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China retoma importação de frango do Rio Grande do Sul após um ano e meio de embargo

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Após um ano e meio de restrições, a China anunciou o fim do embargo à importação de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada pelas autoridades chinesas na última sexta-feira, 16 de janeiro, e confirmada esta semana pelo Ministério da Agricultura e por entidades que representam o setor de proteína animal no Brasil.

China encerra embargo ao Frango do Rio Grande do Sul
A suspensão das compras havia sido imposta em julho de 2024, depois da confirmação de um surto da Doença de Newcastle em uma granja comercial no município de Anta Gorda, no interior do estado | Foto: reprodução / Canva

À época, o governo gaúcho decretou emergência zoossanitária por cerca de três semanas, período em que medidas de controle e monitoramento foram adotadas para conter a disseminação da doença.

A retomada das importações foi oficializada em um comunicado conjunto da Administração-Geral das Alfândegas da China e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país asiático. O documento revoga um ato anterior que havia proibido a entrada do produto brasileiro com base em uma análise de risco sanitário.

Entenda por que o embargo foi imposto

A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral que atinge aves e pode causar grandes prejuízos à produção avícola (focado na criação de aves, como frangos, codornas, perus, etc). Embora não represente risco direto ao consumo humano quando controlada, a presença do vírus em granjas comerciais costuma levar países importadores a suspender compras por precaução.

No caso do Rio Grande do Sul, o foco identificado em 2024 levou à interrupção imediata das exportações para a China, um dos mercados mais rigorosos do mundo em relação a questões sanitárias. Pouco tempo depois, em maio de 2025, o estado também registrou um caso de gripe aviária em uma granja no município de Montenegro. Após 28 dias sem novos registros, o Brasil foi novamente reconhecido como livre da doença.

Mesmo assim, em novembro de 2025, os chineses optaram por liberar as compras de carne de frango de outros estados brasileiros, mantendo a restrição apenas para o território gaúcho. A decisão prolongou o impacto econômico sobre produtores e frigoríficos locais.

Impacto direto nas exportações do estado

A ausência do mercado chinês teve reflexo imediato nos números do comércio exterior. Em 2024, o bloqueio contribuiu para uma queda aproximada de 1% nas exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul. Antes do embargo, a China respondia por quase 6% dos embarques do estado, percentual considerado relevante para o equilíbrio das vendas externas.

Parte dessa perda foi compensada com o redirecionamento da produção para outros destinos, mas o setor admite que substituir completamente o mercado chinês não é simples. O país asiático é um dos maiores importadores de proteína animal do mundo e costuma absorver grandes volumes, o que ajuda a conferir estabilidade aos preços e ao fluxo de exportações.

Segundo o Ministério da Agricultura, a reabertura só foi possível após o envio de relatórios técnicos que comprovaram a adoção de todas as medidas exigidas pelos protocolos internacionais de saúde animal. Entre elas, ações de vigilância, rastreamento, controle sanitário e erradicação do foco identificado.

Retomada vista como sinal de confiança

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) avaliou a decisão como um passo importante para a normalização do comércio. Em nota, a entidade afirmou que o fim do embargo reforça a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e demonstra o reconhecimento internacional da forma como o país lida com crises sanitárias na produção animal.

Segundo a associação, as negociações com a China envolveram diálogo contínuo ao longo dos últimos meses. Durante esse período, autoridades brasileiras e representantes do setor encaminharam informações detalhadas sobre as ações adotadas no estado, sempre alinhadas às regras definidas por organismos internacionais de saúde animal.

A expectativa agora é de uma retomada gradual dos embarques. Isso porque os sistemas de habilitação das plantas exportadoras precisam ser atualizados, e os certificados sanitários devem ser novamente liberados pelas autoridades chinesas. O processo tende a ocorrer de forma progressiva, sem uma normalização imediata de todo o volume exportado antes da suspensão.

Por que a China é um mercado estratégico?

A China ocupa posição central no comércio global de alimentos e é um dos principais destinos do frango brasileiro. Além do tamanho do mercado consumidor, o país tem papel relevante na formação de preços internacionais da proteína animal.

Para produtores do Rio Grande do Sul, a reabertura representa não apenas a recuperação de uma fatia importante das exportações, mas também maior previsibilidade para o planejamento da produção. Com o retorno do mercado chinês, o setor espera reduzir a dependência de destinos menores e equilibrar melhor a distribuição das vendas externas.

Entidades do agronegócio avaliam que a decisão também pode ter efeito positivo sobre a renda no campo e sobre a atividade industrial ligada à avicultura, cadeia que gera milhares de empregos diretos e indiretos no estado.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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