O principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) voltou a bater recorde histórico nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026. O Ibovespa encerrou o pregão aos 185.674,43 pontos, com alta de 1,58%, marcando o maior nível de fechamento já registrado. Durante o dia, o índice chegou a alcançar 187.333,83 pontos na máxima, ampliando a sequência positiva observada desde a segunda quinzena de janeiro.
O movimento ocorreu na contramão dos mercados de Nova York, onde os principais índices fecharam em queda. O National Association of Securities Dealers Automated Quotation (Nasdaq), a segunda maior bolsa de valores eletrônica e automatizada dos Estados Unidos, que concentra ações de tecnologia, recuou 1,43% no encerramento do pregão (horário em que ações e outros investimentos são comprados e vendidos).
Mesmo assim, o mercado brasileiro continuou em alta, mostrando mais interesse por investimentos em países emergentes (que ainda estão em desenvolvimento, mas que vem ganhando espaço na economia global).
O volume financeiro negociado na sessão foi de R$ 36,5 bilhões. No acumulado da semana e do mês, o Ibovespa registra alta de 2,38%. No acumulado de 2026, o índice já sobe 15,24%, segundo dados da B3, a bolsa brasileira.
Leia também: Endividamento atinge quase 7 em cada 10 famílias em São Paulo no início de 2026

Dólar em queda reforça entrada de capital no país
Além da valorização das ações, o mercado de câmbio também refletiu o aumento do fluxo de recursos para o Brasil. O dólar à vista fechou em queda de 0,18%, sendo negociado em torno de R$ 5,25. A desvalorização da moeda norte-americana frente ao real indica entrada de capital estrangeiro, mesmo com ajuste mais moderado próximo ao fim do pregão.
Esse movimento ocorre em um contexto global de diversificação de portfólios. Em entrevista ao sistema de notícias Broadcast, do Grupo Estado, o diretor de macroeconomia para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, afirmou que o cenário atual não representa uma saída generalizada de recursos dos Estados Unidos, mas sim uma redistribuição de investimentos.
Segundo ele, investidores estavam excessivamente expostos à maior economia do mundo e passaram a redistribuir recursos para outros mercados, como o brasileiro, em busca de retorno e equilíbrio de risco.
Ações de peso puxam alta do índice
Entre os destaques do dia esteve a Vale, principal ação da carteira do Ibovespa, que subiu 4,92% no fechamento. O desempenho da mineradora superou o das ações da Petrobras, que também fecharam em alta, com ganho de 1,24% nas ações ordinárias e 0,91% nas preferenciais.
No setor bancário, os papéis apresentaram valorização mais moderada ao longo da tarde. O Banco do Brasil avançou 1,54% no encerramento. Já o Santander Brasil teve desempenho negativo após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025.
A subsidiária brasileira do Santander registrou lucro de 579 milhões de euros no período. Convertido para reais, considerando a cotação média de R$ 5,50 por euro, o valor corresponde a cerca de R$ 3,18 bilhões. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, o que levou a Unit do banco a fechar em queda de 2,39% na B3.
No acumulado de 2025, o lucro da operação brasileira do Santander foi de 2,168 bilhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 11,9 bilhões, segundo dados divulgados pela instituição.
Expectativa de queda da Selic anima setores domésticos
Outro fator que contribuiu para a alta do Ibovespa foi o recuo dos juros futuros. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) cederam após a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros da economia.
O documento reforçou a sinalização de que a taxa Selic, hoje em 15% ao ano, pode sofrer um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião, prevista para março. A expectativa de juros mais baixos tende a beneficiar setores mais sensíveis ao crédito e ao consumo.
Ações de varejo, consumo e construção civil registraram altas relevantes. Entre os destaques estiveram Cyrela PN, com valorização de 5,64%, Magazine Luiza, com alta de 2,95%, Assaí, que subiu 2,08%, MRV, com avanço de 1,57%, e Lojas Renner, que encerrou o dia com ganho de 3,59%.
Na ponta positiva do índice também apareceram Vamos, com alta de 7,37%, e RD Saúde, que subiu 5,99%.
Fluxo estrangeiro segue como principal motor da Bolsa
Dados divulgados pela B3 mostram que janeiro de 2026 terminou com o segundo maior fluxo estrangeiro da série histórica. O ingresso líquido de capital externo foi de R$ 26,313 bilhões no mês. O resultado ficou abaixo apenas de janeiro de 2022, quando houve entrada de R$ 32,490 bilhões.
O volume registrado em janeiro deste ano superou todo o saldo positivo de investidores estrangeiros ao longo de 2025, reforçando a relevância desse fluxo para a sustentação dos recordes recentes do Ibovespa.
Especialistas destacam que a combinação de juros ainda elevados, expectativa de corte gradual da Selic e maior estabilidade macroeconômica tem mantido o Brasil atrativo no cenário internacional.
Resultados das empresas entram no radar do mercado
Apesar do desempenho positivo da Bolsa no início de 2026, o mercado segue atento aos desdobramentos da política monetária e ao ritmo da atividade econômica ao longo do ano. Setores mais dependentes do consumo das famílias e do crédito continuam sendo monitorados, diante dos efeitos acumulados dos juros elevados sobre a renda e o investimento.
Além disso, empresas com maior exposição ao comércio internacional acompanham fatores externos, como tensões geopolíticas e medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, que têm influenciado o fluxo global de comércio.
Esses elementos fazem parte do conjunto de variáveis observadas pelos investidores no acompanhamento do mercado financeiro brasileiro.


