O presidente da Fifa, Gianni Infantino anunciou que a entidade espera arrecadar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,64 bilhões) com a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. A declaração foi feita na terça-feira, 13 de maio, durante o Fórum de Investimentos Arábia Saudita-EUA 2025, em Riade. Segundo ele, todo o valor será usado para apoiar o crescimento do futebol feminino em diferentes partes do mundo.

Essa estimativa representa um aumento importante em comparação com a edição de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelândia, que gerou US$ 570 milhões (R$ 3,214 bilhões) em receitas. Embora ainda fique abaixo do valor arrecadado pela Copa do Mundo masculina de 2022 no Catar — que foi de US$ 6,9 bilhões (R$ 38,916 bilhões) —, o crescimento mostra o avanço do futebol feminino. Na Copa de 2023, vencida pela Espanha, o número de seleções subiu de 24 para 32.
A edição de 2027 será a primeira vez que a América do Sul vai sediar o torneio. O Brasil foi escolhido como país-sede e vai receber partidas em oito cidades: Belo Horizonte (Mineirão), Brasília (Mané Garrincha), Fortaleza (Arena Castelão), Porto Alegre (Beira-Rio), Recife (Arena de Pernambuco), Rio de Janeiro (Maracanã), Salvador (Arena Fonte Nova) e São Paulo (Neo Química Arena).
Crescimento mundial e novos planos
Durante o fórum, Infantino falou sobre o potencial de crescimento do futebol fora da Europa. Ele afirmou que, se outras regiões, como a Arábia Saudita e os Estados Unidos, alcançarem 20% do desempenho econômico da Europa no futebol, o impacto no Produto Interno Bruto (PIB) global pode passar de meio trilhão de dólares (R$ 2,82 trilhões).
Ele também elogiou o trabalho da Arábia Saudita na criação de uma liga e de uma seleção feminina. Segundo Infantino, o futebol feminino é talvez o único esporte coletivo praticado por mulheres com um público tão grande e com tanto impacto.
Infantino confirmou ainda que os Estados Unidos vão sediar a Copa do Mundo Feminina de 2031. O torneio será ampliado novamente, passando de 32 para 48 seleções, assim como acontecerá na Copa masculina de 2026. A Fifa acredita que esse aumento vai tornar o evento mais valioso comercialmente e atrair mais público ao redor do mundo.
A longo prazo, o Reino Unido é um dos favoritos para sediar a edição de 2035, mas ainda falta uma decisão oficial por parte do Congresso anual da Fifa. Com a definição antecipada das próximas sedes, a Fifa quer criar um calendário mais estável e bem planejado para ajudar no crescimento da modalidade.
Reinvestimento e busca por igualdade
Investir em estrutura e visibilidade é uma das prioridades da Fifa para garantir o desenvolvimento do futebol feminino. Infantino reforçou que os lucros obtidos com o torneio serão usados para fortalecer a base do esporte em países onde ele ainda é pouco praticado, promovendo mais equilíbrio nas competições e ampliando a participação de novas seleções.
Mesmo com o aumento nas receitas, o futebol feminino ainda enfrenta grandes diferenças em relação ao masculino, principalmente quando se trata de direitos de transmissão, patrocínios e premiações. Para tentar reduzir essas desigualdades, a Fifa tem adotado algumas medidas, como a criação de pacotes comerciais próprios para os torneios femininos e o estímulo à criação de ligas nacionais.
Ao estabelecer a meta de arrecadar US$ 1 bilhão (R$ 5,64 bilhões) em 2027, a Fifa mostra que enxerga o futebol feminino como uma parte importante do futuro do esporte. A realização da Copa no Brasil deve servir como uma vitrine para engajar mais o público sul-americano e atrair novos patrocinadores.
Nos últimos dez anos, o futebol feminino tem crescido rapidamente e, cada vez mais, ganha espaço na agenda da Fifa, que aposta no potencial da modalidade para aumentar receitas e promover mais inclusão no esporte mundial.
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