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EUA e China reduzem tarifas por 90 dias em trégua comercial

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Estados Unidos e China divulgaram nesta segunda-feira, 12 de maio, um comunicado conjunto no qual confirmam um acordo para reduzir significativamente as tarifas aplicadas sobre produtos importados de ambos os países.

A medida, válida por um período inicial de 90 dias, representa um passo para aliviar as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, após anos de disputas tarifárias que afetaram cadeias globais de produção e geraram instabilidade nos mercados financeiros.

Redução temporária de tarifas entre EUA e China anunciada em maio
Os Estados Unidos também prometeram revisar ou revogar três decretos que, juntos, estabeleceram tarifas de 115% sobre produtos importados da China |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O anúncio ocorreu após intensas negociações realizadas durante o fim de semana em Genebra, na Suíça. Autoridades dos dois países destacaram o “progresso substancial” obtido nos encontros, que resultaram no compromisso mútuo de reduzir tarifas e retomar o diálogo econômico ao nível institucional.

Segundo o comunicado, os Estados Unidos se comprometeram a diminuir suas tarifas sobre produtos chineses de 145% para 30% até 14 de maio. Em contrapartida, a China reduzirá suas tarifas sobre importações americanas de 125% para 10%. Ambas as nações destacaram o objetivo de construir uma relação comercial “sustentável, de longo prazo e mutuamente benéfica”.

Entendimento temporário, mas com impacto nos mercados

O acordo ainda prevê a criação de um mecanismo permanente de diálogo sobre temas econômicos e comerciais. As conversas serão lideradas pelo vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo representante comercial norte-americano, Jamieson Greer. Os encontros poderão ocorrer alternadamente nos dois países ou em territórios neutros, conforme consenso entre as partes.

A trégua foi bem recebida por investidores globais. Os mercados reagiram positivamente ao anúncio, com os índices futuros de ações dos EUA registrando altas significativas. O Dow Jones, que é um índice da Bolsa de Valores de Nova York composto por 30 grandes empresas dos EUA, subiu mais de 2%. O S&P 500, outro índice importante que abrange 500 das maiores empresas americanas, avançou quase 3%.

Já o Nasdaq, que tem grande peso de empresas de tecnologia, teve alta superior a 3,5%. Na Ásia, o índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, cresceu mais de 3%. Esses índices refletem o desempenho geral das ações das empresas que os compõem, e suas altas indicam que, de maneira geral, os investidores estão otimistas com o mercado.

Ainda assim, o alívio nas tarifas será parcial. As tarifas aplicadas antes de 2 de abril, muitas das quais datam do primeiro mandato do presidente norte-americano Donald Trump, permanecerão em vigor. Isso inclui taxas específicas sobre produtos como veículos elétricos, aço e alumínio. Além disso, a China continuará enfrentando uma tarifa de 30%, se consideradas todas as medidas anteriores à trégua.

Os Estados Unidos também se comprometeram a ajustar ou remover três decretos que, somados, impuseram tarifas de 115% às importações chinesas. As tarifas do chamado “Dia da Libertação” foram reduzidas de 34% para 10% temporariamente, e outras taxas impostas durante a escalada da guerra comercial serão suspensas.

Por sua vez, a China eliminou todas as tarifas implementadas desde 2 de abril, exceto um percentual de 10%, o que reduz consideravelmente o impacto das medidas retaliatórias anteriores. No entanto, os produtos chineses continuarão sujeitos a algumas restrições tarifárias e não tarifárias aplicadas em anos anteriores.

Contramedidas e temas ainda indefinidos

Como parte do acordo, a China se comprometeu a retirar contramedidas não tarifárias adotadas contra os EUA a partir de abril. Essas medidas incluíam a inclusão de terras raras na lista de exportações controladas, uma investigação antidumping, que é um processo para verificar se a empresa química norte-americana DuPont estaria vendendo seus produtos a preços abaixo do mercado, prejudicando a indústria local, e sanções a empresas de defesa e tecnologia dos EUA.

Apesar do compromisso chinês, ainda não está claro como essas ações serão revertidas. A decisão de restringir exportações de terras raras, por exemplo, se aplica globalmente, e não há menção direta aos Estados Unidos no anúncio oficial do Ministério do Comércio chinês. A Reuters destacou que empresas americanas podem enfrentar longos períodos de espera para obtenção de licenças, mesmo após a trégua.

Outro ponto em aberto diz respeito às encomendas de comércio eletrônico de baixo valor. Desde 2 de maio, os EUA suspenderam a política de isenção fiscal para pacotes de até US$ 800 (R$ 4.544,00) vindos da China e de Hong Kong, aplicando tarifas de até 120%. O novo acordo não abordou essa questão, deixando em aberto o futuro das transações digitais, que representam parte significativa das importações chinesas.

Especialistas observam que, embora o acordo represente um avanço no diálogo entre as duas potências, ele ainda está longe de resolver todas as divergências comerciais. As próximas rodadas de negociações serão fundamentais para determinar se a trégua pode evoluir para um acordo mais abrangente e permanente.

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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