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Alexandre Pato se oferece para pagar traslado de brasileira; entenda

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O jogador Alexandre Pato se ofereceu para pagar o transporte do corpo da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que morreu após uma queda durante uma trilha no vulcão Rinjani, na Indonésia. A jovem fazia turismo no país asiático quando sofreu o acidente.

A iniciativa do atleta comoveu as redes sociais e foi divulgada após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) confirmar que o governo brasileiro não pode usar dinheiro público para arcar com esse tipo de despesa. A decisão segue o que determina a lei brasileira.

Alexandre Pato se oferece para pagar traslado de brasileira. Procedimento legal para traslado de corpo do exterior
Decreto proíbe governo de usar dinheiro público para traslado de brasileiros falecidos no exterior | Foto: Reprodução / Canva

Segundo o Itamaraty, o transporte do corpo de brasileiros que morrem no exterior é responsabilidade da família, não do Estado. Isso está previsto no Decreto nº 9.199/2017, que regulamenta a atuação dos consulados e embaixadas brasileiras fora do país.

Por que o governo não paga?

É comum que em momentos de dor e urgência, as pessoas esperem ajuda direta do governo, mas nesse tipo de situação há uma limitação legal. O Itamaraty pode ajudar com documentos e orientações, mas não pode pagar pelo traslado ou enterro.

A lei deixa claro que a assistência consular – ajuda prestada por embaixadas e consulados – não inclui custos com hospital, funeral, cremação ou transporte do corpo para o Brasil. O artigo 257 do decreto citado afirma que essas despesas são particulares e devem ser custeadas pela família.

Por isso, quando não há condições financeiras por parte dos parentes, infelizmente o traslado não pode ser feito com verba pública. Ainda assim, o governo fornece gratuitamente o atestado de óbito consular e ajuda com os trâmites junto às autoridades locais.

Como funciona quando um brasileiro morre fora do país?

Se um cidadão brasileiro morre no exterior, a família deve seguir alguns passos para legalizar a situação e, se desejar, trazer o corpo de volta. Veja abaixo o que é necessário:

Avisar o consulado da região onde aconteceu o falecimento

A primeira ação é entrar em contato com o Consulado Brasileiro responsável pela área. Esse contato pode ser feito a qualquer hora, pois há plantão 24 horas. Os números estão disponíveis no site do Itamaraty. Se não for possível falar com o consulado local, o plantão em Brasília também pode ser acionado, pelo número +55 (61) 98197-2284.

Fazer o registro de óbito no consulado
Um parente (ou, na falta dele, um cidadão estrangeiro) precisa declarar a morte no consulado. Para isso, será necessário apresentar documentos como:

  • Passaporte ou outro documento com foto do falecido;
  • Certidão de óbito emitida pelas autoridades locais;
  • Laudo médico com a causa da morte (se não estiver na certidão);
  • Documentos da família (casamento, nascimento dos filhos, etc.);
  • Número de CPF ou outro documento oficial, se possível.

O embalsamamento é especialmente necessário quando a causa da morte envolve doenças contagiosas ou quando o corpo será transportado por longas distâncias.

Organizar o traslado do corpo (caso a família queira)
Esse processo precisa ser feito por meio de uma funerária especializada em transporte internacional. Essa empresa cuida de tudo: embalsamamento (procedimento para conservar o corpo), documentos, liberação com as autoridades e autorização do aeroporto.

No Brasil, outra funerária será responsável por receber o corpo e cuidar do enterro. Entre os documentos obrigatórios para o transporte estão:

  • Atestado de óbito;
  • Laudo médico de embalsamamento;
  • Autorização policial local (caso seja exigida no país de origem).

E se a família não tiver condições de pagar?

Quando os familiares não têm recursos, há algumas alternativas:

  • O sepultamento pode ser feito no país onde a pessoa faleceu, conforme as leis locais;
  • Outra opção é a cremação no exterior, com envio das cinzas ao Brasil — que é um processo mais simples, rápido e barato, já que não exige controle sanitário nos aeroportos.

Mesmo nesses casos, os consulados continuam dando apoio com documentos e orientações. O registro de óbito consular, por exemplo, é gratuito.

Gesto de Alexandre Pato gera reflexões

A situação de Juliana é triste e levanta dúvidas importantes. O gesto de solidariedade de Alexandre Pato mostra como ações individuais podem ajudar em momentos delicados, especialmente quando há limitações legais que impedem o uso de recursos públicos. Mesmo sem poder pagar o traslado, o governo presta apoio técnico e consular, garantindo que a família receba orientações e suporte onde for necessário.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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