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Finanças nas redes crescem e apostas geram mais engajamento

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O número de influenciadores que falam sobre finanças e investimentos nas redes sociais nunca foi tão alto no Brasil. Segundo uma pesquisa divulgada na última semana pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad ), o total de perfis ativos desses criadores de conteúdo chegou a 741 no segundo semestre de 2024.

Esse número representa um crescimento de 30% em relação ao semestre anterior. Em comparação com 2021, quando o estudo foi feito pela primeira vez e identificou 266 perfis, o aumento é de quase 180%. A pesquisa se chama “Finfluencers — Quem fala de investimentos nas redes sociais” e está em sua oitava edição.

Crescimento dos influenciadores financeiros
Numero de influenciadores de finanças e apostas em bets crescem, mas brasileiros continuam endividados | Foto: Reprodução/ Canva

O público também cresceu. Juntos, esses perfis somaram 263,5 milhões de seguidores no primeiro semestre de 2024. Isso é 256% mais do que em 2021, quando os influenciadores tinham, ao todo, 74 milhões de seguidores.

Mas os pesquisadores explicam que esse número não representa pessoas diferentes, já que um mesmo usuário pode seguir o mesmo influenciador em várias redes ao mesmo tempo. As plataformas analisadas foram Facebook, Instagram, X (antigo Twitter) e YouTube.

Influência financeira cresce com cenário econômico

A pesquisa mostra que o aumento no número de influenciadores e seguidores tem ligação com o momento econômico do país. Desde setembro de 2023, a taxa básica de juros subiu, e a população passou a buscar mais informações sobre como proteger ou fazer render seu dinheiro. Além disso, a instabilidade nos mercados e a insegurança sobre decisões do governo ajudaram a impulsionar o interesse em conteúdo financeiro.

Os influenciadores de finanças, chamados de finfluencers, têm aproveitado esse movimento. Dos 741 perfis ativos no segundo semestre de 2024, 718 falaram sobre produtos financeiros, como ações, fundos e renda fixa. Esse número representa quase 97% dos perfis. O volume de publicações com esses temas cresceu 13,6% em relação ao semestre anterior, e o número de interações, como curtidas e comentários, aumentou 30%.

Entre os temas mais citados, o mercado de ações ficou em primeiro lugar, com 78,8 mil menções. Em seguida vieram as criptomoedas, com 59 mil menções, o mercado de câmbio (34,5 mil), os Fundos de Investimento Imobiliário (16,8 mil), os produtos de renda fixa (9,2 mil) e as commodities (7,8 mil).

Apostas chamam mais atenção que ações

Apesar do maior número de publicações sobre ações, o tema que mais gerou engajamento nas redes sociais foi outro: as apostas esportivas online, conhecidas como bets.

Segundo a pesquisa, mesmo com apenas 489 menções, as bets tiveram mais curtidas, comentários e compartilhamentos do que os temas tradicionais de investimentos.

Os influenciadores financeiros não tratam as apostas como uma forma de investimento. Entre as publicações sobre o assunto, 164 explicavam as regras do setor, 62 faziam alertas sobre os riscos envolvidos, e 137 traziam críticas, especialmente sobre a regulamentação, a cobrança de impostos e o risco de perda de dinheiro.

De acordo com Amanda Brum, diretora de marketing da Anbima, os finfluencers tratam o assunto de forma neutra ou crítica. “Eles deixam claro que aposta não é investimento. Quando fazem isso, ajudam na educação financeira”, afirmou.

Ela também destacou que o engajamento alto nesse tipo de conteúdo acontece porque as redes sociais valorizam temas polêmicos. Apesar da popularidade do tema, não é comum que influenciadores de finanças tenham parcerias com casas de apostas.

Segundo a Anbima, essas empresas preferem trabalhar com influenciadores de entretenimento, esportes ou celebridades.

Regras mais rígidas para influenciadores

A atuação dos influenciadores digitais, principalmente os que falam sobre dinheiro, está sendo cada vez mais fiscalizada. Em 2023, a própria Anbima passou a observar com mais atenção as empresas do setor financeiro que contratam influenciadores.

O objetivo é garantir que as informações passadas ao público sigam regras claras, sem promessas enganosas de lucros fáceis. Além disso, o Projeto de Lei 2.985/2023, aprovado no Senado em maio de 2025, quer proibir que artistas, atletas e influenciadores façam propaganda de plataformas de apostas. O texto ainda está em análise na Câmara dos Deputados.

A Anbima também informou que está criando um relatório à parte para acompanhar os influenciadores que não seguem as regras. Esses perfis não são incluídos no ranking dos mais influentes, e o monitoramento faz parte de um esforço para garantir mais responsabilidade nas informações sobre finanças nas redes sociais.

O estudo mostra que o conteúdo sobre dinheiro segue ganhando espaço online, e que o público tem buscado mais orientação em tempos de incerteza econômica. O desafio, segundo os especialistas, é garantir que essas informações sejam confiáveis, seguras e úteis para quem as consome.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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