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Além dos sucessos: como Dolly Parton construiu sua fortuna e quem pode herdá-la

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Dolly Parton, uma das artistas mais conhecidas da música country, morreu nesta terça-feira, 25 de agosto, aos 80 anos. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, a cantora e atriz construiu uma trajetória marcada por sucessos na música, no cinema e na televisão, além de receber 55 indicações ao Grammy e conquistar 10 vitórias.

Além dos sucessos: como Dolly Parton construiu sua fortuna e quem pode herdá-la
Conhecida também por seu trabalho filantrópico, Dolly dedicou parte da vida a projetos voltados principalmente para crianças e educação | Foto: Reprodução / Wikimedia

Por meio da Imagination Library (Biblioteca imaginária, em Português), organização criada por ela em 1995, mais de 200 milhões de livros já foram distribuídos gratuitamente para crianças.

Com a morte da artista, o destino da fortuna construída durante décadas também passa a chamar atenção. Dolly não teve filhos e, segundo a revista Hello!, seus 19 sobrinhos estão entre os herdeiros mais prováveis de seu patrimônio. A possibilidade, porém, ainda não pode ser tratada como confirmação, porque o testamento da cantora não foi divulgado.

Além dos familiares, existe a expectativa de que parte dos bens seja destinada a instituições e projetos apoiados por Dolly ao longo da vida. A cantora ficou conhecida por suas doações e, segundo as estimativas apresentadas, teria destinado cerca de US$ 600 milhões, cerca de R$ 3,12 bilhões, a ações filantrópicas durante a carreira.

O que se sabe sobre a herança de Dolly Parton?

Dolly já havia demonstrado preocupação com o destino de seus bens. Em uma declaração feita anos atrás, a cantora afirmou que sabia da importância de deixar suas últimas vontades registradas para evitar conflitos entre os familiares.

“Eu não gostaria de deixar essa confusão para outra pessoa”, disse Dolly na ocasião, ao aconselhar outros artistas a cuidarem de seus testamentos. Segundo ela, deixar essa organização para outras pessoas poderia fazer com que familiares acabassem brigando pelos bens.

Embora o documento ainda não tenha vindo a público, a ausência de filhos faz com que os 19 sobrinhos da cantora sejam apontados como possíveis beneficiários da fortuna. Dolly mantinha uma relação próxima com seus familiares e construiu sua família ao lado do marido, Carl Dean, que morreu em 2025.

Outro nome importante em sua vida familiar era Miley Cyrus. Dolly era madrinha da cantora e atriz, função que recebeu antes mesmo do nascimento de Miley, a pedido de seu pai, Billy Ray Cyrus, amigo da artista.

A divisão definitiva do patrimônio, no entanto, depende do conteúdo do testamento e das disposições deixadas pela cantora. Por enquanto, não há confirmação pública sobre quanto ficará com os familiares ou quanto poderá ser destinado às causas apoiadas por Dolly.

Como Dolly construiu sua fortuna?

A fortuna da cantora foi resultado de uma carreira que ultrapassou os palcos. Seu patrimônio líquido era estimado em cerca de US$ 450 milhões, cerca de R$ 2,34 bilhões, e estava ligado a diferentes atividades, como direitos autorais de músicas, parques de diversão, cinema, televisão, produtos licenciados e outros negócios.

Uma das principais bases desse patrimônio foi o catálogo musical. Dolly escreveu cerca de 3 mil músicas ao longo da carreira, incluindo sucessos como “Jolene”, “9 to 5” e “Coat of Many Colors”.

A cantora também tomou decisões importantes para manter o controle sobre suas composições.

Além dos sucessos: como Dolly Parton construiu sua fortuna e quem pode herdá-la
No início da carreira, optou por conservar os direitos de publicação de suas próprias músicas, garantindo que continuasse a receber pelos usos de suas obras | Foto: Reprodução / Wikimedia

Um dos exemplos mais conhecidos é “I Will Always Love You”, escrita por Dolly em 1973. Quando Elvis Presley demonstrou interesse em gravar a música, seu empresário exigiu metade dos direitos autorais. Dolly recusou a proposta.

Anos depois, a canção ganhou uma nova dimensão quando Whitney Houston gravou sua versão para o filme “O Guarda-Costas”, de 1992. A gravação gerou mais de US$ 10 milhões, cerca de R$ 51,9 milhões, em direitos autorais para Dolly apenas nos anos 1990, além de continuar rendendo dinheiro posteriormente.

