O Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes no Brasil até fevereiro de 2027, segundo uma projeção do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago divulgada nesta quarta-feira, 23 de setembro. O país deve ser o mais afetado da América Latina pelo fenômeno, que acontece quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal.
A previsão chama atenção principalmente para o verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, quando os dias de calor extremo devem quase dobrar.

Para chegar aos números, os pesquisadores analisaram estudos que relacionam temperatura e mortes em diferentes regiões, levando em conta as condições do clima e a forma como cada população consegue enfrentar o calor.
Calor, seca e chuva forte podem atingir regiões diferentes
Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o país. Enquanto algumas áreas podem enfrentar calor intenso e falta de chuva, outras podem ter chuvas acima do normal, enchentes e deslizamentos.
No Norte, a preocupação é com a falta de água para consumo e produção, além de dificuldades para a navegação. O período de maior atenção vai de agosto a dezembro.
No Nordeste, o impacto deve atingir principalmente áreas usadas para a produção agrícola, com atenção especial ao MATOPIBA, nome dado à região que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O período crítico está previsto entre setembro e dezembro.
Já no Centro-Oeste, o alerta envolve incêndios e impactos nas áreas de produção agrícola, principalmente entre julho e outubro. No Sudeste, o período de atenção vai de setembro a dezembro, com previsão de ondas de calor e incêndios.
No Sul, o cenário é diferente. Entre julho e dezembro, os principais riscos previstos são enchentes e deslizamentos.
Pará e Maranhão estão entre os estados mais afetados
A estimativa também mostra diferenças dentro do próprio país. O Pará pode registrar 2,3 mil mortes, segundo o levantamento, enquanto Maranhão aparece com uma estimativa de 1,3 mil. Amazonas e Bahia têm previsão de 1,2 mil mortes cada.
O Brasil aparece entre os cinco países com maior número estimado de mortes pelo fenômeno, atrás de Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria.
Para os pesquisadores, os números podem aumentar se o El Niño continuar por mais tempo. O fenômeno também é apontado no relatório como uma espécie de retrato de temperaturas que podem se tornar mais comuns no futuro com o avanço das mudanças climáticas.
Como se proteger do calor extremo
Enquanto as temperaturas estiverem muito altas, algumas medidas podem ajudar a evitar problemas causados pelo calor. Uma das principais orientações do governo federal é beber água a cada duas horas, mesmo quando não estiver com sede.
Também é recomendado evitar ficar exposto ao sol nos horários de maior calor e não fazer exercícios ou atividades físicas intensas ao ar livre sem proteção adequada. Roupas leves, claras e folgadas ajudam durante os períodos de temperaturas elevadas.
Dentro de casa, a orientação é manter o ambiente fresco. Para isso, é possível cobrir as janelas durante o dia e usar ventiladores ou ar-condicionado nos horários mais quentes. Quem utilizar esses aparelhos deve verificar se as conexões elétricas estão seguras.

Crianças e idosos precisam de atenção especial e não devem ficar sozinhos dentro de veículos estacionados. Banhos frios também podem ajudar a aliviar o calor, desde que sejam tomados em locais seguros, longe de correntes fortes de água.
A alimentação também merece cuidado. A recomendação é dar preferência a alimentos leves, como frutas e verduras. Pessoas que têm doenças crônicas e usam medicamentos continuamente devem consultar o médico.
Governo prepara ações para enfrentar o El Niño
Para atender situações de emergência, o governo federal está instalando bases da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), com equipamentos e profissionais preparados para atuar durante emergências e desastres.
Também foi criada uma página especial com informações, orientações e ações de preparação para os impactos do El Niño no Brasil. O espaço reúne conteúdos oficiais para ajudar a população e instituições a acompanhar os efeitos do fenômeno e saber quais cuidados tomar.
Entre as medidas indicadas pelos especialistas estão alertas de calor, pontos de hidratação e locais onde as pessoas possam se refrescar, além de proteção para quem está mais exposto às altas temperaturas e para trabalhadores que precisam permanecer ao ar livre.
A recomendação é que essas ações comecem antes dos períodos mais críticos, já que preparar a população com antecedência pode ajudar a reduzir os efeitos do calor extremo.


