Quase metade dos brasileiros que nasceram entre os 25% mais pobres do país permanece nessa mesma faixa de renda quando chega à vida adulta. O dado faz parte da nova versão do Atlas da Mobilidade Social, ferramenta gratuita que reúne informações sobre a relação entre a renda das famílias e a situação econômica dos filhos anos depois.

Os dados podem ser acessados gratuitamente e trazem recortes por renda, raça, gênero, escolaridade dos pais e geração analisada.
Segundo o estudo, 48% dos filhos de famílias que estavam entre os 25% mais pobres da distribuição nacional de renda continuam nesse mesmo grupo quando adultos. A chance de alcançar os 25% mais ricos é de apenas 8,32%, enquanto somente 1,28% consegue chegar ao grupo dos 10% de maior renda do país.
É importante destacar que esses números não representam o destino de uma pessoa. O Atlas mostra tendências estatísticas observadas em milhões de brasileiros e ajuda a compreender como fatores econômicos e sociais influenciam as oportunidades ao longo da vida.
A ferramenta foi desenvolvida para apoiar pesquisadores, gestores públicos, estudantes, jornalistas e qualquer cidadão interessado em conhecer melhor a realidade do país. Além dos indicadores de mobilidade social, ela reúne informações sobre educação, saúde, economia, gasto público e outros aspectos que ajudam a explicar as diferenças entre os municípios.
Como consultar os dados do seu município?
O acesso ao Atlas da Mobilidade Social é gratuito. Na plataforma, basta selecionar o estado e o município desejados para visualizar os indicadores disponíveis.
Os dados mostram a situação de pessoas nascidas entre 1983 e 1990, relacionando a renda de seus pais durante a infância com a renda alcançada pelos filhos entre 25 e 29 anos. A atualização mais recente também acrescentou novos recortes por faixa de renda familiar e por período de nascimento.
A consulta pode ser feita em diferentes níveis geográficos, incluindo Brasil, regiões, estados, regiões intermediárias, regiões imediatas e municípios. Também é possível filtrar os resultados por sexo, raça, escolaridade dos pais e nível de renda da família de origem.
O Atlas foi elaborado a partir de uma base de aproximadamente 7 milhões de brasileiros. Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram informações da Receita Federal, do Ministério do Trabalho e Emprego, do Cadastro Único, do Bolsa Família e de pesquisas do IBGE. Como parte dos trabalhadores brasileiros atua na informalidade, a equipe também empregou modelos estatísticos para estimar a renda de quem não aparece nos registros formais.
O que os números ajudam a entender?
O objetivo do Atlas não é prever o futuro de ninguém nem afirmar que uma criança terá, obrigatoriamente, a mesma condição financeira dos pais. A proposta é mostrar como as oportunidades costumam se distribuir entre diferentes grupos da população e regiões do país.
Ao comparar municípios, por exemplo, é possível identificar locais onde pessoas de famílias de baixa renda conseguem melhorar de vida com mais frequência e outros onde esse avanço acontece em menor escala. Essas informações podem ajudar na formulação de políticas públicas e também estimular debates sobre educação, emprego, renda e redução das desigualdades.
O estudo também revela diferenças importantes entre grupos da população. Entre jovens brancos que nasceram em famílias situadas entre os 25% mais pobres da distribuição de renda, 36,3% permanecem nesse mesmo grupo quando adultos. Entre os não brancos, esse percentual sobe para 51,6%, mostrando que as desigualdades raciais continuam influenciando as oportunidades de ascensão econômica.
Ferramenta pode ajudar pesquisadores, gestores e a população
Além dos dados sobre renda, a nova versão do Atlas reúne indicadores municipais de educação, saúde, economia, sociedade e gastos públicos. A ideia é permitir que os resultados sejam analisados junto com outras características de cada cidade, oferecendo uma visão mais ampla sobre os fatores que podem estar associados à mobilidade social.
Os pesquisadores também chamam atenção para um ponto importante: os grupos de renda utilizados na pesquisa são definidos com base na distribuição nacional, e não na realidade de cada município. Por isso, uma pessoa considerada de baixa renda em uma cidade mais rica pode estar em uma situação diferente daquela observada em um município mais pobre.
Ao reunir essas informações em uma única plataforma, o Atlas da Mobilidade Social facilita o acesso a dados que antes estavam dispersos em diferentes estudos e bases públicas. Para quem deseja conhecer melhor a realidade do próprio município ou entender como as oportunidades se distribuem pelo Brasil, a ferramenta oferece um retrato estatístico que ajuda a compreender desafios históricos sem determinar o futuro de nenhuma pessoa.


