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COP30 ainda é desconhecida pela maioria dos brasileiros; entenda

A COP30, conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas que ocorre em Belém (PA), ainda é um evento pouco conhecido pela maioria dos brasileiros. De acordo com pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada no dia 13 de novembro de 2025, 62% dos entrevistados afirmaram não saber o que é a COP30, enquanto apenas 38% disseram ter algum conhecimento sobre o tema.

O levantamento ouviu 1.500 pessoas entre os dias 11 e 12 de novembro, com margem de erro de três pontos percentuais. Mesmo entre os que afirmam saber o que é o evento, o envolvimento com a pauta climática ainda é baixo. Cerca de 79% disseram nunca ter ouvido falar de nenhuma COP antes da edição realizada no Brasil, o que indica uma distância entre o debate internacional e a percepção da população brasileira sobre as mudanças climáticas.

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Entre promessas globais e desafios locais, o Brasil tenta transformar o protagonismo ambiental em consciência pública sobre o futuro do planeta | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons 

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Entre promessas globais e desafios locais, o Brasil tenta transformar o protagonismo ambiental em consciência pública sobre o futuro do planeta | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Baixa confiança em resultados práticos

Outro dado que chama atenção é o ceticismo da população em relação aos efeitos do encontro. Segundo o mesmo estudo, 70% dos entrevistados não acreditam que a COP30 vá gerar ações efetivas para enfrentar o aquecimento global. Apenas 30% disseram confiar em avanços concretos após a conferência.

Especialistas apontam que a falta de informação sobre o que é discutido nesses encontros pode influenciar essa percepção. A COP, sigla para “Conferência das Partes”, reúne representantes de mais de 160 países para negociar metas e medidas de combate às mudanças climáticas. É um espaço decisivo para acordos que impactam diretamente políticas públicas, economia e investimentos em energia limpa.

Prioridades diferentes entre governo e população

O levantamento também investigou quais temas os brasileiros consideram prioridade para o governo. O meio ambiente aparece em último lugar, com apenas 4% das menções, atrás de áreas como segurança pública (27%), saúde (23%), educação (20%), economia (16%) e desenvolvimento social (10%).

Para pesquisadores da área de políticas ambientais, o resultado reflete a percepção de urgência das pessoas diante de questões do dia a dia, como desemprego e custo de vida, que acabam se sobrepondo à preocupação com o clima.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país ainda tem cerca de 8,6 milhões de desempregados (PNAD Contínua, setembro de 2025), o que reforça a centralidade dos temas econômicos na vida da população.

A importância da COP30 para o Brasil e o mundo

A COP30 teve início em 10 de novembro de 2025, reunindo lideranças políticas e ambientais de mais de 160 países em Belém, no Pará. O evento é parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), assinada em 1992, que busca unir esforços globais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

O Brasil ocupa um papel estratégico nesse debate. Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), o país foi o sexto maior emissor de gases causadores do efeito estufa em 2024, sendo 60% das emissões provenientes da agropecuária e do uso da terra. A floresta amazônica, que cobre cerca de 4,2 milhões de km², tem papel essencial na regulação do clima global, o que torna o território nacional central nas discussões sobre preservação e sustentabilidade.

O papel econômico das políticas climáticas

Além das discussões ambientais, a COP30 também envolve temas econômicos importantes. O Banco Mundial estima que as perdas econômicas provocadas por eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, podem chegar a US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 7,5 trilhões) por ano no mundo até 2050, se não houver ações de mitigação.

No caso do Brasil, relatório da Moody’s Ratings, publicado em novembro de 2025, alertou que os riscos climáticos podem reduzir o PIB nacional em até 20% até 2050 caso o país não adote medidas de adaptação. Isso afetaria diretamente a produção agrícola, a geração de energia e a estabilidade econômica de estados que dependem de recursos naturais.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o país precisaria investir entre 0,25% e 0,5% do PIB por ano, algo entre R$ 34 bilhões e R$ 68 bilhões, apenas para adaptar o setor agrícola às mudanças do clima.

Desafios para aproximar o tema da população

Embora o Brasil esteja no centro das negociações climáticas globais, os dados mostram que ainda há um desafio de comunicação entre o discurso internacional e o cotidiano das pessoas. Pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontam que políticas de educação ambiental e incentivo à economia verde poderiam ajudar a aproximar o tema da realidade das famílias brasileiras, especialmente nas regiões mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global.

A expectativa é que a COP30 sirva como um ponto de partida para maior engajamento público e social no debate climático. No entanto, os resultados do encontro e a capacidade de transformar compromissos em políticas efetivas dependem de decisões que ainda estão sendo negociadas.

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