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Governo vai realizar dez novos leilões de rodovias em 2026

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O governo federal vai realizar dez novos leilões de concessão de rodovias em 2026, segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio. A expectativa é que os contratos atraiam investimentos de cerca de R$ 100 bilhões nos próximos 30 anos.

Novos leilões de rodovias serão realizados em 2026
Em 2025, o governo já realizou cinco leilões de concessões de rodovias e outros cinco estão programados até dezembro, sendo dois ainda neste mês de outubro | Foto: Reprodução / Canva

O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 13 de outubro, durante um evento na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Segundo Sampaio, o governo quer continuar ampliando as parcerias com empresas privadas para melhorar a qualidade das estradas e reduzir custos de transporte no país.

Mais leilões e investimentos

Um dos leilões mais esperados é o da rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte (MG). Essa é uma das principais rotas de transporte de cargas do Sudeste e também uma das mais movimentadas do país.

Para o próximo ano, a ANTT planeja realizar dez novos leilões. Segundo o diretor, haverá projetos em várias regiões, com destaque para o leilão da BR-116 na Bahia, previsto para 2 de julho de 2026, e outro trecho que vai ligar Pernambuco à Bahia. Também estão previstos investimentos no Paraná e em Minas Gerais.

Essas concessões fazem parte de um programa que busca modernizar as estradas brasileiras e melhorar os serviços aos motoristas. Quando uma rodovia é concedida, uma empresa assume a responsabilidade por cuidar da estrada, fazer obras, duplicações, manutenção e cobrança de pedágio, seguindo regras estabelecidas em contrato.

O que muda com os leilões?

Os novos contratos devem gerar R$ 100 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, segundo estimativas da ANTT. A maior parte do dinheiro será investida nos primeiros dez anos, período em que as empresas farão as principais obras.

  • Esses investimentos devem trazer melhorias importantes, como:
  • Pavimentação e duplicação de trechos movimentados;
  • Instalação de novas placas e sinalização;
  • Construção de passarelas e áreas de descanso para caminhoneiros;
  • Monitoramento eletrônico e atendimento de emergência mais rápido.

Segundo o diretor, essas obras ajudam a reduzir o número de acidentes, melhorar o escoamento da produção agrícola e industrial e diminuir o tempo de viagem. Para os motoristas, o impacto mais visível costuma ser o melhor estado das pistas e menos buracos nas rodovias.

Novos investidores e retorno estrangeiro

Guilherme Sampaio disse que os leilões realizados neste ano já mostraram grande interesse de investidores. “Dos leilões já realizados, temos dez grupos novos, entre empresas operadoras, fundos financeiros e o retorno de investidores estrangeiros. Esperamos ainda mais participantes em 2026”, afirmou.

Mesmo com os juros altos, já que a taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia, continua elevada, o diretor disse que o modelo dos leilões foi pensado para garantir retorno aos investidores.

“A taxa Selic está alta há algum tempo, mas nosso modelo considera os juros de longo prazo e tem atualização periódica. Temos projetos de qualidade, contratos equilibrados e boa taxa de retorno”, afirmou.

A entrada de novos investidores é importante porque aumenta a concorrência nos leilões e pode reduzir o valor dos pedágios pagos pelos motoristas, além de trazer mais recursos para as obras.

Ferrovias também entram no plano

Além das estradas, o governo também pretende leiloar duas ferrovias em 2026. Uma delas será a ligação entre os portos do Espírito Santo e o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, prevista para o primeiro trimestre do ano.

A outra é a Ferrogrão, uma ferrovia planejada para ligar o estado do Mato Grosso ao Pará, transportando principalmente grãos e soja até os portos do Norte. Esse projeto ainda está sob avaliação do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa questões ambientais e jurídicas.

A ideia do governo é diversificar os meios de transporte, reduzindo a dependência das rodovias. Hoje, mais de 60% das cargas no Brasil ainda são transportadas por caminhões. Com mais ferrovias, o país pode diminuir custos logísticos, reduzir o desgaste das estradas e poluir menos o meio ambiente.

Transnordestina deve começar a operar

Outro projeto importante citado por Sampaio é a ferrovia Transnordestina, que liga o Piauí ao Ceará. Segundo ele, a linha recebeu autorização para operação parcial e deve começar a funcionar ainda neste mês.

A ferrovia é operada por uma empresa ligada ao grupo CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e, no próximo ano, deve conectar os portos dos dois estados. A Transnordestina deve facilitar o transporte de grãos, minérios e outros produtos do interior do Nordeste até o litoral, fortalecendo a economia da região.

ANTT pede mais autonomia e servidores

Durante o evento, o diretor da ANTT defendeu maior autonomia financeira para a agência. Ele informou que o orçamento é de cerca de R$ 300 milhões por ano, mas a instituição arrecadou R$ 1,2 bilhão em tarifas em 2024.

A ANTT conta com 1.100 servidores e 500 terceirizados, mas Sampaio afirmou que o número ideal seria 1.800 servidores, para dar conta da fiscalização e acompanhamento dos contratos de concessão.

Segundo ele, fortalecer a instituição é essencial para garantir que as empresas cumpram as obrigações dos contratos, façam as obras prometidas e mantenham a qualidade das estradas e ferrovias.

Por que isso é importante?

Os novos leilões e investimentos previstos para 2026 podem melhorar a infraestrutura de transporte do Brasil, o que é essencial para o crescimento econômico.

Estradas e ferrovias em bom estado reduzem o custo do transporte de mercadorias, facilitam o deslocamento das pessoas e aumentam a segurança nas viagens. Além disso, os investimentos devem gerar empregos diretos e indiretos, especialmente nas regiões onde as obras serão realizadas.

Com a expansão das concessões, o governo espera atrair mais empresas privadas, aumentar a eficiência do transporte e reduzir gastos públicos com manutenção.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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