Nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, a Enel realizou uma coletiva de imprensa com o intuito de compartilhar o que vem acontecendo com a concessionária. O presidente do grupo italiano, Flavio Cattaneo, revelou que a Enel não tem interesse em vender a concessão de distribuição de energia em São Paulo.
Durante a reunião, o presidente revelou que, por decorrência do apagão que aconteceu em São Paulo, a Enel se envolveu em um processo que pode levar a uma quebra de contrato com o governo. Essa informação gerou especulações sobre a possibilidade de vendas antes de perderem o contrato.
Leia também: Imposto de Renda 2026: veja quem precisa declarar, prazo, tabela e como evitar multa

Flávio informou que, do ponto de vista jurídico, a companhia não está receosa, visto que acreditam estar corretos. A Enel alega ser ilegal o governo usar o apagão de dezembro como motivo para tirar sua concessão. A empresa contratou advogados para provar que esse evento específico não pode ser usado no processo de cancelamento do contrato, mesmo que a fiscalização tenha criticado sua atuação na época.
Qual o impacto que o apagão de dezembro teve na economia?
O apagão de dezembro durou mais de 45 horas sem luz, com mais de 2 milhões de imóveis impactados. De acordo com a Enel, cerca de 4,4 milhões de clientes ficaram sem energia em casa.
Durante esses dias, os prejuízos acarretaram uma interrupção na cadeia de produção, afetando comércios como restaurantes, mercados, farmácias, que perdem produtos perecíveis, lojas que deixaram de abrir por falta de sistema.
Além disso, muitas pessoas foram impactadas, seja pela necessidade de aparelhos médicos em casa, seja pela falta de internet e impedimento do home office. E um dos principais impactos foi em relação a alimentos perdidos por falta de refrigeração.
Caso a Enel saia do comando, melhora ou piora?
A substituição da Enel não garante uma melhora imediata, pois o problema central de São Paulo envolve uma infraestrutura antiga que exige bilhões em investimentos. Se uma nova empresa assumir, o benefício seria a entrada de um gestor com maior capacidade de mobilização de equipes e manutenção preventiva, enviando um sinal ao mercado de que falhas graves geram punições reais.
Por outro lado, o processo de transição é tecnicamente complexo e demorado, um novo operador levaria meses para mapear os pontos críticos da rede, o que poderia gerar instabilidade no serviço durante a fase de adaptação.
Além disso, a saída da empresa levanta um debate sobre segurança jurídica e custos operacionais. Embora a caducidade da concessão possa trazer um alívio político e social, ela pode afastar investidores estrangeiros que temem intervenções estatais em contratos de longo prazo.
O desafio real, independentemente de quem opere o serviço, continua sendo o enfrentamento de eventos climáticos extremos e a necessidade urgente de enterrar a fiação ou realizar podas preventivas sistemáticas, soluções que possuem um custo elevadíssimo e que impactam diretamente o valor das tarifas pagas pelo consumidor.


