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Mercado de luxo no Brasil cresce mais do que no restante do mundo, aponta pesquisa

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O luxo prosperou no Brasil. É o que revela a segunda edição do estudo “A nova era de crescimento do mercado de luxo”, realizado pela Bain & Company a pedido do Valor Econômico e da revista Vogue. Segundo o levantamento, as vendas de itens de luxo no Brasil cresceram 26% entre 2022 e 2024, representando um incremento médio de 12% ao ano no setor.

Trata-se de um resultado muito diferente dos números globais, que indicam uma taxa de crescimento de apenas 3% ao ano no mesmo período, influenciada principalmente pela retração do mercado asiático e pela expressiva diminuição do ritmo na China nesse intervalo de tempo.

Crescimento do mercado de luxo no Brasil
Ao todo, foram movimentados aproximadamente R$ 98 bilhões nos nove segmentos analisados pela pesquisa | Foto: Reprodução / Canva

Moda e itens pessoais, imóveis e automóveis dividiram a liderança, com vendas estimadas em R$ 21 bilhões cada. Em seguida, o setor de saúde registrou gastos de R$ 17,3 bilhões; a aviação movimentou cerca de R$ 6,5 bilhões; arte e móveis somaram R$ 4,2 bilhões; hotéis e experiências chegaram a R$ 3,8 bilhões; iates alcançaram R$ 2,1 bilhões; e bebidas finas somaram R$ 1 bilhão. Este último segmento, inclusive, foi o único a apresentar retração nas vendas no país, destoando dos demais setores que mantiveram crescimento.

Para efeito de comparação, o consumo de luxo no Japão registrou uma taxa de expansão bastante próxima à brasileira, mas os japoneses gastaram cerca de 13% a mais do que os consumidores nacionais no mesmo período, evidenciando que, embora o Brasil esteja em ritmo acelerado, ainda existe espaço para expansão.

Entre os segmentos que mais cresceram em termos percentuais, destacam-se os automóveis (18%), a hospitalidade (16%), a saúde (15%) e os imóveis (13%). À primeira vista, esses números podem parecer elevados, mas o cenário se torna mais compreensível quando se observa o aumento do número de brasileiros adquirindo carros de alto padrão, investindo em imóveis de grande porte ou buscando procedimentos estéticos cada vez mais sofisticados.

Basta uma rápida navegação pelas redes sociais para encontrar inúmeros influenciadores divulgando justamente esse tipo de conteúdo, o que acaba contribuindo para normalizar e expandir esse consumo.

A pesquisa também aponta que, em 2030, os brasileiros deverão gastar entre R$ 135 bilhões e R$ 150 bilhões no mercado de luxo, reforçando a expectativa de continuidade do crescimento do setor no país.

Perfil do consumidor do mercado de luxo no Brasil

O levantamento não se limitou apenas a números de vendas. Ele procurou entender também as razões que motivam os consumidores a comprar produtos e serviços de luxo no Brasil. Foram definidas cinco principais motivações, que explicam a diversidade de perfis dentro desse mercado.

Dúvida sobre o valor (ceticismo): trata-se de consumidores que compram itens de luxo, mas avaliam cuidadosamente a aquisição. Eles questionam se o valor pago realmente corresponde ao que recebem, se compensa em termos pessoais, sociais e até no mercado.

Lembranças boas (memória afetiva): aqui o consumo é voltado a momentos de celebração. O indivíduo recorre ao luxo para comemorar conquistas, marcar ocasiões especiais e criar recordações que combinem com seus valores e estilo de vida.

Sentir-se parte de um grupo (pertencimento): esse consumidor utiliza o luxo como uma forma de integração social. Ele busca aceitação em determinados grupos e ambientes, aprendendo e reproduzindo os códigos e comportamentos característicos desse universo.

Mostrar que é importante (autoridade): nesse perfil, o luxo é usado como ferramenta de afirmação. A pessoa utiliza bens de alto padrão para demonstrar influência, relevância e conhecimento em áreas que despertam interesse em grupos importantes.

Mostrar o que conquistou (prestígio): aqui, o luxo funciona como forma de validação pessoal. O consumidor exibe seus produtos e experiências como símbolo de autenticidade, prestígio e posição social, reforçando suas conquistas individuais.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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