As novas regras do Imposto de Renda começam a produzir efeitos práticos no bolso dos trabalhadores já neste início de ano. A partir dos salários pagos em fevereiro, passa a valer a isenção total do imposto para quem ganha até R$ 5 mil por mês, além de um alívio gradual para rendas um pouco mais altas.

A principal novidade é que trabalhadores, servidores públicos, aposentados e pensionistas que recebem até R$ 5 mil mensais deixam de ter qualquer desconto de Imposto de Renda na fonte, ou seja, o valor líquido recebido no fim do mês aumenta, já que a “mordida do Leão” deixa de existir nessa faixa salarial.
Alívio cresce até R$ 7.350
Além da isenção total para salários de até R$ 5 mil, a nova regra prevê uma redução progressiva do imposto para quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350 por mês. Nesse intervalo, o desconto diminui de forma gradual: quanto mais próximo o salário estiver de R$ 5 mil, maior será a economia; quanto mais perto de R$ 7.350, menor o benefício.
Quem recebe R$ 5.000, por exemplo, deixa de pagar até R$ 312,89 de Imposto de Renda por mês, uma economia de 100%. Já um trabalhador com salário de R$ 6.000 tem um alívio menor, de cerca de R$ 179,75 mensais. Para quem ganha R$ 7.000, a economia cai para pouco mais de R$ 46. Acima de R$ 7.350, não há redução: o cálculo segue exatamente a tabela tradicional do imposto, sem qualquer desconto adicional.
Esse formato cria uma transição gradual entre a isenção total e a tributação integral, evitando um salto brusco no desconto para quem ultrapassa o limite dos R$ 5 mil.
Como funciona a conta da isenção?
A isenção anunciada considera a aplicação do chamado desconto simplificado, um abatimento padrão previsto em lei. Esse desconto corresponde a 20% da renda usada no cálculo do imposto, limitado atualmente a R$ 312,89 por mês. É esse mecanismo que permite zerar o imposto para quem ganha até R$ 5 mil brutos, mesmo sem outras deduções, como gastos com saúde ou educação.
Por isso, o valor de R$ 5 mil não deve ser entendido como um limite rígido para todos os casos. Quem tem outras deduções pode continuar pagando menos imposto ou até nada, mesmo com renda um pouco maior. Por outro lado, contribuintes com rendimentos adicionais precisam ficar atentos.
Atenção para quem tem mais de uma renda
Um ponto importante da nova regra envolve pessoas que recebem de mais de uma fonte, como quem tem dois empregos ou combina salário com aluguel. Mesmo que cada rendimento isolado fique abaixo de R$ 5 mil, a soma pode ultrapassar esse valor. Nesses casos, o imposto não será totalmente dispensado e poderá ser cobrado na declaração anual.
A mesma lógica vale para o décimo terceiro salário. Se a soma dos rendimentos do ano ultrapassar os limites de isenção, o ajuste será feito posteriormente, na prestação de contas com a Receita Federal.
Impacto anual também muda em 2026
As alterações não se limitam ao desconto mensal. No cálculo anual do Imposto de Renda, quem receber até R$ 60 mil ao longo de 2026 também ficará isento. Para rendas entre R$ 60.000,01 e R$ 88,2 mil, haverá uma redução gradual do imposto devido. Acima desse valor, o cálculo segue sem qualquer desconto extra.
Esse redutor anual tem um limite: ele não gera imposto negativo nem aumenta automaticamente a restituição. Serve apenas para diminuir o valor a pagar, quando houver imposto devido.
Quem paga a conta da mudança?
A ampliação da isenção representa uma renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões. Para compensar essa perda de arrecadação, o governo criou o chamado Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado para contribuintes de renda muito elevada.
Essa nova cobrança atinge salários altos, lucros e dividendos, além de rendimentos de aplicações financeiras tributáveis. A estimativa oficial é que cerca de 141 mil pessoas, consideradas no topo da pirâmide de renda, passem a pagar mais imposto para equilibrar as contas públicas.
O que muda?
Para quem ganha até R$ 5 mil, o salário líquido aumenta já no pagamento de fevereiro. Para rendas intermediárias, o desconto continua existindo, mas fica menor. Já quem recebe acima de R$ 7.350 não percebe diferença imediata, pois a tabela tradicional permanece em vigor. Apesar das alterações, a Receita Federal manteve a estrutura básica do Imposto de Renda. O que mudou foram os redutores aplicados sobre essa tabela, funcionando como um abatimento extra para beneficiar as faixas mais baixas.
Com isso, o governo busca aliviar o orçamento mensal de milhões de famílias, sem alterar formalmente as alíquotas do imposto. Ainda assim, é importante acompanhar os rendimentos ao longo do ano para evitar surpresas na declaração anual, especialmente no caso de quem possui mais de uma fonte de renda. As novas regras já estão valendo e, para muitos trabalhadores, fevereiro marca o início de um salário um pouco mais cheio no fim do mês.


