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Desigualdade aumenta, mas Brasil tem melhora em emprego e pobreza

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O Brasil melhorou em 71% dos 48 indicadores de desigualdade acompanhados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades em 2026. Os avanços aparecem em áreas como emprego, pobreza, segurança alimentar, desmatamento e violência entre jovens. Ao mesmo tempo, a diferença de renda entre os brasileiros mais ricos e mais pobres aumentou, mostrando que os ganhos não foram distribuídos da mesma forma entre a população.

Os dados estão no Relatório 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades, lançado nesta quarta-feira, 12 de agosto, pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades e produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Dos 48 indicadores acompanhados, 13% ficaram estáveis, sem mudanças importantes, e 16% pioraram.

Brasil tem melhora em emprego e pobreza, mas desigualdadeaumenta
Entre os principais problemas está o aumento da quantidade de pessoas que vivem em áreas com risco de deslizamentos e outras tragédias causadas por eventos climáticos | Foto: Reprodução / Canva

Desemprego e pobreza caem, mas mulheres negras seguem com menor renda

A taxa de desemprego caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. Entre as mulheres, passou de 8,1% para 6,9%. Apesar da melhora, a diferença entre os grupos continua grande. Em 2025, o desemprego atingia 8,5% das mulheres negras, enquanto entre os homens não negros a taxa era de 3,8%.

A renda também cresceu, mas em ritmos diferentes. O rendimento médio real de todas as fontes chegou a R$ 3.376 em 2025, alta de 5,3% em relação ao ano anterior.

Entre as mulheres negras, porém, o aumento foi de 3,7%. A renda dos homens negros cresceu 4,1%, a das mulheres não negras, 4,8%, e a dos homens não negros, 6,9%. As mulheres negras continuaram com o menor rendimento médio do país, de R$ 2.184. O valor correspondia a 42% da renda média dos homens não negros.

Considerando todas as mulheres, o rendimento médio equivalia a 72% do recebido pelos homens, mesma proporção registrada em 2022.

A parcela da população com renda domiciliar por pessoa de até meio salário mínimo também diminuiu, passando de 25,4% em 2024 para 24,7% em 2025. Em números absolutos, eram 52,4 milhões de pessoas nessa faixa de renda, contra 53,8 milhões no ano anterior.

A desigualdade aparece com mais força quando os dados são separados por raça. Em 2025, 33,1% das mulheres negras e 29,4% dos homens negros tinham renda de até meio salário mínimo por pessoa. Entre as mulheres não negras, eram 16,5%, e entre os homens não negros, 15,3%.

Dos 52,4 milhões de brasileiros nessa faixa de renda, 37,4 milhões eram negros, incluindo aproximadamente 20 milhões de mulheres.

Distância entre ricos e pobres aumenta

Mesmo com a queda da pobreza e o aumento da renda média, a concentração de renda piorou. Em 2024, o rendimento médio do 1% mais rico do país era 30,2 vezes maior que o dos 50% mais pobres. Em 2025, essa diferença passou para 31,5 vezes, um aumento de 1,3 ponto.

Na faixa de renda de até um quarto do salário mínimo, estavam 16,8 milhões de pessoas no ano passado. Desse total, 12,3 milhões eram negras, incluindo 6,7 milhões de mulheres negras.

O relatório aponta que a redução da pobreza aconteceu ao mesmo tempo em que aumentou a concentração de renda. A melhora dos indicadores de emprego e renda, portanto, convive com uma distância ainda maior entre quem está no topo e quem está na parte mais baixa da distribuição de renda.

Menos desmatamento e insegurança alimentar

Entre os indicadores ambientais, o desmatamento apresentou uma das principais melhoras. Depois de chegar a 2,1 milhões de hectares em 2022, a área desmatada caiu para 984,8 mil hectares em 2025, uma redução de 53,4% em relação ao maior nível da série histórica, segundo dados do MapBiomas.

As emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao uso da terra e das florestas também diminuíram. Entre 2023 e 2024, passaram de 1,34 bilhão de toneladas de CO2 para 905,6 milhões de toneladas, queda de 32,5%, de acordo com o Observatório do Clima.

Na segurança alimentar, a proporção de brasileiros que viviam em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024. A queda foi maior entre a população negra. Entre homens negros, o percentual passou de 12,2% para 9,7%. Entre mulheres negras, caiu de 12,5% para 10%.

Os homicídios entre jovens de 15 a 29 anos também recuaram. A taxa passou de 49,7 para 41,9 casos a cada 100 mil habitantes entre 2021 e 2024, uma redução de 15,7%.

Mais pessoas vivem em áreas de risco

O principal retrocesso apontado pelo relatório foi o aumento da população exposta a áreas com risco de deslizamentos e outras tragédias climáticas. Em 2025, 4,36 milhões de pessoas viviam nessas condições. Em 2026, o número chegou a 4,67 milhões, alta de 7%.

Também houve aumento da quantidade de áreas consideradas de risco. Atualmente, o país tem 17 mil áreas desse tipo, a maioria ocupada por pessoas em situação de vulnerabilidade.

Outro indicador que piorou foi a mortalidade materna. Depois de cair no período pós-pandemia, o número de mortes passou de 52,2 a cada 100 mil nascidos vivos em 2023 para 55,5 em 2024. Roraima teve o cenário mais grave, com 132,3 mortes a cada 100 mil nascidos vivos.

Entre os indicadores que permaneceram estáveis estão a escolarização no ensino fundamental, a taxa de feminicídio, o acesso à internet e a progressividade da tributação de renda. Os pesquisadores apontam a necessidade de políticas públicas mais consistentes para que essas áreas apresentem mudanças importantes.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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