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Número de investidores em renda fixa cresce 20% em um ano, mostra B3

O interesse dos brasileiros por investimentos em renda fixa aumentou no último ano, segundo dados da B3, a bolsa de valores do país. O número de pessoas físicas aplicando nesse tipo de produto financeiro subiu 20% na comparação entre o segundo trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025. Com isso, já são 100,2 milhões de CPFs com recursos alocados nessa modalidade.

Cresce número de pessoas que investem em renda fixa
Esse movimento acontece em um cenário de juros altos. A taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia, está em 15% ao ano | Foto: reprodução / Canva

Sempre que a Selic se mantém em patamares elevados, aplicações de renda fixa se tornam mais atrativas, porque passam a oferecer retornos maiores de forma previsível.

O que é renda fixa?

Renda fixa é o nome dado a um grupo de investimentos em que a forma de cálculo do rendimento já é definida no momento da aplicação. Isso não significa que o investidor sempre saberá exatamente quanto vai ganhar, mas sim que as regras estão claras desde o início.

Diferente da renda variável — categoria em que estão, por exemplo, as ações negociadas na bolsa —, a renda fixa costuma oferecer menor risco e mais estabilidade. Nela, o investidor normalmente empresta dinheiro a bancos, empresas ou ao próprio governo e recebe juros como contrapartida.

Tesouro Direto cresce junto com a renda fixa

Dentro do universo da renda fixa, o Tesouro Direto foi um dos produtos que mais se destacou. Criado em 2002, o programa permite que pessoas físicas comprem títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Na prática, trata-se de um empréstimo que o cidadão faz ao governo, que promete devolver o valor acrescido de juros em determinada data.

O Tesouro Direto alcançou 3 milhões de investidores em junho deste ano, um aumento de 14% em relação ao mesmo período de 2024. Uma das principais razões para o avanço está na acessibilidade. Hoje, não há valor mínimo fixo para começar a investir, o que possibilita que pessoas com pouco dinheiro disponível deem os primeiros passos. Além disso, o programa é considerado seguro porque o pagamento está garantido pelo governo federal.

Tipos de títulos disponíveis

O Tesouro Direto oferece diferentes opções, que variam conforme o prazo, a forma de remuneração e o objetivo do investidor.

  • Tesouro Selic:
    É o título mais simples de entender e o preferido para quem busca a possibilidade de retirar o dinheiro a qualquer momento. Ele rende conforme a taxa Selic. Se a Selic está em 15% ao ano, esse será o rendimento aproximado do título. É muito usado como reserva de emergência, pois o investidor pode sacar rapidamente em situações de necessidade.
  • Tesouro Prefixado:
    Nesse caso, a taxa de juros é conhecida no momento da compra e não muda até o vencimento. Isso garante previsibilidade, mas também traz riscos. Se os juros da economia subirem depois da aplicação, o título perde valor no mercado, já que novas emissões se tornam mais vantajosas. O efeito contrário ocorre quando os juros caem.
  • Tesouro IPCA+:
    Esse título combina uma taxa fixa com a variação do IPCA, o índice oficial de inflação do país. A ideia é garantir que o investidor não perca poder de compra ao longo do tempo. É recomendado para metas de médio e longo prazo, como a aposentadoria. No entanto, quem vende antes do prazo pode ter prejuízo, pois os preços desses papéis variam no mercado.
  • Tesouro RendA+:
    Voltado para aposentadoria, esse título cria uma renda mensal que dura 20 anos. O investidor escolhe quando deseja começar a receber os pagamentos — o ano mais próximo disponível é 2030. Ele também é corrigido pela inflação, somada a uma taxa de juros.
  • Tesouro Educa+:
    Lançado em 2023, tem como objetivo custear estudos. Ele paga uma renda mensal por cinco anos, pensada para ajudar famílias a bancarem a faculdade de filhos ou dependentes. Seu funcionamento é parecido com o do RendA+, mas com prazo menor.

O impacto da Selic na renda fixa

A Selic é definida pelo Banco Central e serve como referência para outros juros da economia, como empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Quando a taxa sobe, o crédito fica mais caro, mas os investimentos atrelados a ela se tornam mais vantajosos.

Com a Selic em 15% ao ano, títulos como o Tesouro Selic ou mesmo os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecem retornos superiores aos da poupança, que tem rendimento limitado por regras próprias e acaba ficando menos interessante em períodos de juros altos.

Esse cenário explica parte do crescimento da renda fixa. Pessoas que investem e buscam segurança e retornos previsíveis passaram a direcionar mais o seu dinheiro para essa categoria, em vez de assumir os riscos da renda variável, que depende de oscilações do mercado e pode gerar perdas.

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