Andrew Mountbatten-Windsor, ex-príncipe britânico e irmão mais novo do rei Charles III, foi preso no Reino Unido sob suspeita de má conduta em cargo público, segundo informou a Polícia do Vale do Tâmisa. A detenção ocorreu na propriedade onde ele vive, em Sandringham, no condado de Norfolk, no mesmo dia em que completou 66 anos, e acontece após a divulgação de novos documentos que indicariam possível envio de informações confidenciais ao bilionário Jeffrey Epstein.
Segundo a polícia, um homem na faixa dos 60 anos foi colocado sob custódia após uma “avaliação minuciosa” de provas recentes. Embora as autoridades não tenham divulgado oficialmente o nome, a BBC confirmou que se trata de Andrew.

A investigação foi aberta cerca de uma semana depois da divulgação de arquivos que indicariam que Andrew teria enviado relatórios confidenciais sobre viagens e oportunidades de investimento quando atuava como representante especial do Reino Unido para comércio internacional, cargo que ocupou até 2011. Os documentos, datados de 2010, mencionam visitas a países como Hong Kong, Singapura e Vietnã.
Rei Charles III diz que lei deve seguir seu curso
O rei Charles III se pronunciou oficialmente sobre o caso e afirmou que recebeu a notícia com preocupação, mas destacou que o processo deve ocorrer dentro da legalidade.
“Recebi com profunda preocupação as notícias sobre Andrew Mountbatten-Windsor e a suspeita de má conduta em cargo público. O que se segue agora é o processo completo, justo e adequado pelo qual esta questão será investigada da forma apropriada pelas autoridades competentes. A lei deve seguir seu curso”, afirmou o monarca em comunicado.
A declaração reforça o posicionamento adotado pela família real desde que as denúncias vieram à tona, de permitir que as investigações ocorram sem interferência institucional.
Ligação com Epstein está no centro das investigações
O caso atual tem relação direta com a longa associação entre Andrew e Jeffrey Epstein, um especialista em finanças norte-americano acusado de comandar um esquema de tráfico sexual de menores. Epstein foi preso em 2019 e morreu dentro de uma cela em Nova York enquanto aguardava julgamento. A morte foi oficialmente considerada suicídio.
O nome de Andrew apareceu diversas vezes nos arquivos do caso, incluindo registros de viagens no jato particular de Epstein e fotografias divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Entre os materiais revelados recentemente estão imagens em que Andrew aparece inclinado sobre uma mulher não identificada. O contexto das fotos não foi esclarecido pelas autoridades.
Além disso, Andrew também foi acusado de agressão sexual por Virginia Giuffre, uma das principais denunciantes do caso Epstein. Ela afirmou que foi abusada quando ainda era menor de idade. O ex-príncipe sempre negou as acusações e, em 2022, fez um acordo judicial para encerrar o processo, sem admitir culpa. Virginia Giuffre morreu em abril de 2025, aos 41 anos, segundo sua família.
Escândalo levou à perda de títulos e afastamento da vida pública
As controvérsias envolvendo Epstein tiveram consequências diretas para Andrew dentro da monarquia britânica, que se afastou da vida pública após conceder uma entrevista à BBC para explicar sua relação com o especialista financeiro, em 2019, e que foi amplamente criticada.
Posteriormente, em decisão oficial anunciada pelo Palácio de Buckingham, o rei Charles III retirou seus títulos, honrarias e o tratamento de Alteza Real. Desde então, ele passou a ser chamado apenas de Andrew Mountbatten-Windsor.
Antes disso, Andrew também havia renunciado ao título de duque de York e deixado funções oficiais. Ele deixou a residência Royal Lodge, uma mansão com cerca de 30 cômodos em Windsor, e passou a viver em uma propriedade mantida com apoio financeiro da família.
Suspeita atual envolve possível envio de informações confidenciais
A investigação em andamento não trata diretamente das acusações de abuso sexual, mas sim da suspeita de que Andrew tenha compartilhado documentos confidenciais com Epstein quando ainda ocupava cargo público. Esses relatórios incluiriam dados relacionados a viagens oficiais e oportunidades econômicas.
Esse tipo de acusação é classificado como má conduta em cargo público, crime que pode levar a penas severas no Reino Unido, incluindo prisão perpétua, dependendo da gravidade. Até o momento, Andrew não comentou publicamente a prisão recente, mas, em manifestações anteriores, sempre negou qualquer irregularidade e disse lamentar a amizade com Epstein.
Caso reacende debate sobre transparência e responsabilidade
A prisão de Andrew ocorre em um momento em que o Reino Unido discute temas como transparência, ética pública e responsabilidade de autoridades. Embora ele não exerça mais funções oficiais, o fato de ter sido membro ativo da família real durante décadas faz com que o caso tenha forte repercussão.
As investigações seguem em andamento, e as autoridades ainda não divulgaram prazos ou detalhes sobre os próximos passos.


