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Censo 2022: Maria e José seguem líderes; Silva domina os sobrenomes no Brasil

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O Brasil continua dando preferência a nomes tradicionais. Os resultados do Censo 2022, apresentados pelo IBGE, confirmam que Maria e José seguem como os mais comuns do país, o mesmo resultado do último Censo, realizado em 2010. Os números integram o novo portal Nomes no Brasil, que permite pesquisar nomes próprios e sobrenomes, idade mediana dos registros, evolução ao longo do tempo, distribuição geográfica e até comparação com nomes populares no resto do mundo.

O Censo começou no dia 1º de agosto de 2022, dois anos além do previsto. O atraso ocorreu devido às restrições da pandemia e da falta de orçamento durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

Censo 2022 revele nomes mais e menos utilizados no Brasil
A base do Censo foi montada com os dados coletados nos 90,7 milhões de domicílios visitados pelos recenseadores | Foto: Reprodução / Freepik

Maria lidera com folga enquanto nomes tradicionais seguem fortes

Entre os nomes próprios, Maria aparece em 12.284.478 registros, o equivalente a 6,05% da população brasileira. Logo atrás está José, com 5.164.752 pessoas (2,54%). Os dois se mantêm no topo há décadas e aparecem em todas as regiões do país, geralmente como parte de nomes compostos.

Censo 2022 revele nomes mais e menos utilizados no Brasil
Nomes tradicionais ainda lideram na quantidade | Gráfico: SuperFinanças

A lista completa dos 10 primeiros mostra a força dos nomes tradicionais:

Nomes mais comuns no Brasil – Censo 2022

Posição NomeNúmero de pessoasParticipação
1ºMaria12.284.4786,05%
2ºJosé5.164.752          2,54%
3ºAna3.948.650          1,94%
4ºJoão3.430.608          1,69%
5ºAntônio2.241.094           1,10%
6ºFrancisco1.665.494           0,82%
7ºPedro1.624.478          0,80%
8ºCarlos1.474.492          0,73%
9ºLucas1.341.525          0,66%
10ºLuiz1.335.098          0,66%

A plataforma mostra que os nomes tradicionais se concentram principalmente entre adultos e idosos, mas continuam aparecendo em batismos recentes, principalmente em versões compostas.

Gael e Helena simbolizam a “virada” dos nomes modernos

O recorte por idade revela outra história: os recém-nascidos brasileiros estão recebendo nomes diferentes dos pais e avós. Gael, por exemplo, aparece com 110.946 registros, e a idade mediana é de apenas 1 ano, sendo que 96.503 desses registros aconteceram entre 2020 e 2022, período de coleta do Censo.

Entre meninas, Helena virou tendência. São 366.186 pessoas com esse nome e, dentro desse total, 112.611 nasceram só entre 2020 e 2022. Isso mostra que ele já é um dos mais escolhidos pelas famílias brasileiras nesta geração.

Valentina também aparece com crescimento acelerado: mais de 113 mil registros apenas entre 2010 e 2019, somando 193,1 mil até 2022. Enzo atingiu 404.167 pessoas, com mediana de 6 anos, mas começou a perder força recentemente e caiu do 10º para o 12º nome mais registrado entre 2020 e 2022.

Censo 2022 revele nomes mais e menos utilizados no Brasil
Helena (8 anos), Gael (1 ano), Enzo (6), Terezinha (66), Osvaldo (62) | Gráfico: SuperFinanças

Enquanto a nova geração ganha nomes curtos e modernos, nomes que eram comuns décadas atrás praticamente desapareceram. Quem se chama Terezinha tem hoje média de 66 anos; Osvaldo, 62. O portal mostra pouquíssimos registros recentes desses nomes.

“Silva” permanece como o sobrenome do Brasil

Além dos nomes próprios, o Censo revelou, pela primeira vez, o retrato dos sobrenomes. Silva aparece muito à frente dos demais: 34.030.104 brasileiros, representando 16,76% da população. Santos ocupa a segunda posição, com 21.367.475 registros. Depois vêm Oliveira, Souza, Pereira, Ferreira, Lima, Alves, Rodrigues e Costa. O IBGE identificou mais de 200 mil sobrenomes diferentes no país.

Sobrenomes mais comuns no Brasil – Censo 2022

Censo 2022 revele nomes mais e menos utilizados no Brasil
Nomes de origem portuguesa ainda são os mais comuns no Brasil | Gráfico: SuperFinanças

Esses sobrenomes vêm principalmente da colonização portuguesa e se espalharam por todas as regiões ao longo dos séculos. A plataforma permite descobrir em quais estados cada sobrenome é mais frequente e se a distribuição mudou com o tempo.

Nomes raros existem, mas nem todos aparecem no portal

A divulgação dos nomes obedece à regra de sigilo estatístico. Só entram na consulta pública registros com 20 pessoas ou mais. Abaixo desse número, o IBGE oculta a informação para evitar que alguém seja identificado.

Mesmo no limite mínimo, surgem nomes raríssimos: Abão, Acrinaldo, Adalgiso, Guvania, Joeza, Jocirleide, Laplace, Kynara, Nagali e Tertolino aparecem com apenas 20 registros no país. Quando o nome é tão incomum que poderia deduzir a identidade de alguém, o portal omite localização e outros detalhes.

Plataforma também compara o Brasil com outros países

O site não mostra apenas os números do Brasil. Há um mapa mundial de nomes populares. Na China, por exemplo, Wang aparece entre os mais comuns. Nos Estados Unidos, um dos líderes é John. A comparação ajuda a entender como diferentes culturas influenciam escolhas ao longo do tempo.

Além disso, a plataforma traz gráficos de popularidade ano a ano. É possível visualizar, por exemplo, em quais anos Helena explodiu, quando Enzo atingiu o pico e em que momento Terezinha saiu de moda. Também dá para buscar idade mediana, sexo, município de nascimento e significado dos nomes.

Censo 2022 revele nomes mais e menos utilizados no Brasil
Comparando Maria, José, Gael, Helena e Enzo | Gráfico: SuperFinanças

A história que os nomes contam

O painel do IBGE mostra que os nomes funcionam como espelho da sociedade. A força de Maria e José demonstra tradição religiosa, especialmente católica. Já a ascensão de Gael, Helena e Enzo revela influência global, cultura pop e a preferência por nomes curtos.

Ao mesmo tempo, os sobrenomes apontam para raízes portuguesas e para a miscigenação que formou o país. Silva e Santos não estão ligados a apenas uma região ou classe social: aparecem em todo tipo de família, de norte a sul.

O IBGE diz que o portal ajuda pesquisadores, empresas e jornalistas a entender mudanças culturais e gerações, mas também diverte o público que quer descobrir quantas pessoas têm o mesmo nome e onde estão os “xarás”.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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