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Brasil supera 10 milhões de mulheres empreendedoras, aponta Sebrae

O Brasil alcançou um recorde histórico no número de mulheres à frente de negócios, segundo levantamento do Sebrae. De acordo com os dados, mais de 10,4 milhões de brasileiras são donas de empresas, um avanço acumulado de aproximadamente 42 por cento entre 2012 e 2024. O número marca o maior patamar já registrado no país durante o Dia do Empreendedorismo Feminino e confirma a expansão contínua da participação feminina na economia.

Embora o cenário empresarial brasileiro ainda apresente desafios relacionados à desigualdade de renda, ao acesso ao crédito e às condições estruturais de trabalho, a pesquisa do Sebrae mostra sinais consistentes de fortalecimento. A maior presença de mulheres em atividades econômicas diversas têm ganhado espaço mesmo diante de um ambiente competitivo e em transformação.

Os dados detalhados indicam que a maior parte das mulheres empreendedoras está no setor de serviços, que concentra 56,8 por cento dos negócios liderados por elas. Em seguida aparece o comércio, responsável por 25,1 por cento das atividades. A diversidade racial também se destaca no estudo: 50,4 por cento dessas empreendedoras são mulheres negras e 48,2 por cento são mulheres brancas, segundo a mesma pesquisa.

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Número recorde de mulheres empreendedoras reforça avanço da participação feminina na economia brasileira | Foto: Reprodução/Canva
Número recorde de mulheres empreendedoras reforça avanço da participação feminina na economia brasileira | Foto: Reprodução/Canva

A trajetória de quem impulsiona o crescimento

Histórias individuais ajudam a ilustrar como a expansão do empreendedorismo feminino vem se consolidando entre as brasileiras nos últimos anos. Um exemplo é o da jovem Agatha Araújo, que iniciou sua trajetória empreendedora aos 17 anos, quando ainda havia acabado de concluir o ensino médio. A marca que ela criou, chamada Elements Care, surgiu inicialmente como uma iniciativa voltada apenas ao autocuidado, sem a intenção comercial que mais tarde se tornaria realidade.

Agatha afirma que desenvolveu os primeiros produtos pensando em soluções práticas para o próprio dia a dia, com foco em rotinas acessíveis de skincare utilizando biocosméticos. Após observar resultados consistentes ao longo do uso pessoal, decidiu expandir a produção. Ela conta que dedicou meses a estudos, testes e ajustes de formulação para que as primeiras unidades fossem lançadas de maneira estruturada.

Hoje, quase cinco anos após o início da marca, que completa o período em março de 2026, Agatha segue conciliando os compromissos do empreendimento com a formação acadêmica. Estudante de Biomedicina, ela avança para a especialização em Reprodução Humana, área escolhida por afinidade, que representa uma segunda frente de carreira que deseja desenvolver.

A fundadora destaca que sua principal motivação tem sido tornar rotinas de cuidado mais acessíveis. Agatha lembra que, na adolescência, gostaria de ter produtos de skincare, mas não tinha condições de comprar uma linha completa. Esse cenário foi determinante para que a Elements tivesse como princípio oferecer alternativas com custo reduzido em comparação a marcas tradicionais, mantendo foco em formulações limpas e com ingredientes de origem natural.

Além da preocupação com preços acessíveis, a jovem ressalta que sempre fez questão de manter a identidade da marca alinhada à própria história. Agatha afirma que busca mostrar ao público que está envolvida em todas as etapas, desde o desenvolvimento até a comunicação, reforçando o vínculo direto com consumidores, muitos deles jovens que se identificam com sua trajetória.

Educação e fortalecimento das redes de apoio

Os dados apresentados pelo Sebrae reforçam a tendência de que a capacitação profissional desempenha um papel decisivo para ampliar as oportunidades econômicas de mulheres nas classes C e D. Cursos voltados à gestão financeira, planejamento estratégico, marketing e formalização de negócios têm alcançado cada vez mais empreendedoras em busca de crescimento sustentável.

Alguns casos de políticas de crédito específicas para mulheres, como linhas lançadas por instituições de fomento federais, estaduais e municipais, também têm impulsionado novos empreendimentos. Em 2024, por exemplo, ações de estímulo ao empreendedorismo feminino foram reforçadas com créditos adicionais, incluindo programas de capacitação técnica para mulheres em situação de vulnerabilidade econômica.

No estudo divulgado em 2025, o Sebrae destaca que o empreendedorismo feminino se torna um dos motores de transformação econômica, especialmente nas regiões onde a formalização empresarial significa maior segurança financeira familiar e ampliação da renda. O trabalho autônomo, muito comum entre mulheres que fazem parte das classes C e D, segue como porta de entrada para novos negócios, mas cresce também o número de empreendedoras que avançam na formalização e na busca por profissionalização.

Participação feminina e perspectivas para os próximos anos

Os dados mais recentes apontam que o fortalecimento do empreendedorismo feminino deve seguir em expansão, impulsionado pela ampliação das redes de apoio, pela maior oferta de cursos profissionalizantes e pelo aumento da representatividade em diferentes setores da economia. O avanço observado nos últimos anos ajuda a consolidar um ambiente de negócios mais diversificado e alinhado a políticas de inclusão.

A discussão sobre políticas públicas voltadas especificamente para mulheres empreendedoras também tem ganhado destaque. Debates sobre acesso ao crédito, redução de desigualdades regionais, incentivo à inovação e criação de ambientes de negócios mais inclusivos continuam presentes nas agendas de organizações e entidades do setor produtivo.

O crescimento registrado pelo Sebrae mostra que milhões de mulheres seguem ampliando sua presença no mercado e liderando iniciativas que movimentam segmentos relevantes da economia nacional. A continuidade desse movimento dependerá de fatores estruturais, como acesso a capacitação, infraestrutura e redes de apoio institucional.

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