O número de brasileiros com dívidas e inadimplentes bateu recorde neste ano. Dados recentes mostram que cada vez mais famílias estão com dificuldade para pagar as contas em dia, o que afeta não apenas o bolso, mas também a saúde mental.
Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de consumidores com contas atrasadas passou de 30% em julho para 30,4% em agosto. É o maior índice de inadimplência desde o início da pesquisa, feita em 2010.

Outro estudo, realizado pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, mostra que 43% dos adultos do país estão inadimplentes. Isso significa quase 72 milhões de pessoas com boletos vencidos, o maior patamar desde 2015.
Além disso, o tempo em que as dívidas permanecem em atraso também aumentou. Pagamentos parados entre 3 e 4 anos cresceram quase 40% em apenas 12 meses. Três em cada dez consumidores deixaram de pagar contas de até R$ 500, mostrando que até valores mais baixos têm pesado no orçamento.
A maioria dos inadimplentes está na faixa dos 30 a 39 anos. É justamente nesse período da vida que muitas pessoas precisam arcar com despesas maiores, como filhos, aluguel ou financiamento da casa própria.
Dívida e saúde mental
O endividamento não causa impacto apenas no orçamento familiar. Cada vez mais, os especialistas apontam que a falta de controle financeiro pode gerar ansiedade e outros problemas emocionais. A chamada “ansiedade financeira” pode paralisar a pessoa, dificultando a tomada de decisões e aumentando ainda mais a sensação de desespero.
Com isso, cresce a necessidade de não apenas organizar as contas, mas também cuidar da saúde mental ao lidar com dívidas. Reconhecer os sentimentos relacionados ao dinheiro e buscar apoio são passos importantes para sair do ciclo de preocupação constante.
Dicas para sair do vermelho e reduzir a ansiedade financeira
Apesar do cenário preocupante, existem caminhos práticos para melhorar as finanças e começar a reduzir as dívidas. Veja abaixo algumas orientações simples que podem ser aplicadas no dia a dia:
1. Reconheça sua situação
Aceitar que as contas estão fora de controle é o primeiro passo. Fingir que a dívida não existe só piora a situação. Olhe para o problema e se comprometa a resolvê-lo.
2. Anote receitas e despesas
Coloque no papel ou em uma planilha quanto você ganha por mês e quanto gasta. Isso ajuda a enxergar para onde o dinheiro está indo e identificar despesas que podem ser cortadas.
3. Corte gastos desnecessários
Pequenos cortes fazem diferença. Avalie se é possível reduzir gastos com aplicativos, delivery, compras por impulso ou serviços que não são essenciais.
4. Defina metas realistas
Estabeleça um objetivo claro, como pagar uma dívida menor primeiro ou guardar uma quantia fixa por mês. Cumprir metas simples aumenta a motivação.
5. Negocie dívidas
Procure credores e tente renegociar os valores. Muitas empresas oferecem descontos e parcelamentos especiais para quem quer pagar.
6. Use o crédito com cuidado
Evite novas dívidas enquanto não resolver as antigas. Cartão de crédito e cheque especial devem ser usados apenas em casos de emergência.
7. Busque apoio
Converse com familiares de confiança ou procure orientação de profissionais, como consultores financeiros ou até serviços de apoio psicológico. Falar sobre o problema ajuda a encontrar soluções.
Um desafio coletivo
O recorde de inadimplência mostra que o problema não é individual, mas coletivo. Milhões de brasileiros vivem a mesma situação, pressionados por crédito caro, juros altos e prazos curtos.
Por isso, além do esforço de cada família, políticas públicas e medidas de educação financeira também são necessárias para reduzir o número de pessoas endividadas. Enquanto isso, a organização pessoal continua sendo a principal ferramenta de quem deseja sair do vermelho.