O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na última segunda-feira, 12 de janeiro, a aplicação de uma tarifa de 25% sobre países que mantêm relações comerciais com o Irã. A cobrança, segundo o governo norte-americano, entra em vigor imediatamente.

A decisão amplia a pressão econômica sobre o Irã e pode gerar efeitos indiretos no comércio internacional, atingindo países que mantêm trocas regulares com o mercado iraniano, entre eles o Brasil.
Qual é a relação comercial entre Brasil e Irã?
Apesar de o Irã não figurar entre os maiores parceiros comerciais do Brasil, ele tem relevância estratégica no Oriente Médio. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do país (aproximadamente R$ 422 milhões).
Entre os principais produtos comprados estão ureia, usada como fertilizante na agricultura, além de pistache e uvas secas, itens alimentícios.
No sentido contrário, o Brasil exportou US$ 2,9 bilhões ao Irã em 2025 (cerca de R$ 14,5 bilhões). As vendas foram concentradas em milho, soja e açúcar, produtos básicos do agronegócio brasileiro e relevantes para o abastecimento alimentar iraniano.
Como a nova tarifa pode afetar a economia brasileira?
A tarifa anunciada não é aplicada diretamente sobre mercadorias brasileiras, mas cria um risco indireto. Países ou empresas que continuarem negociando com o Irã podem enfrentar custos extras ou restrições para acessar o mercado dos Estados Unidos.
Na prática, isso pode levar exportadores brasileiros a reavaliar contratos, rotas de venda e mercados de destino, especialmente em setores que também dependem do comércio com os norte-americanos. Mesmo sem impacto imediato, a medida aumenta a incerteza no comércio exterior, principalmente em cadeias ligadas a alimentos, energia e fertilizantes.
O que motivou a decisão dos Estados Unidos?
O anúncio ocorre em meio ao agravamento da crise política no Irã, onde protestos contra o regime se intensificaram desde o fim de dezembro. As manifestações questionam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder máximo do país há mais de três décadas.
Organizações internacionais de direitos humanos apontam centenas de mortos e mais de 10 mil prisões desde o início dos protestos. Em resposta, o governo iraniano determinou cortes de internet, dificultando a comunicação interna e externa.
Crise econômica pressiona população iraniana
A situação política se soma a um quadro econômico já frágil. O Irã enfrenta dificuldades há anos devido a sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos desde 2018, quando Trump, em seu primeiro mandato, retirou o país de um acordo internacional que limitava o programa nuclear iraniano.
Em 2025, novas sanções também foram adotadas por organismos internacionais. Como resultado, o país convive com inflação superior a 40% ao ano, forte alta no custo de vida e desvalorização da moeda local. Apenas em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade de seu valor em relação ao dólar, atingindo a menor cotação da história.
Contexto geopolítico amplia tensões
A decisão dos Estados Unidos ocorre em um cenário de tensão geopolítica elevada. Em junho de 2024, o Irã esteve envolvido em um conflito direto com Israel, encerrado após ataques conduzidos por forças israelenses e norte-americanas contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano.
Desde então, o tema nuclear voltou ao centro das discussões internacionais, com avaliações sobre sanções adicionais, negociações diplomáticas e possíveis ações militares.
Relação com tarifas já impostas ao Brasil
O anúncio também se soma a um histórico recente de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em 2025, o governo norte-americano elevou taxas sobre diversas mercadorias do Brasil, chegando a alíquotas de até 50% em alguns casos.
Posteriormente, uma lista de exceções retirou itens estratégicos dessas sobretaxas, como aeronaves civis, petróleo, fertilizantes e produtos energéticos. Meses depois, novas negociações resultaram na retirada de tarifas sobre café, carnes e frutas.
O que esperar a partir de agora?
Ainda não há detalhes sobre como a tarifa de 25% ligada ao Irã será aplicada na prática. A falta de clareza sobre contratos em vigor aumenta a cautela entre governos e empresas.
Para o Brasil, o impacto dependerá do alcance efetivo da medida e do peso que o comércio com o Irã terá nas decisões de exportadores e importadores. No cenário global, o anúncio reforça um ambiente de maior interferência política no comércio internacional, com efeitos diretos sobre preços, cadeias produtivas e relações diplomáticas.


