A elevação da tarifa para 10% sobre produtos brasileiros, anunciada na semana passada pelo governo dos Estados Unidos, praticamente encerra as chances de exportação de etanol brasileiro para o país, segundo análise da consultoria Datagro divulgada nesta segunda-feira, 7 de abril.
Antes da medida, os EUA cobravam uma tarifa de 2,5% sobre o etanol do Brasil, percentual que agora pode subir para 10% ou até alcançar 12,5%, conforme apontou o relatório da consultoria. “Independentemente do cenário, os EUA fecharam definitivamente a janela de importação”, afirmou a Datagro.

As exportações de etanol para o mercado norte-americano já vinham em queda. Em 2024, o Brasil enviou 330 milhões de litros para os Estados Unidos, o que representou 16,4% do total exportado para todos os destinos. No entanto, esse volume foi inferior a 1% da produção total brasileira da safra 2024/25, conforme lembrou a consultoria.
Embora as novas tarifas tornem inviável o envio do etanol brasileiro para os EUA, há uma possibilidade de abertura em outros mercados, especialmente se países impactados pelas medidas resolverem retaliar e impor restrições ao produto americano.
Segundo a Datagro, o etanol brasileiro pode ganhar espaço no mercado internacional. Em 2024, os Estados Unidos exportaram um volume recorde de 7,4 bilhões de litros, tendo como principais destinos Canadá, Reino Unido, Índia, Colômbia, Coreia do Sul e União Europeia. “Se esses países optarem por retaliar os EUA no mercado de etanol, abre-se uma oportunidade importante para o combustível brasileiro”, concluiu a consultoria.
Além do etanol a produção de laranja também é afetada
As novas tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçam os lucros do setor brasileiro de suco de laranja. Segundo a CitrusBR, a mudança pode causar prejuízo de até US$ 100 milhões por ano — cerca de R$ 591 milhões.
Esse impacto vale para as vendas aos EUA, um dos principais compradores do suco brasileiro. Para a safra 2024/2025, a expectativa era exportar 235,5 mil toneladas de suco concentrado e congelado (FCOJ).
Na safra passada, o Brasil vendeu US$ 880 milhões (R$ 5,2 bilhões) em suco para os EUA, mostrando a dependência do setor. Atualmente, os americanos já cobram US$ 415 por tonelada (cerca de R$ 2.453,65). Com a nova tarifa, será adicionado um imposto extra de 10%, elevando os custos para os exportadores.
A CitrusBR calcula que, somando os impostos, o setor poderá pagar até US$ 200 milhões anuais — cerca de R$ 1,1 bilhão. Em 2024, a tarifa antiga já havia custado US$ 85,9 milhões (R$ 507,9 milhões).
Os EUA são o maior comprador do suco brasileiro, com 37% das exportações, segundo a Secex e a CitrusBR. De julho de 2024 a fevereiro de 2025, o Brasil enviou 207,2 mil toneladas de suco, movimentando quase US$ 880 milhões.
Até o ano passado, o Brasil exportava 1 bilhão de litros de suco para os EUA. Com a nova tarifa, a previsão caiu para 261 milhões de litros — uma queda de 743 milhões, afetando produtores e exportadores.
Em nota, a CitrusBR manifestou preocupação e destacou o compromisso com a qualidade e a parceria com os americanos. Mesmo assim, criticou o aumento das tarifas, que desconsidera a relação comercial entre Brasil e Flórida — estado que não supre toda a demanda.
A CNA já havia alertado para os riscos, lembrando que o Brasil fornece cerca de 90% do suco resfriado e 51% do congelado consumido nos EUA.
Apesar de a tarifa brasileira ser menor que a cobrada de países da Ásia e Europa, ela favorece os produtores americanos ao encarecer o suco brasileiro. O Brasil praticamente domina o mercado dos EUA, já que a concorrência é pequena. Por isso, o setor fica ainda mais vulnerável às mudanças políticas.
Além das tarifas, o setor sofre com a queda dos preços internacionais. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros caíram mais de 50% desde o pico de setembro de 2024, pressionando ainda mais os exportadores.
A combinação de tarifas altas e preços em queda cria um cenário difícil, ameaçando as exportações brasileiras de suco para os EUA e o espaço no maior mercado consumidor do mundo.
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