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COP30: por que CEOs americanos estão ausentes da reunião em Belém?

Pela primeira vez em três décadas, altos representantes do governo dos Estados Unidos e grandes executivos corporativos do país deixaram de comparecer à cúpula do clima das Nações Unidas. A COP30, sediada em Belém (PA), marca um ponto de inflexão na agenda ambiental global e a ausência norte-americana tem sido interpretada como um sinal claro de que o tema perdeu espaço nas prioridades empresariais e políticas em Washington.

A reunião, que reúne líderes mundiais, ambientalistas e investidores em torno de compromissos para conter o aquecimento global, não contou com figuras habituais como Tim Cook (Apple), Darren Woods (ExxonMobil) e Brian Moynihan (Bank of America). “Obviamente, isso tem a ver com o clima político nos Estados Unidos”, disse Sonia Dunlop, diretora-executiva do Global Solar Council, ao InfoMoney.

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Ausência de CEOs americanos na COP30 em Belém expõe mudança de prioridades corporativas e influência da política de Trump na agenda climática global | Foto: Reprodução/Canva
Ausência de CEOs americanos na COP30 em Belém expõe mudança de prioridades corporativas e influência da política de Trump na agenda climática global | Foto: Reprodução/Canva

A virada de Trump e o efeito dominó corporativo

Desde que reassumiu o cargo em janeiro, o presidente Donald Trump retomou uma política energética centrada em combustíveis fósseis e reduziu drasticamente o alcance das regulamentações ambientais. Entre as primeiras medidas, retirou novamente os EUA do Acordo de Paris e declarou uma “emergência energética” para justificar novos projetos de exploração de petróleo e gás.

O impacto foi imediato. Empresas que antes se apresentavam como líderes da transição verde passaram a rever compromissos. Grandes companhias de tecnologia, como Google e Microsoft, admitiram que não conseguirão cumprir suas metas climáticas devido ao alto consumo energético dos centros de dados usados em inteligência artificial. Já bancos e fundos de investimento abandonaram alianças climáticas firmadas nos últimos anos.

“Talvez não valha a pena um CEO vir à COP para falar sobre o que já está fazendo”, avaliou Dan Carol, diretor sênior de finanças climáticas do Milken Institute, para o InfoMoney.

Infraestrutura limitada e agenda dividida

Além da conjuntura política, fatores logísticos também pesaram. A limitação de hospedagem e estrutura em Belém levou parte das empresas a participar apenas de encontros corporativos no Sudeste brasileiro, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. O próprio CEO da Exxon, Darren Woods, esteve na capital paulista em um fórum organizado pela Câmara de Comércio dos EUA, mas não seguiu para o Pará.

“Nossa empresa, e acho que o setor em geral, não discorda do objetivo global de reduzir emissões. O debate está em como alcançar isso”, afirmou Woods durante o evento.

Um recuo simbólico

Para analistas, a ausência dos grandes executivos simboliza uma mudança mais profunda: a sustentabilidade deixou de ser uma bandeira prioritária no topo da agenda corporativa. “Não há um boicote político, mas sim uma reorganização de prioridades”, avaliou Sebastian Buckup, diretor do Centro de Natureza e Clima do Fórum Econômico Mundial, em entrevista ao InfoMoney.

A percepção de retrocesso preocupa ambientalistas. “Os líderes empresariais estão recuando sob pressão política”, alertou o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, também presente à COP30.

O contraste global

Enquanto os americanos recuam, líderes de outros países reforçam compromissos. O bilionário australiano Andrew Forrest, fundador da mineradora Fortescue, chegou a Belém em um barco movido a amônia, combustível de baixa emissão, e anunciou novos investimentos em energia limpa. Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, prometeu US$ 100 milhões, equivalente a R$528 milhões, para ações de redução de metano.

Na avaliação de Forrest, a transição energética segue inevitável. “A economia da energia limpa está avançando na direção certa. No fim, o que é certo prevalecerá”, disse.

A COP30 segue até o fim da semana em Belém, com negociações focadas na implementação do Acordo de Paris e na criação de mecanismos de financiamento climático, agora sob o desafio de engajar novamente a maior economia do planeta.

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