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RJ leva periferias, juventude e novas parcerias à COP30 em Belém: veja o que marcou a participação da cidade

A cidade de Belém está recebendo delegações de vários países para a COP30, a conferência anual da ONU que reúne governos, especialistas e representantes da sociedade para discutir soluções diante das mudanças climáticas. É o principal espaço internacional onde se negociam compromissos, metas e caminhos para reduzir impactos ambientais, financiar adaptação e fortalecer políticas públicas.

Nesse cenário global, o Rio de Janeiro marcou presença com uma agenda ampla entre os dias 10 e 15 de novembro. A cidade foi representada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, comandada por Tainá de Paula, que levou a Belém propostas, diagnósticos e experiências construídas nos territórios cariocas, especialmente nas periferias e entre jovens que já convivem com os efeitos da crise climática.

Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro participa da COP30
A semana consolidou a conexão entre Amazônia e Sudeste e reforçou o papel dos municípios no enfrentamento da emergência climática | Foto: Reprodução / Sergio Moraes/COP30 Brasil Amazônia/PR

A atuação do Rio incluiu debates técnicos, entrega de documentos oficiais, encontros com governos estrangeiros e participação em painéis estratégicos, além da formalização da lei que torna Rio e Belém “cidades-irmãs”.

A presença do Rio na COP30

Ao longo dos seis dias de programação, a secretaria participou de debates sobre água, economia circular, liderança feminina, resiliência urbana, governança climática e bioeconomia, além de reuniões técnicas e encontros com parlamentares brasileiros.

Na segunda-feira, 10 de novembro, integrou a abertura da Casa Jovens pelo Clima e da exposição “Mergulhos”. Na terça, 11 de novembro, participou da entrega do Protocolo de Calor e de painéis sobre água, economia circular e mulheres na ação climática. Na quarta,12 de novembro, esteve no Encontro Intergeracional pela Ação Climática Global, em debates sobre cultura, cidades e financiamento climático.

A edição deste ano reforçou o protagonismo de governos locais, já que os municípios lidam diretamente com efeitos imediatos da crise, como calor extremo, enchentes e deslizamentos.

Segundo Tainá de Paula, o principal objetivo do Rio em Belém foi ampliar o diálogo internacional, fortalecer a liderança da cidade nas pautas climáticas e defender acesso direto a financiamentos para municípios. Ela destacou que territórios periféricos precisam ocupar o centro das decisões, pois são os primeiros a sentir os impactos de eventos extremos.

Carta do Rio e ações com juventudes

Um dos marcos da participação carioca foi a entrega da “Carta do Rio”, consolidada após meses de debates nos Diálogos Locais — encontros em favelas e bairros periféricos que reuniram moradores, lideranças, juventudes e especialistas.

O documento apresenta propostas sobre moradia segura, saneamento, saúde, prevenção de desastres, adaptação urbana, redução de desigualdades e direito à cidade. A carta será usada como referência em discussões nacionais e internacionais.

Durante a COP30, Tainá participou da abertura da Casa Jovens pelo Clima, em 10 de novembro, reforçando a importância de incorporar vozes jovens nas decisões climáticas. Também dialogou com lideranças periféricas sobre mobilização social e formação em justiça climática, destacando que políticas públicas precisam nascer de realidades vividas no território.

Debates sobre cidades, desigualdade e financiamento climático

Entre 11 e 13 de novembro, a secretária integrou debates com parlamentares e prefeitos da Rede C40, que reúne megacidades comprometidas com ação climática.

Na agenda, ganhou destaque a carta da Coalizão Darci 40, que defende mais autonomia e financiamento direto para cidades enfrentarem a crise climática. O grupo propõe a destinação anual de US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 6,7 trilhões) para ações climáticas urbanas, além de liberdade para aplicar os recursos de acordo com as realidades locais.

Em painéis sobre mulheres, cidades e clima realizados em 12 de novembro, Tainá dividiu discussões com parlamentares como Carol Dartora, Rosa Amorim, Célia Xakriabá e Benedita da Silva. Esses debates abordaram racismo ambiental, impactos climáticos sobre mulheres negras e indígenas, violência territorial, insegurança alimentar e desigualdades no acesso a políticas de adaptação.

A secretária destacou que as políticas climáticas precisam refletir a diversidade das cidades brasileiras — desde áreas urbanas densas até territórios indígenas e quilombolas — e considerar o impacto real da crise sobre populações mais vulneráveis.

Cooperação entre Rio e Belém: agora cidades-irmãs

Durante a COP30, foi sancionada a lei que oficializa Rio de Janeiro e Belém como cidades-irmãs, iniciativa proposta por Tainá de Paula e aprovada pela Câmara Municipal.

O título reconhece a relação histórica, cultural e ambiental entre as duas capitais. Belém está na Amazônia, origem dos chamados “rios voadores” — correntes de umidade que influenciam diretamente as chuvas no Sudeste. A secretária explicou que a parceria fortalece conexão e cooperação:

A nova lei prevê intercâmbios em turismo, educação, saúde, cultura, comércio, gestão pública, meio ambiente e desenvolvimento urbano.

O gesto representa diplomacia entre municípios, aproximando políticas públicas, ampliando cooperações técnicas e fortalecendo agendas comuns de justiça climática. A parceria também simboliza a união entre o bioma amazônico e o litoral fluminense em um momento em que as duas regiões concentram debates centrais sobre o futuro climático do Brasil.

Participação na Zona Azul e interlocução internacional

Tainá esteve presente na Zona Azul, área mais restrita da COP onde ocorrem as negociações oficiais da ONU. Durante a semana, circulou por pavilhões internacionais, conversou com representantes de governos e dialogou com organismos multilaterais sobre adaptação, financiamento climático e transição energética.

O Rio reforçou a defesa de que cidades devem ter acesso direto a recursos internacionais, já que enfrentam diariamente efeitos como calor extremo e enchentes e precisam de investimentos rápidos para obras de infraestrutura, proteção de encostas e soluções de água e saneamento.

Mulheres, interseccionalidade e políticas urbanas

Em 12 de novembro, a secretária participou de mesas sobre protagonismo feminino na construção de políticas climáticas. As discussões mostraram como eventos extremos atingem com mais intensidade mulheres negras, indígenas e periféricas, que acumulam responsabilidades domésticas e comunitárias e enfrentam maior vulnerabilidade em situações de risco.

Os diálogos reforçaram que políticas urbanas e ambientais precisam considerar desigualdades estruturais para reduzir riscos e ampliar proteção social, especialmente em cidades com fortes contrastes socioeconômicos como o Rio.

Juventude, cultura e mobilização social

No dia 15 de novembro, o Rio esteve presente na Marcha Global pelo Clima, uma das maiores mobilizações da conferência. A participação reforçou que justiça climática precisa alcançar primeiro quem enfrenta calor extremo, falta de saneamento, insegurança hídrica e enchentes.

Já em 16/11, Tainá integrou o painel “Grandes Eventos e Ação Climática”, discutindo como cultura, gestão pública e grandes eventos podem fortalecer políticas climáticas e mobilizar populações. O debate abordou como experiências culturais e iniciativas comunitárias podem aproximar as pessoas das decisões sobre clima.

A presença do Rio na COP30 combinou articulação internacional, participação social, defesa de financiamento climático para cidades e construção de alianças estratégicas. Agora, a secretaria retorna ao Rio com o desafio de transformar debates em políticas práticas, com estratégias de adaptação ao calor extremo, ações de educação ambiental, proteção de territórios vulneráveis e melhorias na infraestrutura urbana diante de eventos cada vez mais frequentes.

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