A greve geral realizada nesta quinta-feira, 19 de fevereiro, na Argentina, já provoca efeitos no Brasil e pode gerar perdas econômicas entre R$ 2,08 bilhões e R$ 3,12 bilhões, segundo estimativa do Instituto de Economia da Universidade Argentina de la Empresa (Uade). A paralisação, que interrompeu transportes, voos e atividades produtivas, também levou ao cancelamento de operações aéreas com origem e destino em aeroportos brasileiros.
No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, voos para cidades argentinas foram suspensos. Companhias aéreas como Latam e Gol confirmaram alterações nas rotas, com cancelamentos e mudanças de horário.

A paralisação acontece no mesmo dia em que o Congresso argentino iniciou a análise de uma reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei, considerada uma das maiores mudanças nas leis trabalhistas do país nas últimas décadas.
Cancelamentos de voos e impacto direto no transporte
O impacto maior ocorre porque o transporte público argentino, que inclui ônibus, trens e metrôs, também aderiu à paralisação. Esse setor é considerado essencial para manter o funcionamento da economia.

Segundo o estudo, se o transporte não tivesse parado, o prejuízo cairia para cerca de R$ 936 milhões, valor bem menor que o estimado atualmente. Isso mostra como a mobilidade influencia diretamente o comércio, a indústria e os serviços.
Perdas equivalem à parte relevante da economia do mês
O levantamento aponta que a paralisação representa cerca de 0,8% de tudo o que seria produzido na Argentina em fevereiro. Isso equivale a mais de 20% da atividade econômica de um dia inteiro, o que ajuda a dimensionar o tamanho do impacto.
Esses valores consideram apenas perdas diretas, ou seja, o que deixou de ser produzido, vendido ou transportado. Parte dessas perdas pode ser recuperada depois, mas nem tudo volta ao normal. Restaurantes, por exemplo, praticamente não conseguem compensar o faturamento perdido, enquanto o comércio recupera apenas uma parte.
Os setores mais afetados são indústria, construção, comércio, educação e saúde, pois muitas dessas atividades dependem da presença de trabalhadores, transporte e circulação de clientes. Quando esses fatores são interrompidos, empresas deixam de produzir e vender. Além disso, paralisações podem aumentar custos, já que algumas empresas precisam reorganizar operações depois.
Reforma trabalhista é o principal motivo da paralisação
A greve foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical do país, em protesto contra a proposta de reforma trabalhista. O projeto já passou pelo Senado e agora está em análise na Câmara dos Deputados.
Entre as principais mudanças estão:
- Ampliação da jornada diária para até 12 horas;
- Redução do valor de indenizações;
- Maior flexibilização nas férias;
- Mudanças nas regras de demissão;
- Novas limitações ao direito de greve.
O governo afirma que o objetivo é reduzir a informalidade, que atinge mais de 40% dos trabalhadores, além de incentivar a criação de empregos. Por outro lado, sindicatos afirmam que as mudanças reduzem direitos.
Economia argentina vive momento delicado
A paralisação ocorre em um momento de ajustes econômicos no país. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a Argentina tem 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, com taxa de desemprego de 6,6%. O Congresso deve continuar debatendo a reforma trabalhista nos próximos dias. Enquanto isso, sindicatos não descartam novas mobilizações.
Para o Brasil, os efeitos mais visíveis são os cancelamentos de voos e impactos no turismo e nos negócios entre os dois países, que são parceiros comerciais importantes. A Argentina é um dos principais destinos internacionais de brasileiros e também um importante mercado para empresas nacionais.


