IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

60% dos trabalhadores têm dificuldade para equilibrar vida pessoal e profissional, revela estudo

Por

·

Uma pesquisa da Starbem, plataforma de telemedicina e bem-estar digital, identificou que 60% dos trabalhadores brasileiros têm dificuldade para conciliar as demandas da vida pessoal e da vida profissional. O estudo ouviu 5,9 mil colaboradores de 89 empresas, reunindo diferentes portes e setores.

Segundo o levantamento, o desafio aparece em todos os tipos de empresas. Nas companhias com mais de 250 funcionários, o número de pessoas afetadas chega a 60%. Nas empresas pequenas, o percentual sobe para 67,4%. Já nas empresas médias, que contam entre 100 e 250 colaboradores, a dificuldade é relatada por 73,1% dos trabalhadores, índice mais alto entre os grupos analisados.

O estudo destaca que o tamanho da companhia não elimina os riscos emocionais. Segundo o relatório, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional continua sendo o principal fator de impacto na saúde mental dos trabalhadores, independentemente do porte da empresa.

Leia também: Brasil entra no top 20 global de milionários e supera países desenvolvidos, mostra relatório do UBS

Pressão da rotina profissional interfere diretamente no bem-estar emocional dos trabalhadores | Foto: Reprodução/Canva
Pressão da rotina profissional interfere diretamente no bem-estar emocional dos trabalhadores | Foto: Reprodução/Canva

Consequências da pandemia ainda influenciam a rotina

O diretor de produto e tecnologia da Starbem, Renato Barbosa, explicou em entrevista a IstoÉ que ainda existem reflexos da pandemia de covid-19 no modo como as pessoas lidam com suas jornadas. De acordo com Barbosa, muitos trabalhadores mantiveram hábitos desenvolvidos no período de trabalho remoto, como responder mensagens e tarefas fora do horário contratado.

Ele destacou que, antes da pandemia, havia um entendimento mais claro de que o ambiente doméstico era separado do ambiente profissional. O relatório aponta que, mesmo com o retorno presencial, grande parte dos trabalhadores continuam conectados o tempo inteiro, o que dificulta a desconexão ao fim do expediente.

As entrevistas também mostraram que a queixa dos trabalhadores não está ligada somente ao volume de tarefas, mas ao fato de nunca conseguirem se desligar totalmente do trabalho.

Lideranças despreparadas agravam os impactos emocionais

Outro ponto ressaltado pelo estudo da Starbem é a relação entre dificuldades emocionais e falta de suporte das lideranças. O relatório indica que até 47% dos trabalhadores de empresas pequenas relatam desafios nessa área, índice que sobe para 53% nas empresas médias e 56% nas grandes.

Renato Barbosa afirmou que a saúde mental precisa ser tratada como tema prioritário dentro das organizações. Ele defende que líderes sejam treinados para lidar com situações de burnout, afastamentos e reintegrações, além de compreender como orientar profissionais em momentos de instabilidade emocional.

O relatório recomenda a ampliação da comunicação sobre saúde mental e a criação de canais que permitam queixas e relatos, além de práticas que incentivem a desconexão fora do horário de trabalho.

Medidas que podem contribuir para reduzir o problema

A pesquisa sugere que empresas adotem estratégias para apoiar os trabalhadores e reduzir os riscos emocionais. Entre as recomendações, estão:

• Estabelecer políticas claras de desligamento após o expediente;
• Orientar lideranças a atuar de forma acolhedora e preparada;
• Criar campanhas de comunicação sobre saúde mental;
• Disponibilizar espaços para escuta e relatos;
• Ajustar processos internos para diminuir pressões desnecessárias.

Barbosa afirmou que medidas tecnológicas também podem contribuir, como a limitação do envio automático de e-mails fora do horário de trabalho. Segundo ele, no entanto, o ponto principal continua sendo a comunicação entre empresa e funcionário, para reforçar a importância do equilíbrio entre rotina profissional e vida pessoal.

Equilíbrio como ponto central

Os resultados obtidos pela Starbem reforçam que as dificuldades para separar as responsabilidades pessoais das profissionais continuam presentes no cotidiano do trabalhador brasileiro. O estudo mostra que, mesmo com diferentes estruturas organizacionais, o desafio permanece ao nível semelhante e traz impactos relevantes para o bem-estar emocional.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade