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Cresce o endividamento das famílias brasileiras em 2025, aponta pesquisa

O número de famílias brasileiras com dívidas aumentou em maio de 2025, atingindo 78,2%, segundo dados divulgados pela Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Esse é o maior nível registrado desde julho de 2024. A pesquisa ouviu consumidores em todas as capitais do país e mostra que a situação financeira das famílias continua delicada.

Quando se fala em endividamento, estamos falando de pessoas que têm dívidas a vencer, como parcelas de cartão de crédito, empréstimos, carnês de loja, financiamento de carro ou casa, entre outros. Isso não significa, necessariamente, que essas dívidas estão atrasadas — apenas que a pessoa está comprometida com pagamentos futuros.

Indicadores do endividamento das famílias brasileiras
19,7% das famílias comprometem mais da metade da renda com dívidas | Foto: Reprodução / Canva

Porém, o que mais preocupa é o aumento da inadimplência, que acontece quando a pessoa não consegue pagar suas dívidas no prazo. Em maio, 29,5% das famílias disseram estar com contas em atraso — o maior índice desde outubro do ano passado. Além disso, 12,5% das famílias disseram que não têm condições de pagar o que devem, ou seja, vão continuar inadimplentes por mais tempo.

Outro dado importante é que o tempo de atraso nas dívidas diminuiu. Agora, mais famílias estão com contas atrasadas por até 30 dias, o que pode indicar uma tentativa de colocar as contas em dia mais rápido. Já os atrasos mais longos, acima de 90 dias, caíram para 47,4%. Apesar disso, ainda é um número alto.

Endividamento aumenta entre renda média e homens

A pesquisa mostra que o aumento do endividamento aconteceu principalmente entre as famílias com renda entre 5 e 10 salários mínimos, consideradas de renda média. Esse grupo também foi o que mais cresceu no número de pessoas que não conseguem pagar dívidas vencidas.

Já entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, o endividamento caiu em comparação com o ano passado. No entanto, esse grupo ainda representa uma minoria da população. As famílias com renda mais baixa (até 3 salários mínimos) continuam sendo as mais endividadas, mas mostraram uma pequena melhora em maio.

Outro dado que chama atenção é a diferença entre homens e mulheres. O número de homens endividados aumentou mais do que o de mulheres, subindo 1 ponto percentual no mês. A inadimplência entre os homens também cresceu, enquanto entre as mulheres caiu. Isso indica que os homens podem estar enfrentando mais dificuldades para organizar as finanças neste momento.

O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida, usado por 83,6% dos endividados. Mas os carnês de loja, como os de compras parceladas em grandes redes de varejo, também ganharam espaço e ficaram em segundo lugar. O uso do crédito pessoal também aumentou, possivelmente devido à preocupação com os juros altos que podem crescer ainda mais até o final do ano.

Quando falamos em comprometimento da renda, a pesquisa revela que 56% das famílias têm entre 11% e 50% da renda presa a dívidas. Já as que comprometem mais da metade da renda ficaram em 19,7%, menor valor desde julho de 2023.

Apesar do aumento nas dívidas, o percentual médio da renda comprometida com pagamentos caiu para 29,8%, e menos famílias estão usando mais da metade do que ganham para pagar dívidas. Isso é um sinal positivo e mostra que as pessoas estão tentando manter os gastos sob controle.

Segundo a CNC, a tendência é que o endividamento continue crescendo ao longo do ano, mas a inadimplência também deve aumentar. Programas do governo que facilitam o acesso ao crédito podem ajudar algumas famílias, mas também podem causar mais dívidas se não forem usados com cuidado.

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