O ranking Global Liveability Index 2025, elaborado pela Economist Intelligence Unit (EIU), revelou mudanças importantes no cenário global da qualidade de vida. Pela primeira vez em três anos, Viena deixou o topo da lista e deu lugar a Copenhague, a capital da Dinamarca, agora considerada a cidade mais habitável do mundo. A avaliação leva em conta critérios como estabilidade, saúde, educação, cultura e infraestrutura, com base em mais de 30 indicadores qualitativos e quantitativos.
A pontuação de Copenhague foi quase perfeita: 98 em 100. A cidade conquistou notas máximas em estabilidade, educação e infraestrutura, se destacando como modelo de bem-estar urbano. Já Viena, que ficou em segundo lugar junto com Zurique (Suíça), perdeu pontos na categoria estabilidade, um reflexo direto do aumento de tensões e ameaças terroristas na região, como o cancelamento do show da cantora Taylor Swift em 2024, por questões de segurança.

Como funciona o índice de habitabilidade da EIU
O Global Liveability Index analisa 173 cidades em todo o mundo. Cada local é avaliado por uma equipe de analistas da EIU e colaboradores locais em cinco grandes categorias:
- Estabilidade
- Saúde
- Cultura e meio ambiente
- Educação
- Infraestrutura
A nota final varia de 1 a 100, sendo que 100 representa a situação ideal. O índice é utilizado por empresas, governos e cidadãos para entender o nível de qualidade de vida nas cidades, influenciando desde decisões de realocação até investimentos internacionais.
Em 2025, a pontuação média global permaneceu em 76,1 pontos, mas com queda de 0,2 ponto na estabilidade global. Essa redução é atribuída a tensões geopolíticas, protestos civis e crises habitacionais em crescimento, segundo a diretora-adjunta da EIU, Barsali Bhattacharyya.
Top 10: Europa domina com Copenhague em primeiro, Oceania avança
O domínio europeu no ranking permanece forte: quatro das cinco primeiras colocadas estão no continente. Além de Copenhague, Viena, Zurique e Genebra compõem esse bloco. No entanto, a presença de cidades da Oceania, como Melbourne, Sydney, Adelaide e Auckland, demonstra a força de países como Austrália e Nova Zelândia em oferecer qualidade de vida.
As 10 melhores cidades do mundo em 2025:
- Copenhague (Dinamarca) – Nota 98
- Viena (Áustria) – Nota 97
- Zurique (Suíça) – Nota 97
- Melbourne (Austrália) – Nota 97
- Genebra (Suíça) – Nota 96
- Sydney (Austrália) – Nota 95
- Osaka (Japão) – Nota 94
- Auckland (Nova Zelândia) – Nota 94
- Adelaide (Austrália) – Nota 93
- Vancouver (Canadá) – Nota 93
Convertendo os dados para o contexto brasileiro, segundo a cotação média do dólar em R$ 5,60 (Banco Central, junho de 2025), o custo de vida mensal em Copenhague, por exemplo, gira em torno de US$ 3.000 (cerca de R$ 16.800), valor que reflete o alto padrão de serviços públicos, segurança e infraestrutura da cidade.
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Destaques negativos: instabilidade e crise de saúde
Enquanto algumas cidades melhoraram, outras registraram quedas significativas. O Reino Unido, por exemplo, viu suas principais cidades despencarem no ranking. Londres caiu da 45ª para a 54ª colocação, Manchester da 43ª para a 52ª e Edimburgo da 59ª para a 64ª, devido a instabilidades políticas e protestos.
O Canadá, que tradicionalmente emplacava várias cidades no top 10, também perdeu espaço. Calgary caiu do 5º para o 18º lugar, e Toronto foi da 12ª para a 16ª posição. A razão principal: sobrecarga nos sistemas de saúde e escassez de profissionais.
Em contrapartida, Al Khobar, na Arábia Saudita, subiu 13 posições graças a avanços significativos em saúde e educação, resultado de pesados investimentos públicos.
América Latina fora do top 20
Nenhuma cidade latino-americana apareceu entre as 20 mais bem colocadas. Embora cidades como Santiago, Montevidéu e Buenos Aires tenham obtido pontuações razoáveis em infraestrutura e cultura, desafios em estabilidade política, segurança pública e sistemas de saúde ainda prejudicam suas posições.
O Brasil, especificamente, continua fora do radar das cidades mais habitáveis. São Paulo e Rio de Janeiro seguem enfrentando baixos indicadores em estabilidade e saúde pública. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil investe, em média, R$ 1.460 por habitante por ano em saúde, valor significativamente inferior ao de países como Dinamarca e Suíça, que chegam a investir o equivalente a mais de R$ 18 mil por habitante anualmente.
A pior cidade para viver em 2025
No extremo oposto do ranking, Damasco (Síria) permanece como a cidade menos habitável do mundo. Apesar da mudança de regime em dezembro de 2024, os efeitos de uma guerra civil prolongada continuam presentes. Trípoli (Líbia) e Daca (Bangladesh) completam o pódio das cidades com pior qualidade de vida global.
Copenhague assume o topo como melhor cidade do mundo para se viver em 2025, representando um modelo de equilíbrio entre qualidade de vida, segurança, educação e infraestrutura. O ranking da EIU serve como alerta para países que buscam melhorar seus indicadores urbanos e como guia para quem busca novas oportunidades de moradia, estudo ou trabalho ao redor do mundo.