Uma forte tempestade de inverno atingiu os Estados Unidos durante a última semana de janeiro, deixando ao menos 30 mortos e mais de 500 mil pessoas sem energia elétrica devido ao frio extremo, neve e gelo que cobriram grande parte do território americano.
O fenômeno climático provocou impactos severos não só na vida da população, mas também na economia, com efeitos em setores como transporte, energia, turismo, trabalho e produção industrial. As informações sobre as consequências econômicas e humanas foram divulgadas por agências internacionais como a Associated Press (AP) e veículos de notícias que cobrem a situação em vários estados do país.
O Serviço Nacional de Meteorologia informou que a tempestade espalhou neve e gelo por uma faixa de aproximadamente 2,1 mil quilômetros, do Arkansas até a região conhecida como Nova Inglaterra, no norte do país.
Em algumas áreas, os acumulados de neve chegaram a cerca de 50 centímetros, com sensação térmica de até menos 31 graus Celsius, cenário que impactou negativamente atividades econômicas e operacionais em larga escala.

Setor aéreo sofre prejuízos bilionários
Um dos setores mais afetados economicamente foi o transporte aéreo. Milhares de voos foram cancelados ou atrasados por causa da tempestade e das condições adversas em aeroportos. Segundo dados de rastreamento de voos, mais de 11 mil partidas foram canceladas no país em um único fim de semana, número considerado o maior desde a pandemia de Covid-19.
As companhias aéreas reportaram prejuízos significativos por causa da interrupção de operações e da queda na receita em meio aos cancelamentos. A American Airlines, uma das maiores empresas do setor, informou que o impacto da tempestade pode reduzir sua receita em aproximadamente US$ 150 milhões a US$ 200 milhões, o que representa um impacto de cerca de R$ 750 milhões a R$ 1 bilhão para a receita dessa companhia aérea nos primeiros meses de 2026.
Esse valor reflete apenas uma parte dos prejuízos diretos no setor aéreo e ainda não contabiliza efeitos indiretos, como licenças não remuneradas de trabalhadores, custos superiores com reacomodação de passageiros e alteração de logística de cargas relacionadas às cadeias produtivas globais.
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Energia e apagões afetam produção e consumo
A tempestade também resultou em interrupções no fornecimento de energia elétrica em várias regiões dos Estados Unidos, principalmente no Sul e no centro-leste do país. Segundo monitoramento de redes elétricas, centenas de milhares de imóveis ficaram sem eletricidade em meio ao frio intenso, situação que afeta diretamente o funcionamento de empresas, indústrias e serviços essenciais.
Os apagões provocados pelo gelo nas linhas de transmissão e pela sobrecarga natural das redes refletem custos adicionais para operadores de energia e empresas afetadas, que precisam mobilizar geradores, mão de obra extra e serviços de manutenção emergencial. Esses fatores tendem a elevar os custos operacionais e, em muitos casos, podem retardar a produção industrial e o comércio local.
Analistas econômicos estimam que tempestades severas como essa podem gerar perdas bilionárias para a economia de um país grande como os Estados Unidos. Uma projeção preliminar da empresa privada de mídia e serviços meteorológicos, a AccuWeather, sugere que o impacto total dessa tempestade, considerando interrupções de comércio, custos de apagões, danos materiais e outras perdas, pode estar na faixa de US$ 105 bilhões a US$ 115 bilhões, um intervalo aproximado de R$ 525 bilhões a R$ 575 bilhões ao câmbio atual.
Transporte terrestre e mobilidade pública
Além dos voos, a mobilidade terrestre foi profundamente afetada pela tempestade. Estradas cobertas de neve e gelo tornaram o tráfego perigoso ou impossível em muitas regiões, impedindo a circulação de mercadorias e trabalhadores. Esse tipo de interrupção tem efeitos econômicos mais amplos, pois aumenta o custo do transporte de produtos, atrasa entregas e reduz a eficiência das cadeias logísticas.
Empresas que dependem de entregas rápidas ou de circulação diária de insumos e produtos, como supermercados, transportadoras e serviços de entrega, podem enfrentar queda de receita e aumento de despesas em razão das condições adversas.
A paralisação do transporte público também influencia diretamente o consumo em áreas urbanas, com menos pessoas circulando e, consequentemente, menor movimentação em serviços e comércio local. Roberta Viana, brasileira que reside nos Estados Unidos há algum tempo, nos revelou que diante da tempestade, sua rotina vem sendo muito impactada.
“As tempestades acabam impactando minha rotina e também geram impacto econômico, principalmente por causa de atrasos no transporte público, como os trens, além de cancelamentos de compromissos presenciais e dificuldade de locomoção”, explica a Roberta.
Turismo e comércio local
Cidades que dependem de turismo enfrentam perdas quando eventos climáticos extremos desmotivam viagens e estadias. Com os aeroportos e transportes públicos comprometidos, a visitação turística doméstica e internacional tende a cair, reflexo direto da dificuldade de acesso. Essa redução é sentida imediatamente em restaurantes, hotéis, serviços de transporte terrestre e atrações turísticas.
Além disso, pequenos e médios estabelecimentos comerciais em áreas afetadas pela tempestade podem enfrentar queda no movimento de clientes, especialmente durante os dias mais severos do evento.
Impacto para o trabalhador e inclusão social
Para a população em geral, os efeitos econômicos da tempestade também se manifestam no bolso das famílias. Trabalhadores que dependem de transporte público ou do deslocamento diário ao trabalho podem perder dias de salário por paralisações nas viagens. Em muitos casos, empresas menores não conseguem compensar imediatamente a perda de produção ou vendas, o que se reflete no rendimento mensal.
Famílias que enfrentam apagões e frio intenso também podem ter gastos adicionais com aquecimento, compra de gás, lenha, ou equipamentos de emergência como geradores, elevando os custos domésticos no curto prazo. Nessa situação, muitos acabam se planejando conforme a previsão do tempo, como a Roberta, que afirma adequar sua rotina a previsão do tempo, evitando deslocamento em momentos conturbados como este.
Perspectivas e levantamentos futuros
Especialistas financeiros alertam que ainda é cedo para uma estimativa exata dos prejuízos econômicos totais causados pela tempestade de inverno nos Estados Unidos, mas os números preliminares mostram um impacto que vai além de custos imediatos.
Prejuízos estimados em centenas de bilhões de reais evidenciam a magnitude dos eventos climáticos extremos no contexto econômico moderno e a importância de investimentos em infraestrutura resiliente e políticas de adaptação às mudanças climáticas.