O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulou alta de 4,29% nos 12 meses encerrados em setembro, acima dos 3,98% registrados até agosto. No mês passado, o indicador subiu 0,82%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 9 de outubro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice mede a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda de um a cinco salários mínimos. Como esse grupo compromete uma parcela maior do orçamento com despesas essenciais, como alimentação, o resultado ajuda a acompanhar a perda do poder de compra dos salários.

Os dois grupos contribuíram para o resultado mensal, que também influencia os cálculos de reajustes de diferentes categorias profissionais e de benefícios pagos pelo governo.
Como o INPC afeta salários e benefícios?
O INPC é usado como referência para reajustes salariais de diversas categorias ao longo do ano. O objetivo é considerar a variação dos preços na hora de atualizar os rendimentos, já que o aumento do custo de vida pode reduzir o que as pessoas conseguem comprar com o mesmo salário.
O indicador também participa do cálculo de reajustes de benefícios. O salário mínimo considera o resultado do INPC de novembro, enquanto o seguro-desemprego, o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os benefícios previdenciários de quem recebe acima do mínimo são reajustados com base no índice acumulado até dezembro.
Acompanhar o INPC ajuda a entender uma das referências utilizadas para atualizar salários e benefícios. O percentual, porém, não representa um reajuste automático e igual para todos os trabalhadores: o resultado depende das regras aplicáveis a cada categoria ou benefício.
Qual é a diferença entre INPC e IPCA??
Além do INPC, o IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. Em setembro, o IPCA também subiu 0,82%, mas acumulou alta de 4,58% em 12 meses, acima dos 4,29% registrados pelo INPC.
A principal diferença entre os indicadores está na faixa de renda das famílias consideradas no cálculo. O INPC acompanha os preços para lares com renda de um a cinco salários mínimos, enquanto o IPCA considera famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621.
Os índices também atribuem pesos diferentes aos produtos e serviços pesquisados. No INPC, os alimentos representam cerca de 25% do cálculo, enquanto no IPCA correspondem a aproximadamente 21%. Isso ocorre porque as famílias de menor renda costumam destinar uma parcela maior do orçamento à alimentação.
Por esse motivo, mudanças no preço da comida têm um peso proporcionalmente maior no INPC. Já despesas como passagens aéreas representam uma parcela menor do indicador do que no IPCA.
Como os preços são pesquisados?
O IBGE acompanha os preços de 367 produtos e serviços para calcular o INPC, dez itens a menos do que os considerados no IPCA. A pesquisa busca medir como os gastos do dia a dia variam ao longo do tempo para a população assalariada de menor rendimento.
A coleta é feita em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Também são pesquisados preços em Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Segundo o IBGE, o objetivo do INPC é ajudar a medir as variações de preços da cesta de consumo das famílias assalariadas de menor renda, servindo de referência para a correção do poder de compra dos salários.


