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Liquidação do Banco Master: o que muda para clientes e como funcionava o esquema que movimentou até R$ 12 bilhões?

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master nesta terça-feira, 18 de novembro, após uma operação da Polícia Federal expor um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões. A instituição deixa imediatamente de funcionar, e milhares de clientes passam a depender de regras específicas para reaver seus recursos.

Venda de títulos entram em investigação do Banco Master
As investigações envolvem a emissão e venda de títulos de crédito sem lastro, operações com indícios de irregularidade e a participação de dirigentes do Banco de Brasília (BRB) | Foto: Reprodução / Canva

As prisões foram feitas durante a Operação Compliance Zero, que cumpriu sete mandados de prisão e 25 buscas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. O presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso no Aeroporto de Guarulhos enquanto embarcava para fora do país. Quatro diretores também foram detidos. Em paralelo, o presidente do BRB e um diretor da instituição foram afastados por decisão judicial.

Com a liquidação decretada, todas as operações do Master são encerradas e o banco passa a ser administrado por um liquidante indicado pelo Banco Central. Esse processo envolve o levantamento completo dos bens, dívidas e valores disponíveis para ressarcimento.

Por que o Banco Central decretou a liquidação?

Com a divulgação das fraudes e o avanço das investigações, o Banco Central avaliou que o Master não tinha condições de permanecer no sistema financeiro. O risco de colapso, a falta de transparência nas operações e a emissão de títulos sem lastro levaram à interrupção da compra do banco pelo Grupo Fictor e culminaram no encerramento definitivo das atividades.

Agora, todos os passos seguintes, como o levantamento de bens, pagamentos, migração de ativos e atendimento aos clientes, serão conduzidos pelo liquidante designado pelo BC.

Como ficam os clientes do Banco Master?

Com o fechamento imediato da instituição, os clientes ficam distribuídos em três grupos, dependendo do tipo de produto financeiro que possuíam e do valor aplicado. Esse é o ponto mais importante para a população, especialmente para quem tem contas menores ou aplicações simples.

  1. Aplicações garantidas pelo FGC
    O Fundo Garantidor de Crédito cobre valores até R$ 250 mil por CPF, desde que o produto esteja dentro das regras de proteção. Quem se enquadra nessa faixa poderá solicitar o reembolso pelo aplicativo do FGC assim que o sistema for atualizado com os dados do banco. O processo exige:
    • Cadastro no aplicativo;
    • Preenchimento das informações;
    • Solicitação da garantia.

      Como a liquidação acabou de ser decretada, o aplicativo ainda não aparece como disponível para o Master.
  2. Valores acima de R$ 250 mil
    Quem ultrapassa o limite do FGC entra na massa de liquidação, uma espécie de fila que segue regras semelhantes às da lei de falências. O ressarcimento depende da venda de bens do banco, da arrecadação dos ativos e da ordem legal de prioridade entre credores. Não há prazo definido.
  3. Investimentos custodiados no Master
    Clientes que têm ações, títulos privados ou outros papéis mantidos na corretora do Master devem indicar uma nova instituição para transferir a custódia. Esse movimento é obrigatório, já que nenhum ativo pode permanecer registrado em uma corretora liquidada.
  4. Operações em aberto
    Quem possui contratos no mercado de derivativos, empréstimos de ativos ou negociações pendentes deve procurar o liquidante para encerrar as operações. Dependendo da situação financeira real da instituição, pode haver risco de perda parcial.
  5. Situações que podem gerar prejuízo
    Há cobertura adicional pelo Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) apenas em casos de falha grave da corretora, como operações feitas sem autorização ou valores enviados pelo cliente e não aplicados. Se o limite não for suficiente e não houver recursos disponíveis no processo de liquidação, perdas podem ocorrer.

O que revelam os dados que motivaram a liquidação?

Os documentos analisados pelo Ministério Público Federal mostram que o Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs, oferecendo juros acima das taxas comuns de mercado sem demonstrar capacidade futura de pagamento. A instituição ainda registrou aplicações em créditos que não existiam, adquiridos de uma empresa chamada Tirreno sem desembolsar qualquer valor.

Logo depois, revendeu esses créditos ao BRB, que desembolsou R$ 12,2 bilhões sem documentação adequada. As operações aconteceram enquanto o BRB tentava comprar o próprio Master, o que levantou suspeitas sobre a intenção de reforçar artificialmente a imagem financeira da instituição. Ao longo de 2024 e 2025, o BRB repassou R$ 16,7 bilhões ao Master em diferentes operações, parte delas com indícios de fraude.

Durante a operação da PF, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo na casa de um dos investigados. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 12,2 bilhões em bens, incluindo contas, aplicações financeiras, imóveis, veículos e até ativos registrados em nome dos filhos menores de investigados.

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