores.
Confiança do consumidor na França e decisão do BCE
Na França, o índice de confiança do consumidor registrou 93 pontos em março, um número abaixo do esperado e que reflete o impacto das pressões econômicas e políticas no país. Enquanto isso, o Banco Central Europeu (BCE) realizou uma reunião de política não monetária, sem impacto direto nas taxas de juros, mas que pode indicar direções futuras para a economia da zona do euro.
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Dados dos Estados Unidos e impacto global
Nos Estados Unidos, os juros das hipotecas de 30 anos ficaram em 6,72%, e os pedidos de hipotecas caíram 6,2%, sugerindo uma demanda enfraquecida no mercado imobiliário americano. Já os pedidos de bens duráveis cresceram 3,2% em fevereiro, indicando que a indústria segue aquecida.
Outro dado relevante foi o GDPNow do Fed de Atlanta, que projetou uma queda de 1,8% no PIB do primeiro trimestre de 2025. Essa estimativa negativa reforça a preocupação com um possível desaquecimento da economia americana.
Brasil tem déficit nas transações correntes e fluxo cambial negativo
No Brasil, as transações correntes apresentaram um déficit de US$ 8,65 bilhões em fevereiro, enquanto o investimento estrangeiro direto foi de US$ 6,50 bilhões no mesmo período. Já o fluxo cambial estrangeiro registrou uma saída de US$ 2,319 bilhões, indicando menor entrada de capital no país.
A saída de recursos pode pressionar o real frente ao dólar e impactar o mercado financeiro local. No entanto, o volume de investimentos diretos segue elevado, o que pode ajudar a compensar parte do déficit.
China e os lucros industriais
Por fim, na China, os lucros industriais acumulados até fevereiro foram divulgados, mas os impactos desses números ainda serão avaliados pelos investidores. O desempenho da indústria chinesa é um fator importante para a economia global, especialmente para países que exportam commodities, como o Brasil.
A desaceleração da inflação no Reino Unido pode influenciar as decisões do Banco da Inglaterra e até mesmo do Banco Central Europeu, enquanto os Estados Unidos enfrentam desafios no crescimento econômico. No Brasil, a saída de capital e o déficit nas contas externas podem gerar preocupações no mercado financeiro. Com tantas variáveis em jogo, os próximos meses serão decisivos para a economia global.


