As livrarias e plataformas de venda de livros no Brasil registraram um novo avanço em setembro de 2025. Segundo o Painel do Varejo de Livros, estudo mensal realizado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) em parceria com a Nielsen BookData, um serviço global que coleta, mensura e analisa dados sobre o mercado de livros, as vendas aumentaram 8,95% em comparação com o mesmo mês de 2024.
Foram 3,8 milhões de exemplares vendidos nas lojas físicas e virtuais monitoradas, o que elevou o faturamento de R$ 178,2 milhões para R$ 197,5 milhões. Esse crescimento representa uma alta de 10,84%, superando tanto a inflação acumulada em 12 meses, de 4,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quanto o desempenho de outros segmentos do varejo.
Em dólar, considerando a cotação média de R$ 5,49 em 3 de outubro de 2025 (Banco Central do Brasil), o faturamento equivale a aproximadamente US$ 35,9 milhões.
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Desempenho por gênero e fatores de alta
Os dados apontam que os principais responsáveis pela expansão do mercado editorial foram os livros de ficção, infantojuvenis e de colorir — categorias que continuam com grande apelo entre jovens leitores e famílias. Segundo o SNEL, títulos ligados a temas de fantasia, romance e bem-estar mantêm bom desempenho nas livrarias, enquanto livros educativos e de atividades voltados ao público infantil seguem entre os mais vendidos.
Outro ponto que impulsiona as vendas é o crescimento do e-commerce literário (modelo de negócio onde a compra e venda ocorre pela internet), que já representa mais da metade das vendas do setor. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) aponta que cerca de 55% das compras de livros no Brasil em 2025 são feitas por canais online, tendência reforçada pela praticidade e pela diversidade de preços.
Acumulado do ano ultrapassa R$ 2 bilhões
De janeiro a setembro de 2025, o Painel do Varejo de Livros registrou alta acumulada de 8,85% no faturamento e 7,72% no volume de unidades vendidas. Em valores absolutos, foram 40,2 milhões de exemplares comercializados, com receita total de R$ 2 bilhões.
O presidente do SNEL, Dante Cid, destacou que o resultado reflete a retomada gradual do setor editorial após o impacto da pandemia de covid-19, quando o mercado enfrentou forte retração. “Comemoramos a volta ao crescimento neste período, esperando que, ao ingressar no último trimestre, possamos realmente fechar o ano com números positivos”, afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
O setor também tem se beneficiado de parcerias com influenciadores digitais, clubes de assinatura e editoras independentes que buscam novos públicos por meio de plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. O movimento conhecido como #BookTok — tendência global que usa vídeos curtos para recomendar livros — contribuiu para atrair uma nova geração de leitores.
Crescimento supera inflação e consumo médio
Em termos reais, o avanço de 8,43% no faturamento em 2024 já havia superado o aumento de preços no país, consolidando o livro como um produto de consumo estável mesmo em períodos de desaceleração econômica. O ritmo observado até setembro de 2025 sugere que o setor mantém a tendência, mesmo com juros elevados e renda ainda em recuperação.
De acordo com o IBGE, a renda média do trabalhador brasileiro ficou em R$ 3.050 no segundo trimestre de 2025, alta de 2,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o gasto médio anual com livros no país é de cerca de R$ 70 por pessoa, conforme levantamento da Câmara Brasileira do Livro — o que mostra espaço para crescimento.
Expectativas para o fim do ano
O último trimestre é considerado o mais importante para o setor, impulsionado pela volta às aulas, Black Friday e Natal, que concentram parte significativa das vendas anuais. Em 2024, por exemplo, novembro e dezembro representaram 23% do faturamento total, segundo dados da Nielsen.
Para 2025, a expectativa é de que o cenário se repita, especialmente com a chegada de novas editoras digitais e coleções de grandes redes de varejo. O SNEL estima que o mercado possa fechar o ano com crescimento entre 8% e 9%, consolidando o segundo ciclo consecutivo de expansão.
Embora ainda existam desafios — como custos de impressão e logística —, a combinação entre diversificação de formatos, venda online acessível e maior engajamento digital tem sustentado o desempenho positivo do setor editorial.


