O leilão da Rota Sertaneja, realizado na última quinta-feira, 6 de novembro, na B3, terminou com a vitória da Way Concessões, que ofereceu desconto de 24,80% sobre a tarifa básica de pedágio. O projeto engloba 531 quilômetros das rodovias BR-153 e BR-262, conectando as regiões de Uberaba (MG), Goiânia (GO) e São José do Rio Preto (SP). A empresa administrará o trecho durante 30 anos e terá que investir cerca de R$ 5,3 bilhões em melhorias ao longo do contrato.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os investimentos incluem 42 quilômetros de duplicação da pista, construção de passarelas e passagens de fauna, além de 132 novos acessos. O trecho terá cinco praças de pedágio.

O que significa a rodovia ser concedida?
A concessão é um modelo em que o governo continua dono da rodovia, mas repassa a administração para uma empresa privada. A concessionária passa a cuidar da manutenção, da sinalização, de obras de ampliação e de serviços como ambulância, guincho e monitoramento. Em troca, pode cobrar pedágio para financiar os investimentos e a operação diária.
Para quem utiliza essas estradas, o efeito costuma aparecer aos poucos. Com a concessão, a rodovia tende a receber pavimentação nova, sinalização mais visível, atendimento em caso de acidente e equipamentos de monitoramento. Estradas mais conservadas reduzem o risco de colisões e diminuem custos para transporte de cargas. Em trechos com muito fluxo de caminhões, como os atendidos pela BR-153 e BR-262, esse tipo de melhoria costuma ser visto como decisivo para o escoamento agroindustrial.
No caso da Rota Sertaneja, o governo afirma que a duplicação de pistas deve reduzir trechos perigosos, melhorar ultrapassagens e diminuir acidentes. As passagens de fauna evitam atropelamento de animais e aumentam a segurança de motoristas. Já os novos acessos facilitam a entrada de veículos que circulam entre pequenas cidades e áreas rurais cortadas pela rodovia.
Disputa recebeu mais três propostas
O pregão teve outros três concorrentes: o grupo francês Vinci, um consórcio com participação da XP e outro formado por construtoras brasileiras. Eles ofereceram descontos entre 14% e 20,36%. Como a diferença era pequena, o leilão avançou para a etapa de viva-voz, na qual as empresas podem fazer um último lance presencialmente. Nenhuma delas apresentou nova proposta e a Way Concessões levou o contrato.
A empresa já opera um trecho vizinho. No ano passado, venceu o leilão da chamada Rota do Zebu, na BR-262 entre Uberaba e Betim. Segundo executivos do grupo, os dois contratos têm logística parecida e permitem que equipes, obras e serviços sejam organizados em conjunto, diminuindo custos operacionais.
Governo planeja mais leilões e quer ampliar investimentos em rodovias
A Rota Sertaneja faz parte de um conjunto maior de concessões previstas pelo governo federal. O Ministério dos Transportes afirma que a meta é chegar a 44 concessões de rodovias nos próximos quatro anos, com previsão de investimentos que somam R$ 343 bilhões. A ideia é acelerar obras que o governo sozinho não teria condições de executar no mesmo ritmo.

Depois deste leilão, o governo espera realizar duas novas disputas ainda este ano. A primeira será da BR-101, no Rio de Janeiro, hoje administrada pela Autopista Fluminense, e está prevista para a próxima semana. A segunda será da Fernão Dias, rodovia que liga Belo Horizonte a São Paulo, com leilão marcado para 11 de dezembro. Esses casos são diferentes da Rota Sertaneja porque envolvem concessões que já existem, mas precisam de novas regras e novos investimentos, o que o governo chama de “otimização de contratos”.
Impacto econômico e efeito para quem usa a estrada
Rodovias concedidas costumam gerar empregos diretos nas obras e movimentar a economia local. Empresas de transporte também são impactadas, já que estradas melhores diminuem desgaste de caminhões, reduzem consumo de combustível e encurtam o tempo de viagem. Para o agronegócio, o trecho é importante porque conecta regiões produtoras do Centro-Oeste a polos de distribuição no interior de São Paulo e ao porto de Santos.
As obras previstas devem acontecer ao longo de vários anos, divididas por etapas para evitar bloqueios longos. As praças de pedágio começam a funcionar apenas depois que a concessionária assume a operação e cumpre exigências iniciais do contrato. A expectativa do governo é que a melhoria na condição do asfalto e na sinalização comece a aparecer nos primeiros anos.