Anualmente, a revista Forbes divulga a lista dos 10 maiores bilionários do Brasil, além de um levantamento completo com os 300 nomes mais ricos do país. O ranking é um dos mais aguardados, já que mostra quem são os empresários que mais acumularam riqueza e quais setores da economia tiveram maior destaque.

Na edição de 2025, o levantamento revela que, entre os 300 bilionários, 240 são homens — que juntos somam um patrimônio de R$ 1,68 trilhão — e 60 são mulheres, com uma fortuna acumulada de R$ 343,7 bilhões. Outro dado relevante da edição é que 31 pessoas entraram pela primeira vez na lista, mostrando que novos setores da economia continuam gerando grandes fortunas.
Eduardo Saverin segue como o mais rico
Pelo segundo ano consecutivo, o título de brasileiro mais rico ficou com Eduardo Saverin, cofundador do Facebook. Sua fortuna chegou a R$ 227 bilhões, quase R$ 100 bilhões a mais do que a de Vicky Sarfati Safra e família, que aparece em segundo lugar com R$ 120,5 bilhões. Saverin, nascido em São Paulo e morando atualmente em Singapura, viu seu patrimônio crescer 45,5% em apenas um ano, impulsionado pela “febre da inteligência artificial” e pela valorização das ações da Meta, empresa controladora do Facebook.
Vale destacar que quando falamos em “fortuna” ou “patrimônio”, não estamos falando de dinheiro vivo em conta bancária. Esses valores são estimados com base nas participações em empresas, nas ações que cada um possui e, em alguns casos, em outros bens. Se as ações sobem, o patrimônio cresce; se caem, a fortuna encolhe.
Saverin, além de ser acionista da Meta, é também fundador da B Capital, empresa de investimentos que aposta em startups ao redor do mundo. Mesmo com tanto destaque, o bilionário mantém um perfil discreto e raramente aparece na mídia.
Presença feminina e desigualdade
Entre os 10 primeiros colocados, apenas Vicky Safra representa as mulheres. Viúva do banqueiro Joseph Safra, que faleceu em 2020, ela administra uma das maiores fortunas do setor financeiro e também lidera uma fundação voltada para projetos de saúde, educação e cultura.
Ainda assim, a lista mostra como a desigualdade de gênero permanece marcante: as mulheres são minoria e, em geral, herdaram fortunas, em vez de tê-las construído do zero.
Metodologia do ranking
A forma como a revista calcula as fortunas é outro ponto que gera interesse. A Forbes baseia-se principalmente no valor de mercado das ações até o dia 30 de junho de 2025, ou seja, nos preços oficiais registrados na bolsa de valores. É um dado público e auditado, o que garante confiabilidade.
Entretanto, como são consideradas apenas informações disponíveis publicamente, alguns patrimônios podem estar subestimados. Bens como imóveis, obras de arte, aviões e iates só entram na conta caso o dono concorde em fornecer os dados. Além disso, quando a fortuna pertence a uma família ou a irmãos que dividem participações, muitas vezes os valores são somados.
Quem são os 10 mais ricos de 2025
Confira o ranking e a variação do patrimônio em relação ao ano passado:
- Eduardo Saverin – R$ 227 bilhões (+45,5%) – Tecnologia (Facebook/Meta);
- Vicky Sarfati Safra e família – R$ 120,5 bilhões (+9,4%) – Finanças (Banco Safra);
- Jorge Paulo Lemann – R$ 88 bilhões (-4,2%) – Bebidas/Investimentos (AB Inbev/3G Capital);
- André Esteves – R$ 51 bilhões (+56%) – Finanças (BTG Pactual);
- Fernando Roberto Moreira Salles – R$ 40,2 bilhões (+4,5%) – Finanças/Mineração (Itaú/CBMM);
- Carlos Alberto Sicupira – R$ 39,1 bilhões (-20,8%) – Bebidas/Investimentos (AB Inbev/3G Capital);
- Pedro Moreira Salles – R$ 38 bilhões (+5,1%) – Finanças/Mineração (Itaú/CBMM);
- Miguel Krigsner – R$ 34,2 bilhões (+19,2%) – Cosméticos (O Boticário);
- Alexandre Behring – R$ 31 bilhões (-11,1%) – Investimentos (3G Capital);
- Jorge Moll Filho – R$ 30,4 bilhões (+119,1%) – Saúde (Rede D’Or).
O ranking também mostra como setores diferentes puxam a riqueza dos empresários. Saverin surfou a onda da tecnologia e da inteligência artificial; Vicky Safra manteve sua posição graças ao setor financeiro; Jorge Moll Filho, do grupo Rede D’Or, dobrou sua fortuna com a valorização da saúde privada.
A lista dos bilionários não serve apenas como curiosidade, mas também como um retrato da economia. O crescimento de fortunas ligadas a bancos e tecnologia mostra onde estão as maiores oportunidades de valorização. Ao mesmo tempo, quedas como a de Carlos Alberto Sicupira, ligada à crise da Americanas e a desafios da AB Inbev, lembram como grandes negócios também estão sujeitos a riscos.
Já a entrada de 31 novos bilionários reforça que ainda há espaço para o surgimento de novos nomes, especialmente em áreas inovadoras ou pouco exploradas. Mas a concentração de riqueza segue alta: 300 pessoas no Brasil acumulam juntas valores equivalentes a várias vezes o orçamento de setores inteiros do governo.