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Como será “Domo de Ouro” de 1 trilhão de dólares dos Estados Unidos?

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira, 20 de maio, o lançamento do “Golden Dome” — ou “Domo de Ouro”, em tradução literal. O projeto é uma iniciativa ambiciosa que pretende criar um sistema de defesa antimísseis para proteger o território norte-americano de possíveis ataques. Inspirado no “Domo de Ferro”, sistema de defesa utilizado por Israel, o “Domo de Ouro” busca interceptar mísseis antes que atinjam alvos nos Estados Unidos.

Domo de Ouro dos EUA será sistema antimíssil de R$1 trilhão
Sistema de defesa Domo de Ferro de Israel interceptou 50 foguetes lançados pelo Hezbollah em 2024 |Foto: Reprodução/Jalaa Marey/Flickr

Segundo o presidente, o sistema será desenvolvido até o final de seu mandato, em 2029, e contará com um orçamento inicial estimado em US$ 175 bilhões, o equivalente à cerca de R$ 1 trilhão. O Pentágono já está liderando os estudos técnicos para a implantação do projeto, que prevê o uso de centenas de satélites capazes de detectar, rastrear e neutralizar mísseis em todas as etapas de um ataque.

Especialistas, no entanto, demonstram cautela em relação à viabilidade do cronograma e ao custo total da iniciativa, que pode superar os valores inicialmente apresentados. A proposta também depende de negociações políticas para assegurar o financiamento completo.

Como vai funcionar o sistema antimíssil dos EUA?

O “Domo de Ouro” foi concebido para atuar em quatro estágios principais de defesa. A ideia é que o sistema detecte mísseis inimigos ainda antes do lançamento, acompanhe e, se necessário, os destrua em três fases subsequentes: logo após o disparo, durante o percurso pelo espaço aéreo e, por fim, pouco antes de atingir o alvo.

Para isso, o projeto prevê o uso de satélites e sensores avançados, além de interceptores espaciais — um recurso inédito até então na defesa dos Estados Unidos. De acordo com fontes citadas pela Associated Press, o Pentágono vem desenvolvendo três possíveis versões para o sistema: uma de custo médio, outra mais cara e uma ainda mais sofisticada, com ampliação na quantidade de satélites e sensores.

Um dos desafios será adaptar essa tecnologia para proteger todo o território americano, um espaço significativamente maior do que o defendido por sistemas similares, como o israelense. Além disso, especialistas apontam possíveis dificuldades no financiamento. O Escritório de Orçamento do Congresso estimou que os componentes espaciais do sistema podem custar até US$ 542 bilhões ao longo de 20 anos.

Atualmente, parlamentares republicanos defendem um investimento inicial de US$ 25 bilhões, incluído em um pacote de defesa de US$ 150 bilhões. Contudo, essa proposta enfrenta resistência no Congresso e pode comprometer o andamento do projeto.

A inspiração: o Domo de Ferro de Israel

O “Domo de Ouro” norte-americano é diretamente inspirado no sistema de defesa israelense “Domo de Ferro”, criado em parceria com os Estados Unidos e operacional desde 2011. Desenvolvido após a guerra entre Israel e o grupo Hezbollah, em 2006, o sistema se mostrou extremamente eficaz ao interceptar milhares de foguetes disparados contra o território israelense.

De acordo com o Ministério da Defesa de Israel, o “Domo de Ferro” possui uma taxa de interceptação próxima de 90%. Quando um foguete inimigo é detectado, o sistema calcula sua trajetória para determinar se atingirá áreas civis. Caso confirmado, dispara um míssil interceptor que destrói a ameaça ainda no ar, evitando danos e vítimas.

Além de ser altamente eficiente, o “Domo de Ferro” é móvel, podendo ser transportado e instalado em diferentes locais conforme a necessidade. Durante conflitos recentes, como as ofensivas militares na Faixa de Gaza e no Líbano, a eficácia do sistema foi amplamente demonstrada. Em outubro do ano passado, por exemplo, mais de 180 foguetes lançados a partir do Irã foram interceptados, evitando destruição significativa.

Israel ainda mantém outros sistemas complementares de defesa, como a Seta, o Estilingue de David, o Viga de Ferro e o Patriota, formando uma complexa rede protetiva contra ameaças externas.

O futuro do “Domo de Ouro” e os desafios pela frente

Embora o presidente Trump se mostre confiante na conclusão do “Domo de Ouro” até 2029, analistas do setor indicam que obstáculos políticos, tecnológicos e financeiros podem atrasar o cronograma. Tom Karako, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), afirmou em entrevista à Reuters, que o prazo mais realista seria de 10 anos, destacando que a expertise em software e tecnologia dos Estados Unidos, especialmente do Vale do Silício, pode ser um trunfo para acelerar o desenvolvimento.

A motivação para o projeto também está relacionada ao avanço das ameaças internacionais. Segundo um relatório da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, países como China e Rússia estão modernizando seus arsenais de mísseis, buscando explorar vulnerabilidades dos sistemas americanos. Além disso, a Coreia do Norte já possui mísseis balísticos capazes de alcançar os Estados Unidos, e o Irã pode desenvolver um míssil intercontinental até 2035.

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Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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