IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Google e Apple podem chegar a um acordo sobre Gemini este ano

Por

·

O Google está em negociações com a Apple para incluir sua tecnologia de inteligência artificial (IA), chamada Gemini, nos novos iPhones ainda este ano. A revelação foi feita por Sundar Pichai, CEO da empresa, durante depoimento prestado nesta quarta-feira, 30 de abril, no julgamento antitruste que ocorre em Washington.

Segundo Pichai, embora ainda não haja um contrato formalizado, ele já discutiu pessoalmente a parceria com o CEO da Apple, Tim Cook, no ano passado. A ideia é integrar o Gemini ao Apple Intelligence, a plataforma de recursos de IA própria da Apple, potencializando as funcionalidades dos dispositivos da marca.

google negocia integração do gemini com a apple
O CEO também adiantou que o Google pretende incluir anúncios no aplicativo Gemini, sinalizando mais uma frente de monetização da tecnologia de inteligência artificial  |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A declaração foi feita em um contexto delicado para o Google, que tenta se defender das acusações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ). A principal crítica da ação judicial é que o Google mantém um monopólio na área de buscas online ao pagar bilhões de dólares para se manter como motor de busca padrão em aparelhos de empresas como Apple, Samsung, AT&T e Verizon. Esses acordos são considerados, pelo governo norte-americano e por procuradores de diversos estados, como práticas que limitam a concorrência e prejudicam a inovação.

Acusações de monopólio e futuro da internet em jogo

O julgamento é resultado de anos de investigação e coloca em xeque o modelo de negócios do Google. No ano passado, o juiz distrital Amit Mehta determinou que os acordos do Google contribuíram diretamente para a manutenção de seu domínio no mercado de buscas. Agora, o magistrado está avaliando quais medidas devem ser adotadas para restaurar a competição no setor.

Entre as propostas apresentadas pelo Departamento de Justiça estão a proibição de que o Google pague para ser o buscador padrão, a exigência de venda do navegador Chrome e a obrigação de compartilhar dados de pesquisa com concorrentes. Essa última sugestão gerou forte reação de Pichai durante o depoimento.

O executivo classificou a medida como “extraordinária” e afirmou que ela representaria uma “alienação de facto” da propriedade intelectual da empresa. Para ele, forçar o compartilhamento do índice de busca do Google e de dados de consulta equivaleria a tornar trivial a engenharia reversa de seus algoritmos, prejudicando diretamente os investimentos em pesquisa e desenvolvimento realizados ao longo de duas décadas.

IA como trunfo estratégico em meio à crise judicial

O CEO também adiantou que o Google pretende incluir anúncios no aplicativo Gemini, sinalizando mais uma frente de monetização da tecnologia de inteligência artificial. A movimentação mostra que, além de consolidar seu domínio nas buscas, a empresa deseja expandir sua presença no mercado de IA, que cresce de forma acelerada e se torna cada vez mais estratégico.

Apesar da ofensiva legal do governo americano, o Google demonstra que está se preparando para um cenário de adaptação. Ao buscar integrar o Gemini ao ecossistema da Apple, a gigante da tecnologia parece apostar em colaborações que possam preservar sua influência, mesmo diante de um possível redesenho das regras do mercado.

A decisão do juiz Amit Mehta será crucial para o futuro da empresa — e da própria internet. Caso o tribunal decida por ações mais duras, como as defendidas pelo DoJ, o Google poderá ser forçado a rever completamente seu modelo de negócios. A companhia, por sua vez, já sinalizou que pretende recorrer assim que houver um veredito final.

Enquanto isso, o cenário aponta para uma disputa entre gigantes: de um lado, o governo norte-americano tentando impor limites ao poder acumulado pelo Google; de outro, a própria empresa tentando manter sua posição de liderança global, agora também no campo da inteligência artificial. O desfecho desse embate pode redefinir não só o futuro da busca na internet, mas também o papel da IA no cotidiano digital.

Leia também: Uber vai lançar robotáxis com a Volkswagen a partir de 2026

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade