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Quais produtos o Brasil mais compra e vende aos EUA?

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Nesta quarta-feira, 2 de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma série de tarifas recíprocas sobre produtos importados, chamando a data de “Dia da Reestruturação Comercial”.

Segundo a Casa Branca, a medida terá aplicação global e efeitos imediatos. E o Brasil está entre os países impactados.

O anúncio ocorreu em um momento de grande volume de trocas comerciais entre os países. As exportações brasileiras para os Estados Unidos alcançaram o recorde de US$ 40,3 bilhões em 2024, conforme dados do governo federal.

Produtos mais exportados e importados entre Brasil e EUA
Descubra os 10 produtos que o Brasil mais exporta e importa dos EUA. Veja quais setores lideram o comércio entre os dois países|Foto: Reprodução/Freepik

As importações brasileiras foram ainda maiores, atingindo US$ 40,6 bilhões. Como resultado, os Estados Unidos obtiveram um superavit comercial de US$ 283 milhões na relação bilateral — valor que corresponde automaticamente ao déficit brasileiro.

O Monitor do Comércio Brasil-EUA, divulgado trimestralmente pela Amcham Brasil, apontou que o volume exportado também foi histórico, atingindo 40,7 milhões de toneladas, um crescimento de 9,9% em relação a 2023.

Principais produtos exportados

Entre os produtos que o Brasil mais exporta para os Estados Unidos, destacam-se óleos brutos de petróleo, ferro e aço em formas semi-acabadas e aeronaves, incluindo suas partes.

Principais produtos exportados:

  • Óleos brutos de petróleo (14% da pauta de exportação)
  • Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço (8,8%)
  • Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes (6,7%)
  • Café não torrado (4,7%)
  • Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas (4,4%)

Nas importações, os Estados Unidos vendem para o Brasil principalmente motores e máquinas não elétricos, óleos combustíveis de petróleo e aeronaves, além de seus componentes.

Principais produtos importados

Descubra os 10 produtos que o Brasil mais exporta e importa dos EUA. Veja quais setores lideram o comércio entre os dois países. O argumento visa minimizar o impacto das possíveis tarifas.

Principais produtos importados:

  • Motores e máquinas não elétricos, e suas partes (exceto motores de pistão e geradores): 15%
  • Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto brutos): 9,7%
  • Aeronaves, incluindo suas partes: 4,9%
  • Demais produtos da indústria de transformação: 4,3%
  • Gás natural, liquefeito ou não: 4,1%

EUA criticam protecionismo brasileiro e listam 8 barreiras comerciais

Os EUA incluíram o Brasil em seu relatório anual sobre barreiras comerciais, criticando políticas protecionistas que dificultam exportações americanas. O relatório do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), que analisa práticas comerciais em 47 países, destaca o Brasil por tarifas elevadas, restrições ao comércio e falta de avanços em acordos bilaterais.

Produtos como etanol, cachaça e eletrônicos foram citados como prejudiciais à competitividade dos EUA. O governo americano avalia aumentar tarifas para enfrentar práticas comerciais consideradas injustas. Segundo Washington, essas barreiras dificultam o acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro, afetando setores estratégicos.

As principais barreiras apontadas incluem:

  1. Acordos comerciais – Falta de avanços no ATEC (Acordo de Cooperação Econômica e Comércio entre os EUA e o Brasil) e no Código Aduaneiro do Mercosul.
  2. Políticas de importação – Altas tarifas e mudanças imprevisíveis, afetando setores como automóveis e eletrônicos. O Brasil adota a TEC (Tarifa Externa Comum) do Mercosul, que pode chegar a 35% para certos produtos.
  3. Barreiras não tarifárias – Restrições à importação de produtos remanufaturados e exigências de licenças.
  4. Barreiras técnicas e sanitárias – Exclusão de produtores estrangeiros no programa de créditos de carbono RenovaBio e restrições à carne suína dos EUA.
  5. Compras governamentais – Preferência a empresas locais e saída do Brasil das negociações do Acordo de Compras Governamentais da OMC (Organização Mundial do Comércio).
  6. Propriedade intelectual – Pirataria, falsificações e demora na concessão de patentes.
  7. Barreiras a serviços – Limites à participação estrangeira na mídia e impostos sobre entregas expressas.
  8. Comércio digital – Proposta de taxação de plataformas e restrições impostas pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) à transferência internacional de informações.

O relatório ressalta que essas barreiras dificultam o comércio bilateral e impactam empresas americanas. O embaixador dos EUA, Jamieson Greer, reforçou o compromisso do governo americano em combater essas práticas para garantir um comércio mais justo e equilibrado.

Leia também: Preço dos alimentos sobe e preocupa 88% dos brasileiros

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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