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Olimpíada de Inverno de 2026 custa mais que o previsto e pressiona cofres públicos

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Os custos da Olimpíada de Inverno de Milão-Cortina 2026 estão superando o planejamento financeiro inicial, puxando para cima o gasto total com a realização dos Jogos e aumentando a pressão sobre os cofres públicos da Itália. O impacto econômico está gerando debates sobre o uso de recursos do governo e o retorno financeiro de eventos esportivos dessa magnitude.

De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, o orçamento inicial previsto para a realização dos Jogos era de cerca de US$ 1,3 bilhão, o equivalente a aproximadamente R$ 6,6 bilhões, considerando a cotação média de R$ 5,10 por dólar. No entanto, esse valor subiu para mais de US$ 1,7 bilhão, o que corresponde a cerca de R$ 8,7 bilhões.

Além desse montante, o governo italiano destinou cerca de US$ 3,5 bilhões em investimentos públicos para obras de infraestrutura, como estradas, transporte e instalações esportivas, valor que equivale a aproximadamente R$ 17,8 bilhões.

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Grandes eventos esportivos elevam investimentos públicos e ampliam o debate sobre custos e retorno econômico | Foto: Reprodução/Milano Cortina 2026
Grandes eventos esportivos elevam investimentos públicos e ampliam o debate sobre custos e retorno econômico | Foto: Reprodução/Milano Cortina 2026

Infraestrutura pesa no aumento dos gastos

Parte relevante do aumento dos custos está ligado às obras de infraestrutura necessárias para viabilizar os Jogos. Embora muitos desses investimentos sejam classificados como legados para a população, eles exigiram aportes elevados em um curto período de tempo.

Entre os projetos que mais pressionaram o orçamento está a construção de uma nova pista de bobsled (esporte de inverno em que os competidores descem em um trenó em pistas de gelo) em Cortina d’Ampezzo, renomada estação de esqui no norte da Itália. A obra foi alvo de críticas, inclusive do Comitê Olímpico Internacional (COI) que sugeriu o uso de uma pista já existente em outro país para reduzir custos. Ainda assim, a decisão foi manter a construção local, o que elevou os gastos.

Segundo o presidente-executivo dos Jogos, Andrea Varnier, em apresentações ao COI, houve dificuldades para cumprir prazos e controlar despesas, especialmente diante da inflação no setor de construção e aumento no custo de materiais. Essas informações foram reportadas por veículos internacionais que acompanharam o desenvolvimento do evento e os relatórios internos de orçamento divulgados pelo comitê organizador.

Custos públicos entram no centro do debate

O aumento dos gastos reacendeu o debate sobre o uso de dinheiro público em megaeventos esportivos. Embora a Olimpíada de Inverno tenha menor visibilidade que os Jogos Olímpicos de Verão, o impacto fiscal é significativo, especialmente em países que já enfrentam desafios para equilibrar suas contas.

No caso da Itália, parte dos recursos utilizados vem diretamente do orçamento público, o que significa menos espaço para investimentos em áreas como saúde, educação e políticas sociais no curto prazo.

Pesquisadores que estudam o impacto econômico de eventos olímpicos, como o Oxford Olympics Study, mostram que os custos reais das Olimpíadas frequentemente superam as estimativas iniciais, um padrão observado ao longo de várias edições do evento.

Esse estudo, atualizado em 2024 por pesquisadores da Universidade de Oxford, indica que revisões de orçamento são comuns e que os gastos tendem a subir à medida que os projetos avançam.

Empregos e turismo ajudam, mas não compensam tudo

Durante o período de preparação e realização dos jogos, há geração de empregos temporários, principalmente na construção civil, serviços e turismo. Hotéis, restaurantes e comércios locais tendem a registrar aumento no movimento, o que impulsiona a economia regional.

No entanto, esses efeitos são concentrados no curto prazo. Após o encerramento do evento, parte das estruturas construídas pode ficar subutilizada, gerando custos adicionais de manutenção para o poder público.

Estudos sobre edições anteriores, como a Olimpíada de Inverno de Turim, em 2006, mostram que algumas instalações ficaram subutilizadas após os Jogos, limitando os efeitos econômicos contínuos. Relatos da agência de notícias Reuters apontaram que muitos desses espaços exigiram investimentos extras para se manterem ativos.

Comparação com outras Olimpíadas reforça tendência

O estouro de orçamento não é uma exclusividade da Olimpíada de Inverno de 2026. Levantamentos de universidades europeias e dados do próprio COI indicam que a maioria das edições olímpicas ultrapassou os valores inicialmente planejados.

A combinação de prazos rígidos, exigências técnicas elevadas e pressão por padrões internacionais contribui para o aumento dos custos. Além disso, eventos climáticos, mudanças em projetos e inflação global também impactam o orçamento final.

No contexto atual, com economias pressionadas por juros altos e menor crescimento econômico, esses gastos ganham ainda mais relevância no debate público.

Transparência e controle ganham importância

Diante do cenário de custos elevados, cresce a cobrança por maior transparência na divulgação dos gastos e por mecanismos mais rígidos de controle orçamentário. Organizações internacionais e órgãos de fiscalização defendem que informações claras ajudam a sociedade a compreender como os recursos são aplicados e quais são os retornos esperados.

No caso da Olimpíada de Inverno de 2026, dirigentes afirmam que os dados financeiros seguem sendo atualizados e distribuídos aos órgãos de controle, enquanto obras ainda passam por ajustes finais.

Impacto econômico segue em acompanhamento

Com os jogos concluídos, o impacto econômico total da Olimpíada de Inverno ainda será medido ao longo dos próximos anos. Indicadores como turismo, arrecadação local, uso das arenas e custos de manutenção devem ajudar a dimensionar os efeitos reais do evento sobre a economia italiana.

Especialistas em economia esportiva afirmam que avaliações de longo prazo são essenciais para medir se os investimentos geraram efeitos proporcionais aos gastos realizados. Esse tipo de análise costuma ser usado para comparar se os benefícios econômicos de um evento desse porte compensam os custos em um horizonte maior de tempo.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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