O período de Natal é uma das datas mais importantes para o comércio brasileiro e também uma das mais desafiadoras. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, o Natal de 2024 movimentou cerca de R$ 73 bilhões no varejo nacional. As projeções utilizadas por entidades do setor para 2025 indicam manutenção desse ritmo, impulsionado pelo pagamento do décimo terceiro salário e pela busca por presentes de menor valor, mas com utilidade prática.
Apesar do aumento no consumo, as famílias têm evitado gastos acima do planejado. A EY-Parthenon, em análise sobre comportamento de consumo para as festas de fim de ano, registrou em 2025 que 42% dos brasileiros pretendem gastar menos que no ano anterior, priorizando presentes úteis e categorias com foco em custo-benefício. Isso mostra que a busca por economia não é exceção, e sim tendência consolidada entre consumidores com renda mais apertada.
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Nesse contexto, entender como economizar no presente de Natal é essencial para atravessar a temporada sem comprometer as contas de janeiro, período em que se concentram despesas como IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana), IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), matrícula escolar e reajuste de preços em serviços básicos.
Planejamento é o ponto de partida
Para evitar endividamento, o recomendado é estabelecer um limite claro para gastos com presentes. Uma prática simples é definir uma lista com as pessoas que serão presenteadas e o valor máximo para cada uma. Isso reduz compras por impulso, que são comuns em ambientes muito decorados, com promoções constantes e campanhas publicitárias intensas.
Outro recurso útil é separar uma parte do décimo terceiro salário para essas compras. De acordo com o Dieese, o benefício em 2025 injeta aproximadamente R$ 291 bilhões na economia brasileira. Para quem recebe, reservar entre 10% e 20% pode garantir que os presentes não se tornem dívida. A estratégia ajuda especialmente quem tem renda variável ou trabalha informalmente.
Comparar preços e evitar parcelamentos longos
Pesquisas mostram que comparar preços pode gerar economias significativas. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) orienta que a diferença entre lojas e plataformas digitais pode ultrapassar 40% em produtos populares no Natal, como brinquedos, itens de perfumaria e eletrônicos simples.
O uso de aplicativos de comparação de preços, assim como observar o histórico de valores, torna a compra mais consciente. Muitos consumidores acreditam que toda promoção é vantajosa, mas isso nem sempre ocorre. Há casos em que o preço é elevado artificialmente semanas antes, para depois ser reduzido ao valor original durante campanhas de desconto.
O parcelamento também merece atenção. Dados do Banco Central (BC)mostram que, em 2025, a taxa média do crédito rotativo permanece acima de 300% ao ano, o que reafirma a importância de evitar financiamentos longos. Comprar à vista, quando possível, garante menor impacto no orçamento e reduz a chance de entrada no endividamento.
Presentes úteis ganham força entre consumidores
Com o orçamento mais apertado, o comportamento de compra dos brasileiros tem mudado. Presentes úteis, funcionais e de menor valor têm sido prioridade. Levantamento do Instituto Locomotiva de 2025 mostra que consumidores preferem produtos como kits de higiene, roupas básicas, utensílios domésticos, calçados e acessórios de uso cotidiano. Esses itens costumam apresentar menor variação de preço entre lojas e têm vida útil maior.
Outra tendência observada é a compra de presentes coletivos. Famílias maiores reduzem custos ao dividir o valor entre irmãos ou primos para presentear uma única pessoa, prática que tem se mostrado mais comum nos últimos anos.
Opções econômicas crescem: do artesanato ao presente feito em casa
Além das compras tradicionais, cresce o interesse por presentes artesanais. Produções locais de artesanato, cosméticos naturais, acessórios e itens personalizados podem custar entre R$ 20 e R$ 60, valores mais acessíveis em comparação a produtos industrializados. Essa alternativa movimenta pequenos negócios e, ao mesmo tempo, gera economia para quem compra.
Outra opção é o presente feito em casa. Doces natalinos, cartões personalizados e lembranças artesanais têm baixa complexidade e podem custar menos de R$ 15 por unidade, dependendo dos materiais utilizados. A prática, comum em famílias que desejam economizar, ganhou força desde a pandemia, quando muitos brasileiros passaram a produzir em casa.
Compras antecipadas aliviam o bolso
Comprar em outubro ou novembro pode reduzir gastos. Dados da NielsenIQ mostram que produtos sazonais começam a subir de preço na primeira quinzena de dezembro, devido ao aumento da demanda. Isso vale tanto para presentes quanto para alimentos e bebidas.
Além disso, compras antecipadas reduzem o risco de parcelamentos desnecessários e garantem maior disponibilidade de produtos. Plataformas de e-commerce também oferecem cupons de desconto mais frequentes antes do período crítico de Natal.
Como organizar as finanças para não comprometer janeiro
- Estabelecer um teto de gastos realista;
- Priorizar pagamento à vista;
- Comparar preços em pelo menos três lojas;
- Evitar compras por impulso;
- Reservar parte do décimo terceiro salário;
- Optar por presentes úteis ou de menor valor;
- Considerar alternativas artesanais.


