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Trabalho infantil cai 9,2% no Brasil em 2025, aponta IBGE

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O número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil caiu 9,2% no Brasil em 2025, na comparação com o ano anterior. Mesmo com a redução, 1,499 milhão de pessoas de 5 a 17 anos ainda estavam nessa condição, o equivalente a 4% da população dessa faixa etária.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 16 de outubro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Em 2024, o país tinha 1,65 milhão de crianças e adolescentes nessa situação, ou 4,3% da população de 5 a 17 anos. Em 2016, eram 2,1 milhões, o equivalente a 5,2%.

A queda registrada no último ano acompanha uma redução mais ampla ao longo da década. Entre 2016 e 2025, o total de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil diminuiu 28,6%.

Trabalho infantil cai 9,2% no Brasil em 2025, aponta IBGE
O movimento, porém, não foi contínuo: depois de recuar entre 2016 e 2019, o indicador voltou a subir em 2022, período marcado pela pandemia de covid-19, e tornou a cair nos anos seguintes | Foto: Reprodução / Canva

O que explica a queda do trabalho infantil?

Diferentes fatores podem ter contribuído para a redução em 2025. Entre eles estão as políticas públicas de combate ao trabalho infantil, o Bolsa Família, o aumento da renda das famílias e as condições do mercado de trabalho.

O pesquisador destacou que o Bolsa Família pode ajudar a reduzir a necessidade de crianças e adolescentes trabalharem ao garantir uma renda mínima às famílias. Em 2025, a renda média por pessoa nos domicílios que recebiam o benefício era de R$ 660, enquanto chegava a R$ 1.990 entre aqueles que não recebiam o auxílio.

A proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil era de 4,4% entre moradores de famílias beneficiárias, um pouco acima dos 4% registrados na população total. Apesar disso, a redução foi mais expressiva nesse grupo: entre 2016 e 2025, o número de jovens nessa condição em famílias atendidas pelo programa caiu 41%, enquanto a queda no total foi de 28,6%.

Quantas crianças ainda estão nessa situação?

A ocorrência de trabalho infantil aumenta conforme a idade. Em 2025, 280 mil crianças de 5 a 13 anos estavam nessa condição, o equivalente a 1,1% da população dessa faixa etária. Entre adolescentes de 14 e 15 anos, eram 348 mil, ou 5,9%. Já no grupo de 16 e 17 anos, o total chegava a 871 mil, correspondente a 14,5%.

A pesquisa considera trabalho infantil as atividades que não são permitidas para cada idade. Até os 13 anos, entram nessa conta atividades econômicas remuneradas e trabalhos voltados à subsistência da família. Aos 14 e 15 anos, só é permitido trabalhar como aprendiz. Aos 16 e 17, o emprego é permitido com carteira assinada, desde que não envolva atividades noturnas, perigosas ou prejudiciais à saúde.

Do total registrado em 2025, 1,141 milhão realizavam atividades econômicas, enquanto 358 mil trabalhavam apenas para o autoconsumo, como na produção destinada à subsistência da própria família.

Casos mais graves também diminuíram

Entre as crianças e os adolescentes identificados pelo IBGE, 525 mil estavam em atividades classificadas como as piores formas de trabalho infantil. Essa categoria reúne ocupações que colocam em risco a saúde, a segurança ou o desenvolvimento dos jovens e inclui situações como escravidão, exploração sexual e tráfico de drogas.

O número também caiu e chegou ao menor patamar da série apresentada pelo instituto. Em 2024, eram 560 mil; em 2022, 763 mil; e, em 2016, 919 mil.

A carga horária é outro ponto de atenção: 36,3% das crianças e dos adolescentes em situação de trabalho infantil trabalhavam 25 horas ou mais por semana. Em 21,4% dos casos, a jornada chegava a pelo menos 40 horas semanais. Entre os jovens de 16 e 17 anos, quase metade, ou 49,6%, trabalhava 25 horas ou mais por semana.

Diferenças entre regiões e frequência escolar

O Sudeste concentrava o maior número de crianças e adolescentes nessa situação, com 481 mil, seguido pelo Nordeste, com 408 mil. Quando a comparação considera a proporção em relação à população de cada região, o Norte tinha o maior índice, de 6,3%, enquanto o Sudeste registrava o menor, de 3,3%.

O Nordeste apresentou as maiores quedas no número de jovens em situação de trabalho infantil: 45,6% em relação a 2016 e 29,2% na comparação com 2022.

A frequência escolar também varia conforme a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos em situação de trabalho infantil, 99,7% frequentavam a escola. O percentual era de 95% entre adolescentes de 14 e 15 anos e caía para 79,6% na faixa de 16 e 17 anos, abaixo dos 89,6% registrados para a população total dessa idade.

Os dados mostram que o trabalho infantil diminuiu no país, mas ainda atinge quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes. A redução foi mais forte entre os beneficiários do Bolsa Família e também ocorreu nas atividades consideradas mais graves, embora milhares de jovens continuem expostos a jornadas longas e a ocupações que podem prejudicar seu desenvolvimento.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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