Dollywood levou a cantora para os negócios

A música foi apenas uma parte do patrimônio construído por Dolly. Em 1986, ela comprou uma participação no parque temático Silver Dollar City, localizado nas Great Smoky Mountains, no Tennessee, e o empreendimento passou a se chamar Dollywood.

O parque se tornou a atração paga mais visitada do estado do Tennessee, recebendo cerca de 3 milhões de visitantes por ano. O negócio também cresceu e passou a fazer parte de um complexo de entretenimento que inclui o parque aquático Dollywood’s Splash Country, o DreamMore Resort and Spa, o Heartsong Lodge & Resort e o jantar-show Dolly Parton’s Stampede.

A artista também levou sua marca para o cinema e a televisão. Ela estrelou filmes como “Como Eliminar Seu Chefe”, de 1980, “A Melhor Casa Suspeita do Texas”, de 1982, e “Flores de Aço”, de 1989.

Nos bastidores, Dolly também criou a Sandollar Productions, produtora responsável por projetos que incluíram a franquia de filmes e a série de televisão “Buffy, a Caça-Vampiros”, além de especiais e produções para a Netflix, como “Dolly Parton’s Heartstrings”.

Outra frente de negócios foi o licenciamento de sua marca. A cantora lançou produtos para casa em parceria com a KitchenAid, alimentos com a Duncan Hines, itens para animais de estimação pela Doggy Parton e fragrâncias próprias.

Uma carreira que começou em uma infância simples

Antes de construir esse patrimônio, Dolly teve uma infância marcada por dificuldades. Nascida em 1946, no Condado de Sevier, no Tennessee, ela era a quarta de 12 filhos de um agricultor sem terras.

Foi dentro de casa que a cantora teve os primeiros contatos com a música. A mãe ensinava hinos e canções folclóricas aos filhos, e Dolly aprendeu a tocar instrumentos como violão e banjo. Ainda criança, começou a se apresentar no rádio e lançou seu primeiro compacto em 1959.

O primeiro grande avanço profissional veio em 1967, quando ela foi contratada para participar do programa de televisão do cantor Porter Wagoner. A parceria rendeu diversos sucessos em dueto, mas a carreira solo de Dolly ganhou cada vez mais espaço.

Em 1974, ela decidiu deixar o programa para se dedicar à própria carreira. Foi nesse momento que escreveu “I Will Always Love You” como uma homenagem de despedida a Wagoner. A música alcançou o topo da parada country duas vezes antes de se tornar um fenômeno pop na voz de Whitney Houston.

Música, cinema e reconhecimento

Ao longo da carreira, Dolly transitou por diferentes estilos musicais, passando pelo country, pop, bluegrass e pela era disco. Suas composições também abordaram temas como pobreza, gravidez na adolescência e dificuldades enfrentadas por mulheres no mercado de trabalho.

Entre seus trabalhos estão ainda “Islands in the Stream”, parceria com Kenny Rogers, e o projeto “Trio”, gravado com Emmylou Harris e Linda Ronstadt. Suas músicas também foram regravadas por artistas como Beyoncé e Tina Turner.

O reconhecimento veio tanto do público quanto da indústria musical. Dolly recebeu 55 indicações ao Grammy e venceu 10 vezes, tornando-se a terceira mulher mais indicada na história da premiação, atrás apenas de Beyoncé e Taylor Swift.

A cantora também entrou para os Halls da Fama do Country e do Rock & Roll, consolidando uma trajetória que ultrapassou a música e alcançou diferentes áreas do entretenimento.

O patrimônio que também virou legado

A filantropia ocupou um espaço importante na trajetória de Dolly. Em 1995, ela criou a Imagination Library para incentivar o hábito da leitura e homenagear seu pai.

O programa cresceu ao longo dos anos e já distribuiu mais de 200 milhões de livros gratuitos para crianças. Em 2023, foi ampliado para permitir que todas as crianças com menos de cinco anos na Califórnia recebessem um livro gratuito pelo correio todos os meses.

Dolly também fez doações para outras iniciativas. Em 2020, destinou US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,2 milhões, ao Vanderbilt University Medical Center, fundo que ajudou diretamente no financiamento e desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 da Moderna.

Esse histórico faz com que o destino de sua fortuna não esteja relacionado apenas aos familiares. A possibilidade de doações a instituições e causas apoiadas pela cantora também é apontada pela imprensa internacional, embora os detalhes dependam do testamento.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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