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Entenda como o Brasil e o agro mudaram após 30 anos de conferências do clima

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Trinta anos após a primeira Conferência das Partes, a COP, realizada em 1995 em Berlim, a discussão climática ganhou novos contornos e maior complexidade. O Brasil, que sediou a Rio-92 e posteriormente recebeu a COP30 em Belém do Pará, passou a ocupar um papel de destaque na construção de políticas ambientais e no debate global sobre o clima. Uma análise divulgada pela Forbes Brasil, mostra como o país estruturou leis, ampliou compromissos e transformou o agronegócio ao longo dessas três décadas.

Leia também: Pós-COP30: a oportunidade é ampliar a presença do Brasil onde a economia avança

A discussão internacional sobre clima deixou de se restringir à preservação ambiental e passou a integrar temas como segurança alimentar, desenvolvimento sustentável e energia | Foto: Reprodução/Canva

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A discussão internacional sobre clima deixou de se restringir à preservação ambiental e passou a integrar temas como segurança alimentar, desenvolvimento sustentável e energia | Foto: Reprodução/Canva

A evolução dos compromissos ambientais brasileiros

Desde a Rio-92, que serviu de base para a criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o Brasil avançou na organização institucional para lidar com temas ambientais. O país estruturou o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Amazônia Legal após 1992, consolidando órgãos e políticas voltadas à proteção de biomas.

A Constituição de 1988 já estabelecia no Artigo 225 o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Em 2009, a Política Nacional sobre Mudança do Clima foi instituída como a principal legislação brasileira sobre emissões e adaptações climáticas. Essas normas ampliaram instrumentos de monitoramento e controle, marcando o início de uma atuação mais sistemática nas agendas ambientais.

Ao mesmo tempo, o impacto do desmatamento se tornou central para o debate. Cerca de 10 por cento das emissões globais vêm do corte de florestas, enquanto aproximadamente 75 por cento derivam do uso de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás. O Brasil, por possuir parte significativa da floresta amazônica, assumiu papel estratégico na gestão desse cenário.

Transformações no agronegócio brasileiro

As mudanças climáticas também provocaram adaptações profundas no setor agropecuário ao longo das últimas três décadas. A reportagem destaca que o produtor rural passou a operar em um modelo descrito como indústria a céu aberto, integrando tecnologia, sustentabilidade e manejo responsável dos recursos naturais.

O solo, água e biodiversidade se tornaram elementos centrais na estratégia produtiva. A preservação da vegetação favorece a umidade do solo, regula o clima local e contribui para os ciclos naturais, fatores fundamentais para a produtividade agrícola. Esse entendimento fortaleceu a consolidação de práticas voltadas à agricultura de baixo carbono.

Legislação ambiental e proteção florestal

O Código Florestal Brasileiro, modernizado em 2012, é destacado na análise como uma das legislações mais completas do mundo no tema da preservação ambiental. Ele regulamenta Áreas de Preservação Permanente, estabelece regras de Reserva Legal e determina que propriedades privadas devem manter porcentagem mínima de vegetação nativa. O Cadastro Ambiental Rural, o CAR, tornou-se ferramenta importante para monitoramento e fiscalização.

A estrutura legal criada nas últimas décadas é citada como reflexo de um país que se preparou para lidar com as mudanças do clima, alinhando produção agropecuária e metas de sustentabilidade.

As metas brasileiras apresentadas na COP30

A COP30, realizada em Belém, marcou um momento simbólico para o país, que voltou a sediar um evento climático de grande porte após a Rio-92. O Brasil apresentou Contribuições Nacionalmente Determinadas com meta de redução de 67 por cento das emissões até 2035 e compromisso de zerar emissões até 2050.

O setor agropecuário tem ampliado esforços em inovação, aumento de produtividade e uso de energia limpa. Esses fatores fazem parte de uma transição ecológica que visa atender às exigências de competitividade e à necessidade de adaptação às mudanças climáticas.

Debates globais e desafios até 2050

A discussão internacional sobre clima deixou de se restringir à preservação ambiental e passou a integrar temas como segurança alimentar, desenvolvimento sustentável e energia. Além disso, há uma projeção de população mundial em 11 bilhões de pessoas até 2050, o que pressiona recursos naturais e reforça a necessidade de sistemas produtivos mais eficientes.

Os desafios incluem manejo responsável da biodiversidade, proteção hídrica e inovação nas cadeias produtivas. A transição climática se tornou, segundo a análise, uma plataforma de desenvolvimento que orienta políticas públicas e decisões econômicas.

O mutirão que marcou a COP30

Um ponto destacado na reportagem é o conceito de mutirão introduzido na COP30. Em vez de uma entrega estruturada em roteiro rígido, a conferência buscou aproximar diferentes grupos, empresas, governos e comunidades em um processo colaborativo. O evento reuniu mais de 360 atividades na AgriZone e aproximadamente 25 mil participantes, com debates sobre agricultura tropical e sustentabilidade.

A condução das negociações brasileiras reforçou a busca por construção conjunta de soluções, prática que chamou a atenção de delegações internacionais.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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