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Endividamento atinge quase 7 em cada 10 famílias em São Paulo no início de 2026

O endividamento segue elevado entre as famílias da capital paulista, mesmo com sinais de alívio no ritmo de crescimento das dívidas. É o que apontam os dados dados divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Endividamento das famílias em São Paulo
Em janeiro, 68,9% dos lares de São Paulo tinham algum tipo de compromisso financeiro, enquanto 19,9% estavam com contas em atraso | Foto: Reprodução / Canva

Os números indicam uma estabilidade técnica em relação a dezembro de 2025, quando o endividamento atingia 69% das famílias e a inadimplência alcançava 20%. Apesar de a variação ser pequena, fica clara a dimensão do desafio enfrentado pelos moradores da maior cidade do país: mais de dois terços das famílias convivem com parcelas, financiamentos ou uso recorrente de crédito, e cerca de uma em cada cinco não consegue manter os pagamentos em dia.

O levantamento aponta que mais de 3 milhões de famílias estão endividadas na capital paulista, das quais aproximadamente 892 mil apresentam atrasos no pagamento de contas, como cartões, financiamentos ou carnês.

Comparação anual mostra avanço do endividamento

Na comparação com janeiro de 2025, o cenário revela que o percentual de famílias com algum tipo de dívida cresceu 1,7 ponto percentual, saindo de 67,2% para os atuais 68,9%. Já a inadimplência mostrou pouca variação no período, passando de 19,6% para 19,9%.

Segundo a FecomercioSP, esse comportamento reflete um ambiente econômico marcado por inflação mais moderada e mercado de trabalho aquecido, fatores que ajudam as famílias a manter o pagamento das contas em dia, mesmo com maior uso do crédito. No entanto, a entidade alerta que a melhora é limitada.

Embora o percentual de inadimplentes não tenha aumentado de forma significativa, o perfil das famílias com atrasos piorou. O tempo médio de atraso nos pagamentos subiu para 64 dias em janeiro, acima dos 62,6 dias registrados em dezembro. Na comparação anual, porém, o indicador permaneceu no mesmo patamar, o que sinaliza dificuldade persistente para regularizar dívidas acumuladas.

Outro dado que reforça essa cautela é o percentual de famílias que afirmam não ter condições de quitar os débitos em atraso, que ficou em 8,8%. Em dezembro, o índice era de 8,6%, e em janeiro do ano passado, 8,7%, mostrando que esse grupo permanece praticamente inalterado.

Renda influencia comportamento das dívidas

A pesquisa também analisou o endividamento de acordo com a renda das famílias e identificou movimentos distintos entre os grupos. Entre aqueles com renda mensal de até dez salários mínimos, houve leve redução do endividamento na passagem de dezembro para janeiro, de 73,2% para 72,8%. Já entre as famílias com renda acima desse patamar, o percentual subiu de 57% para 57,6% no mesmo período.

Na comparação anual, porém, ambos os grupos registraram aumento. Em janeiro de 2025, o endividamento atingia 71,4% entre as famílias de menor renda e 54,9% entre as de renda mais elevada. Os dados mostram que o uso do crédito avançou de forma ampla, independentemente da faixa de rendimento.

Quando o foco é a inadimplência, o cenário muda. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o percentual de atrasos permaneceu estável. Já no grupo de renda mais alta, houve queda de 8,8% para 8,4%, indicando maior capacidade de reorganizar o orçamento.

Cartão de crédito segue como principal fonte de dívida

O levantamento confirma que o cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida das famílias paulistanas. Em janeiro, 79,8% dos lares endividados tinham compromissos nessa modalidade, embora o percentual tenha recuado em relação a dezembro (80,6%) e também frente a janeiro do ano passado, quando alcançava 83,1%. O financiamento imobiliário aparece como o segundo maior grupo de dívidas, respondendo por 16,8%, índice muito próximo do recorde histórico da série. Na sequência, surgem os carnês, com 12,8%.

O tempo médio de comprometimento das dívidas permaneceu em sete meses, repetindo o resultado de dezembro e ficando abaixo dos 7,6 meses registrados no início de 2025. Já a parcela da renda comprometida com pagamentos ficou em 27,5%, praticamente estável em relação ao mês anterior.

Nos meios de pagamento, o PIX segue ganhando espaço e alcançou novo recorde de preferência entre os consumidores, sendo apontado por 29,9% dos entrevistados como a forma mais vantajosa para quitar despesas. O cartão de crédito parcelado aparece em segundo lugar, com 24,7%.

Outro ponto destacado pela FecomercioSP é a queda na intenção de contratar novos créditos. O percentual de famílias que pretendem assumir financiamentos ou empréstimos nos próximos três meses caiu de 11,4% para 10,6%. Entre os que ainda planejam recorrer ao crédito, a maioria afirma que o objetivo é consumo, enquanto uma parcela menor pretende usar os recursos para pagar dívidas existentes.

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