[anhembi_header_banner]

COP30 abre 2ª semana em Belém com foco em ação prática, negociações políticas e demandas sociais

A segunda semana da #COP30 começou nesta segunda-feira, 17 de novembro, em Belém (PA) com apelos por medidas concretas para reduzir emissões, acelerar a transição energética e avançar na justiça climática. O encontro reúne quase 200 países para revisar compromissos do Acordo de Paris e negociar as regras que orientam as políticas globais sobre clima, combinando metas, financiamento e prazos para reduzir o aquecimento do planeta.

Abertura da segunda semana da COP30
A abertura da rodada política trouxe falas de líderes que pediram menos promessas e mais implementação | Foto: Reprodução / Divulgação/ Cadu Gomes/VPR /COP30

O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, afirmou que a conferência precisa transformar metas em ações, citando o impacto humano do aquecimento global:

“O tempo das promessas já passou”, disse, pedindo uma “década de aceleração e entrega”.

O secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, também pediu ritmo mais rápido nas negociações. Ele alertou que decisões difíceis não podem ficar empurradas para o final das reuniões e que obstruções retardam resultados.

Em fala que lembrou os dez anos do Acordo de Paris, a presidente da 80ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Annalena Baerbock, apontou que avanços práticos, como a expansão das fontes renováveis, mostram que é possível avançar, mas que o processo exige cooperação contínua.

Esses discursos marcaram a passagem das discussões técnicas, tradicionalmente realizadas na primeira semana, para o campo ministerial, onde os debates se tornam menos técnicos e mais políticos.

Transição energética, investimentos e o plano “Belém 4x”

A mudança da matriz energética foi um tema central ao longo do dia. Relatos apresentados por autoridades e representantes internacionais destacaram que a energia renovável cresceu com rapidez nos últimos anos: em 2024, 90% da nova capacidade instalada no mundo veio de fontes limpas. Também foi citado que, no ano passado, foram mobilizados US$ 2,2 trilhões para energia renovável — um volume comparável ao PIB de dezenas de países.

O vice-presidente destacou a participação do Brasil nesse movimento: o país mantém uma matriz energética com grande parcela renovável, avançou no uso de etanol (30% na gasolina) e no biodiesel (15% no diesel) e integra iniciativas como o Belém 4x, que visa quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035 e já tem adesão de 25 países e entidades.

Alckmin na COP30
Representantes ressaltaram que a transição envolve investimentos em redes, infraestrutura e tecnologia, e que nem todos os países têm condições iguais para arcar com essas transformações | Foto: Reprodução /Rafa Neddermeyer/COP30

Estratégia para destravar os temas mais sensíveis: pacote único de negociações

Um desenvolvimento importante foi a decisão de tratar quatro pontos polêmicos em um pacote integrado: financiamento climático, metas nacionais (NDCs), medidas comerciais unilaterais e regras de transparência. A ideia, proposta pela presidência brasileira do evento, é combinar assuntos que geralmente bloqueiam o processo e negociar uma solução conjunta.

Segundo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, o modelo recebeu apoio dos delegados presentes. A organização anunciou um cronograma dividido em dois pacotes que devem ser trabalhados ao longo da semana, com a intenção de acelerar o fechamento de textos até sexta-feira, 21 de novembro.

A chefe executiva da conferência, Ana Toni, disse que um primeiro rascunho com encaminhamentos sobre esses temas seria entregue já nesta terça-feira, 18 de novembro. Para facilitar os debates, foram designados pares ministeriais para mediar cada assunto, como Reino Unido e Quênia para finanças; Alemanha e Zâmbia para adaptação; Egito e Espanha para mitigação.

Pela lógica proposta, um país que deseja negociar mais ambição nas metas nacionais pode, ao mesmo tempo, discutir garantias de financiamento; assim, as partes podem trocar concessões e avançar em conjunto.

Marcha indígena, atos dentro da área de eventos e reforço de segurança

A mobilização social acompanhou as negociações: cerca de 4 mil indígenas realizaram a Marcha Global Indígena pelo Clima, marco do “Dia dos Povos Indígenas na COP”. O protesto pediu demarcação urgente de terras, proteção de territórios ancestrais, desmatamento zero, fim da mineração e da exploração de combustíveis fósseis em áreas tradicionais, além de acesso direto a financiamento climático.

Marcha Global indígena pelo Clima
Lideranças presentes reivindicaram também maior participação dos povos tradicionais nas decisões e a criação de medidas específicas, como uma NDC indígena (compromisso climático próprio dos povos originários) | Foto: Reprodução / Hermes Caruzo/COP30

No pavilhão principal houve atos por uma transição justa, que proteja trabalhadores e comunidades na transição para uma economia de baixo carbono. Em paralelo, as forças de segurança reforçaram a presença na zona azul do evento: Força Nacional, Polícia Militar do Pará, Polícia Federal e o Exército atuaram nos acessos. Mudanças operacionais no controle de entrada, como a exigência de credencial por voluntários, também foram implementadas.

Uma precipitação forte durante a tarde deixou uma área entre pavilhões alagada e expôs risco elétrico, o que levou ao isolamento temporário do local por segurança.

Ciência e pressão por metas claras

Um manifesto lido por cientistas durante o dia pediu um roteiro claro para eliminar gradualmente combustíveis fósseis e proteger florestas tropicais. O documento chama atenção para riscos de ruptura em ecossistemas-chave, como a floresta amazônica e recifes de corais, e alerta que ecossistemas biodiversos já estão sob forte pressão.

Em outra frente, a rede Climate Action Network anunciou o prêmio simbólico “Fóssil do Dia” para a Nova Zelândia, criticada por reduzir suas metas de corte de metano. Organizações da sociedade civil argumentam que recuos desse tipo podem enfraquecer o ritmo global de redução de emissões.

A cientista Stela Herschmann, do Observatório do Clima, observou que a segunda semana concentra debates entre ministros com poder de decisão e que, por isso, muitos encaminhamentos finais acontecem em conversas fechadas entre delegações. Isso dificulta o acompanhamento público, mas é parte habitual do processo de consenso nas negociações internacionais.

Agenda técnica e operacional da reta final

Além das discussões políticas, foram anunciadas entregas técnicas. A direção da COP informou que um primeiro pacote de encaminhamentos sobre os temas mais espinhosos, incluindo o Global Stocktake (GST), que avalia o progresso coletivo em direção às metas do Acordo de Paris, seria apresentado em formato de rascunho. Depois virá um segundo pacote com outros assuntos da agenda.

Os debates práticos agora se concentram em pontos como:

  • Como medir e reportar reduções de emissões;
  • Regras para garantir transparência nas metas;
  • Mecanismos para financiar adaptação em países vulneráveis;
  • Limites e regras para medidas comerciais relacionadas ao clima.

Sugestões para você

Atualize-se.
Receba Nossa Newsletter Semanal