O Ibovespa, que é o principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), alcançou nesta quinta-feira, 4 de dezembro, seu terceiro recorde seguido. Ele subiu 1,68% e fechou aos 164.468,14 pontos, o maior valor nominal da história. Durante o dia, o índice chegou a 164.550,77 pontos, o nível mais alto já registrado em um pregão.
O movimento ocorre porque investidores no Brasil e nos Estados Unidos acreditam que os juros nos dois países podem começar a cair em 2026. Esse tipo de expectativa geralmente aumenta o interesse por ações, o que puxa o Ibovespa para cima.

Crescimento fraco da economia reforça chance de corte da Selic
Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de tudo que o país produz, no terceiro trimestre de 2025. A economia cresceu 0,1% entre julho e setembro em relação aos três meses anteriores. Esse foi o pior desempenho desde o fim de 2024, quando o PIB tinha caído 0,1%.
O PIB tem mostrado perda de força ao longo do ano:
- 1º trimestre de 2025: + 1,5% (revisado);
- 2º trimestre de 2025: + 0,3% (revisado);
- 3º trimestre de 2025: + 0,1%.
Como o crescimento está desacelerando, parte do mercado passou a considerar que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode iniciar o corte da taxa básica de juros do país, a Taxa Selic, já em janeiro.
Cenário internacional também influenciou o Ibovespa
Nos Estados Unidos, novos dados da economia e do mercado de trabalho indicam que o banco central norte-americano, o Federal Reserve (Fed), pode reduzir os juros já na próxima reunião.
Quando os juros nos EUA ficam menores, investidores buscam outras oportunidades pelo mundo, o que beneficia países emergentes como o Brasil. Assim, moedas como peso chileno, peso mexicano e real brasileiro ficaram mais fortes durante o dia.
Congresso aprova LDO e situação dos Correios entra no radar
O mercado também acompanhou a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 pelo Congresso Nacional. A LDO definiu uma meta de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para o governo central.
O texto inclui uma exceção de R$ 10 bilhões na meta fiscal das empresas estatais. Essa exceção foi criada para permitir que o governo faça um possível aporte nos Correios, que enfrentam dificuldades financeiras.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo estuda um aporte, mas só poderá fazê-lo seguindo as regras do arcabouço fiscal, que limita os gastos públicos. Segundo Haddad, a exceção aprovada na LDO é uma medida preventiva, caso o governo decida ajudar financeiramente a estatal após a aprovação de um plano de reestruturação.
Destaques da bolsa e fechamento do câmbio
Entre as empresas que fazem parte do Ibovespa, a Totvs (TOTS3) liderou as altas do dia, subindo 7%. O dólar teve pouco movimento no fim do pregão e fechou a R$ 5,3103, quase estável. A moeda perdeu força pela manhã com a perspectiva de queda dos juros nos Estados Unidos, mas recuperou parte da baixa durante a tarde devido a ajustes técnicos.


