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Argentina entra na lista dos 10 piores países para trabalhadores em 2026

A Argentina passou a integrar, pela primeira vez, a lista dos dez piores países para os trabalhadores em 2026, segundo o Índice Global de Direitos 2026 da Confederação Sindical Internacional (CSI/ITUC). O relatório aponta uma deterioração acelerada das condições trabalhistas no país vizinho, que caiu para a categoria 5, o nível mais crítico da classificação internacional destinada a países onde os direitos dos trabalhadores não são efetivamente garantidos na prática.

O levantamento analisou 151 países e concluiu que 2026 marcou um dos períodos mais difíceis para os direitos trabalhistas desde a criação do índice, em 2014.

Nas Américas, o cenário foi particularmente preocupante, com a pior média regional já registrada pela pesquisa. Esse cenário sinaliza que a região continua a ser precificada pelo mercado financeiro global como de alto risco e alta volatilidade.

pela primeira vez na história, a Argentina integra a lista dos 10 piores países para os trabalhadores, segundo dados da Confederação Sindical Internacional. O Brasil segue fora do ranking, mas sob monitoramento | Foto: Reprodução/ Unsplash
pela primeira vez na história, a Argentina integra a lista dos 10 piores países para os trabalhadores, segundo dados da Confederação Sindical Internacional. O Brasil segue fora do ranking, mas sob monitoramento | Foto: Reprodução/ Unsplash

Os 10 piores países para trabalhadores em 2026

Segundo a CSI, os países com as condições mais desfavoráveis para trabalhadores e sindicatos são:

  • Argentina
  • Belarus
  • Equador
  • Egito
  • Essuatíni
  • Myanmar
  • Nigéria
  • Panamá
  • Tunísia
  • Turquia

Entre os países latino-americanos presentes na lista estão Argentina, Equador e Panamá, evidenciando um agravamento das condições trabalhistas na região. Do ponto de vista macroeconômico, essa instabilidade regional afeta diretamente os critérios de ESG (Ambiental, Social e Governança), gerando barreiras para a atração de fundos de investimento internacionais de longo prazo.

O que levou à piora da Argentina

De acordo com a CSI, a Argentina registrou o segundo ano consecutivo de deterioração em sua classificação. O relatório menciona restrições à atividade sindical, repressão a manifestações trabalhistas e mudanças na legislação do trabalho promovidas durante o governo do presidente Javier Milei.

A entidade afirma que o ambiente para sindicatos e trabalhadores se tornou mais hostil, destacando episódios de repressão a protestos e medidas consideradas limitadoras do direito de organização coletiva.

A queda foi considerada uma das mais expressivas observadas no ranking deste ano. Para analistas financeiros, o peso do rebaixamento da Argentina para a categoria 5 acende alerta sobre o risco de judicialização extrema e imprevisibilidade operacional para as empresas.

Indicadores globais mostram avanço das violações

O Índice Global de Direitos 2026 revela números preocupantes sobre a situação dos trabalhadores no mundo, que funcionam como termômetro de estabilidade social e segurança jurídica para o mercado global:

  • 87% dos países violaram o direito de greve;
  • 80% restringiram a negociação coletiva;
  • 75% dificultaram a criação ou o funcionamento de sindicatos;
  • 75 países registraram prisões ou detenções de trabalhadores e líderes sindicais;
  • 50% dos países limitaram a liberdade de expressão e reunião.

Segundo a CSI, o avanço dessas restrições demonstra um enfraquecimento crescente das garantias trabalhistas em diversas regiões do planeta.

E o Brasil?

Embora não figure entre os dez piores países em 2026, o Brasil continua sendo monitorado pela CSI devido a desafios relacionados à proteção dos direitos trabalhistas, negociação coletiva e condições de representação sindical.

O país já integrou o grupo das dez piores nações em edições anteriores do levantamento, especialmente após mudanças na legislação trabalhista ocorridas nos últimos anos. Especialistas apontam que a posição brasileira melhorou em relação aos momentos mais críticos do ranking, o que confere ao país uma vantagem competitiva relativa na América Latina.

Contudo, o mercado interno ainda enfrenta desafios estruturais ligados à informalidade, precarização do trabalho e acesso à justiça trabalhista.

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