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Desemprego cai a 5,3%, mas inadimplência bate recorde no Brasil

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A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor nível para esse período desde o início da série histórica, em 2012. Ao mesmo tempo em que mais pessoas estavam trabalhando, a inadimplência nas operações de crédito chegou a 5%, o maior patamar da série do Banco Central (BC), iniciada em março de 2011.

Desemprego cai a 5,3%, mas inadimplência bate recorde no Brasil
Os dados divulgados nesta terça-feira, 29 de setembro, mostram um cenário de melhora no mercado de trabalho, mas também apontam dificuldades para as famílias que estão com as contas atrasadas | Foto: Reprodução / Canva

A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 103,5 milhões de pessoas estavam ocupadas até agosto, enquanto o Banco Central registrou aumento da parcela de operações de crédito com mais de 90 dias de atraso.

Mais brasileiros estão trabalhando

A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas no trimestre até agosto, o maior número já registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Foram 774 mil pessoas a mais trabalhando em relação ao trimestre encerrado em maio, uma alta de 0,8%.

A maior parte desse crescimento veio de trabalhadores sem carteira assinada ou sem CNPJ. Dos 774 mil novos ocupados, 528 mil estavam nessa situação.

Isso não significa que o emprego com carteira tenha diminuído. O número de empregados do setor privado com carteira assinada chegou a 39,5 milhões, também o maior da série histórica. O avanço em relação ao trimestre encerrado em maio foi de 149 mil pessoas, mas o IBGE considera essa variação dentro da margem de estabilidade da pesquisa.

Com a redução do desemprego, o número de pessoas procurando trabalho também diminuiu. Eram 5,8 milhões de desempregados até agosto, 281 mil a menos do que no trimestre encerrado em maio, uma queda de 4,6%.

Pelas regras da pesquisa, uma pessoa com 14 anos ou mais só é considerada desempregada quando não está trabalhando e também está procurando uma oportunidade. Portanto, quem não trabalha e não procura emprego não entra nesse grupo.

Renda fica perto do maior valor da série

A renda média dos trabalhadores ficou em R$ 3.777 por mês até agosto. O valor representa alta de 0,7% em relação aos R$ 3.752 registrados no trimestre encerrado em maio, mas a variação é considerada estável pelo IBGE.

O rendimento também ficou próximo do maior valor registrado pela Pnad Contínua, de R$ 3.804, alcançado no trimestre encerrado em março deste ano. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a renda média era de R$ 3.641, houve aumento de 3,7%.

O nível de ocupação, que mostra a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada, ficou em 58,9%. O resultado foi superior aos 58,6% registrados no trimestre anterior e ficou praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado.

Inadimplência chega ao maior nível desde 2011

Enquanto o mercado de trabalho apresentou melhora, a inadimplência nas operações de crédito aumentou. Segundo o Banco Central, a taxa média passou de 4,9% em julho para 5% em agosto, o maior nível desde o início da série histórica, em março de 2011. O indicador considera operações de crédito com mais de 90 dias de atraso e reúne pessoas físicas e empresas.

Entre as pessoas físicas, a inadimplência passou de 5,8% para 6% no período, também o maior patamar da série. Já entre as empresas, a taxa ficou em 3,3%, mantendo o mesmo nível de julho e alcançando o maior valor desde outubro de 2017.

Os números mostram que a queda do desemprego e o aumento da população ocupada não significaram, ao mesmo tempo, uma redução dos atrasos nas dívidas. O mercado de trabalho registrou recordes de ocupação, enquanto o crédito em atraso alcançou níveis elevados.

Contas do governo também fecham agosto no vermelho

Outro dado divulgado nesta terça-feira ajuda a completar o cenário econômico de agosto. As contas do Governo Central, que reúnem Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, registraram déficit primário de R$ 13,6 bilhões no mês, segundo o Tesouro Nacional.

O déficit primário acontece quando as despesas do governo ficam acima das receitas, sem considerar os juros da dívida pública. Em agosto de 2025, o resultado havia sido negativo em R$ 15,5 bilhões, em valores correntes.

Mesmo com o resultado negativo nas contas públicas e o aumento da inadimplência, os dados de emprego mostram que o número de brasileiros trabalhando chegou ao maior nível da série histórica, enquanto o desemprego permaneceu em 5,3% no trimestre encerrado em agosto.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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