Janeiro Branco, mês dedicado ao cuidado a saúde mental, não é sobre frases bonitas. É sobre coragem emocional. É sobre aquilo que a gente sente, mas evita nomear. Este texto nasce exatamente desse lugar.
Nem toda forma de amor é suave. Algumas formas de amor são incômodas — porque pedem que a gente enxergue o que preferia não ver. E não existe saúde mental quando a gente precisa se esconder para sobreviver.

Nas quebradas, nos bairros afastados dos centros, nas casas pequenas onde mora muita gente, nas igrejas lotadas aos domingos, nos bares de esquina, nas filas do SUS, nos portões das escolas, existe uma regra invisível que quase ninguém chama pelo nome: a heteronormatividade. A ideia de que só existe um jeito certo de amar, de ser homem, de ser mulher, de existir.
Quem cresce nesse ambiente aprende isso sem ninguém precisar ensinar. Aprende no jeito de olhar. Nas piadas. Nos comentários. Nos silêncios. E é exatamente por isso que muita gente boa, trabalhadora, que cuida da família, que respeita o próximo, não percebe quando está machucando alguém sem querer.
Não é ódio. É costume. E costumes também adoecem.
No dia a dia, isso aparece de formas simples e duras:
“Isso é fase.”
“Não precisa se expor assim.”
“Respeito, mas…”
“Na minha casa, não.”


